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Glossário de faturamento hospitalar e saúde suplementar

Este glossário reúne os termos mais usados no faturamento hospitalar, no ciclo de receita e na relação entre hospitais e operadoras de planos de saúde. Cada verbete traz uma definição direta, para que serve na rotina do hospital e, quando existe, a norma da ANS ou a lei de referência. Para aprofundar um tema, siga os links para os guias completos.

Revisado por Equipe AccruaAtualizado em

A

Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados)

A Anahp é a associação que reúne hospitais privados no Brasil e publica, todo ano, o Observatório Anahp, com indicadores assistenciais e econômico-financeiros dos associados. O Balanço Observatório Anahp é a versão trimestral. Os dados vêm do Sistema de Indicadores Hospitalares Anahp, alimentado pelos próprios hospitais, e são a principal referência pública de glosa e prazo de recebimento do setor.

Veja também: Glosa inicial e glosa final Glosa aceita Prazo médio de recebimento Guia: Observatório Anahp

Anexo de outras despesas

Anexo de outras despesas é o anexo do padrão TISS usado para cobrar gases medicinais, medicamentos, materiais, OPME, taxas, aluguéis e diárias. Não tem número próprio: fica ligado à guia SP/SADT ou ao resumo de internação. Cada item leva o código de despesa da tabela 25 da TUSS, como 05 (diárias) e 07 (taxas e aluguéis).

Veja também: Diária hospitalar Taxas hospitalares Guia SP/SADT Guia: Guias TISS

Anexo de quimioterapia

Anexo de quimioterapia é o anexo do padrão TISS em que o prestador pede à operadora a autorização do tratamento quimioterápico. O pedido de quimioterapia só pode ser feito nesse anexo próprio, assim como os de OPME e de radioterapia (Componente Organizacional, item 62.14).

Veja também: Autorização prévia Guia: Glosa em oncologia e quimioterapia

ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)

A ANS é a agência reguladora federal, vinculada ao Ministério da Saúde, que regula, normatiza e fiscaliza as operadoras de planos de saúde no Brasil. Suas Resoluções Normativas (RNs) definem regras de cobertura, prazos de atendimento, padrão de troca de informações (TISS) e contratos entre operadoras e prestadores.

Veja também: Operadora de plano de saúde Padrão TISS RN 503/2022 Guia: ANS e as normas que afetam os hospitais

Antecipação de recebíveis

Antecipação de recebíveis é a operação em que o hospital recebe hoje, com desconto, o valor de faturas que a operadora só pagaria no vencimento. O hospital troca prazo por parte do valor. O maior risco é a glosa: nas operações com coobrigação, o valor glosado de uma fatura antecipada volta para o hospital.

Veja também: Coobrigação Capital de giro Guia: Antecipação de recebíveis de operadoras

Auditoria de contas médicas

Auditoria de contas médicas é a verificação técnica e administrativa das contas de atendimento, comparando o que foi cobrado com o que foi autorizado, registrado em prontuário e previsto em contrato. Pode ser feita pelo hospital, antes do envio, ou pela operadora, ao analisar a conta.

Veja também: Glosa Recurso de glosa Guia: Auditoria de contas médicas

Auditoria de enfermagem

Auditoria de enfermagem é a análise, feita por enfermeiro, dos registros de enfermagem no prontuário e dos itens da conta que dependem deles. Na equipe de enfermagem, é atividade privativa do enfermeiro (Lei 7.498/1986, art. 11, I, h) e segue a Resolução Cofen 720/2023, que revogou a 266/2001 e inclui contra-auditorias e recursos de glosa.

Veja também: Contra-auditoria Auditoria de contas médicas Prontuário Guia: Auditoria de enfermagem

Auditoria médica

Auditoria médica é a análise, feita por médico, da indicação, da execução e do registro dos procedimentos cobrados numa conta, em nome do hospital ou da operadora. É ato privativo de médico (Lei 12.842/2013, art. 5º, II) e segue a Resolução CFM 2.448/2025, que revogou a 1.614/2001 e tem artigos suspensos por decisão judicial (processo 1017752-74.2026.4.01.3400).

Veja também: Auditoria de contas médicas Junta médica Divergência técnico-assistencial Guia: Auditoria médica

Auditoria prospectiva

Auditoria prospectiva é a análise feita antes do atendimento, normalmente na fase de autorização, para confirmar cobertura, indicação e documentação do procedimento solicitado. Evita que o procedimento seja realizado sem respaldo e glosado depois.

Veja também: Autorização prévia Auditoria concorrente

Auditoria retrospectiva

Auditoria retrospectiva é a análise da conta feita depois da alta do paciente, antes ou após o envio à operadora. Costuma ser a forma mais usada, mas tem menos chance de corrigir falhas de registro porque o atendimento já terminou.

Veja também: Auditoria concorrente Glosa

B

Beneficiário

Beneficiário é a pessoa vinculada a um plano de saúde, como titular ou dependente, com direito à cobertura prevista no contrato. No faturamento, os dados do beneficiário (nome, carteirinha, plano) precisam coincidir com o cadastro da operadora para a conta ser aceita.

Veja também: Elegibilidade Operadora de plano de saúde

Brasíndice

Brasíndice é uma publicação privada de referência de preços de medicamentos e materiais usada no setor de saúde. Não é tabela oficial da ANS: vale como referência de cobrança quando o contrato entre hospital e operadora define seu uso e as condições, como deflatores ou percentuais.

Veja também: Simpro TUSS Guia: Brasíndice e Simpro

Bundle por episódio e bundle por condição clínica

Bundle é o modelo de remuneração em que a operadora paga um valor contratado por um conjunto de ações de saúde. No bundle por episódio, o valor cobre o ciclo de cuidado de um episódio, como uma artroplastia de quadril, num período definido. No bundle por condição clínica, o valor é per capita e cobre uma condição, como diabetes ou obesidade. Os dois estão na tabela 79 da TUSS.

Veja também: Modelo de remuneração Pacote hospitalar Guia: Modelos de remuneração hospitalar

Business case e ROI

Business case é o documento que justifica um projeto com custos, ganhos esperados, riscos e prazo. O ROI (retorno sobre o investimento) é o ganho líquido dividido pelo investimento, num horizonte definido. No ciclo de receita, os ganhos vêm de glosa evitada, glosa revertida, custo financeiro do prazo, contas não faturadas e produtividade, medidos contra a linha de base do próprio hospital.

Veja também: Taxa de reversão de glosa Custo do atraso Guia: ROI do ciclo de receita

C

Capitation (capitação)

Capitation é o modelo de remuneração em que a operadora paga um valor fixo por beneficiário, num período, por um conjunto de procedimentos, independentemente da quantidade realizada e das condições clínicas do grupo. Está na tabela 79 da TUSS (código 04). Se o grupo usar mais serviços que o previsto, o custo fica com o prestador.

Veja também: Modelo de remuneração Fee for service Guia: Modelos de remuneração hospitalar

Case mix

Case mix é o perfil de complexidade dos pacientes atendidos por um hospital. No DRG, o índice de case mix é a média dos pesos relativos dos grupos das altas de um período: quanto maior, mais complexos os casos. Serve para comparar custo e permanência entre hospitais de perfis diferentes.

Veja também: DRG Modelo de remuneração Guia: DRG no Brasil

CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos)

A CBHPM é a classificação de procedimentos médicos editada pela Associação Médica Brasileira (AMB), que organiza os procedimentos em portes para definir o valor dos honorários. Seu uso na cobrança depende do contrato com cada operadora, que pode adotar outra tabela ou edição.

Veja também: Porte Honorário médico TUSS Guia: CBHPM

CDI (documentação clínica para faturamento)

CDI, do inglês clinical documentation integrity (ou improvement), é a revisão dos registros clínicos, feita enquanto o paciente ainda está internado, para que o prontuário comprove o que foi feito, por que e por quem. No faturamento, reduz a glosa por registro incompleto, como evolução ausente ou falta de assinatura do solicitante.

Veja também: Prontuário Auditoria concorrente Guia: Documentação clínica para faturamento (CDI)

Ciclo financeiro

Ciclo financeiro é o número de dias entre pagar os fornecedores e receber dos clientes: prazo médio de estocagem + prazo médio de recebimento − prazo médio de pagamento. No hospital, vale somar os dias entre a alta e o envio da conta. Em 2025, os hospitais Anahp levaram 77,35 dias para receber das operadoras e 48,30 dias para pagar fornecedores.

Veja também: Capital de giro Prazo médio de recebimento DNFB Guia: Capital de giro hospitalar

CID (Classificação Internacional de Doenças)

CID é a classificação da Organização Mundial da Saúde que atribui códigos padronizados a doenças, sintomas e condições de saúde. No faturamento, o código CID informado nas guias justifica clinicamente o atendimento e é conferido pela operadora na análise da conta.

Veja também: Guia SP/SADT Glosa técnica

Ciclo de receita hospitalar

Ciclo de receita hospitalar é o conjunto de etapas administrativas, assistenciais e financeiras que vai do agendamento e da autorização até o recebimento e a conciliação do pagamento da operadora. Inclui elegibilidade, registro, faturamento, auditoria, gestão de glosas e cobrança.

Veja também: RCM Faturamento hospitalar Guia: Ciclo de receita hospitalar

Cobertura Parcial Temporária (CPT)

Cobertura Parcial Temporária é a suspensão, por até 24 meses, da cobertura de cirurgias, leitos de alta tecnologia e procedimentos de alta complexidade ligados a doença ou lesão preexistente declarada na contratação. Está prevista na Lei 9.656/1998 (art. 11) e regulamentada pela RN 558/2022.

Veja também: Carência Beneficiário Guia: Carência e Cobertura Parcial Temporária

Comitê de glosas

Comitê de glosas é a reunião periódica, em geral mensal, em que faturamento, auditoria, assistência e áreas de entrada analisam as glosas por motivo e origem e definem ações com responsável e prazo. A análise de causa é interna: o painel de glosas da ANS não recebe o motivo da glosa.

Veja também: Glosa Taxa de reversão de glosa Guia: Comitê de glosas

Componente Organizacional (TISS)

O Componente Organizacional é a parte do padrão TISS que define as regras operacionais da troca de informações: quais transações são de troca eletrônica obrigatória, as guias e anexos, os demonstrativos e o uso das tabelas da TUSS. Tem versão própria; em outubro de 2026, a vigente era a 202609.

Veja também: Padrão TISS TUSS Guia: Padrão TISS

Conta hospitalar

Conta hospitalar é o documento de cobrança de um atendimento, que reúne diárias, taxas, materiais, medicamentos, OPME, exames e honorários consumidos pelo paciente. É enviada à operadora em guias e lotes no padrão TISS.

Veja também: Conta parcial Faturamento hospitalar Lote

Conta parcial

Conta parcial é a cobrança de parte de uma internação ainda em andamento, normalmente usada em internações longas para não acumular meses sem faturar. A periodicidade e as regras de envio dependem do contrato com a operadora.

Veja também: Conta hospitalar DNFB Guia: Conta parcial hospitalar

Contra-auditoria

Contra-auditoria é a revisão, feita pelo auditor do prestador, da glosa ou do parecer do auditor da operadora, com base no prontuário e no contrato. Sustenta o recurso de glosa e a negociação técnica. Na enfermagem, contra-auditorias e recursos de glosa são atividades privativas do enfermeiro (Resolução Cofen 720/2023, anexo, item II.a).

Veja também: Recurso de glosa Auditoria de contas médicas Guia: Como negociar com o auditor da operadora

Contratualização

Contratualização é o processo de negociar, formalizar e revisar o contrato escrito entre hospital e operadora, com valores, reajuste, prazos de faturamento e pagamento, rotinas de auditoria e hipóteses de glosa. A Lei 9.656/1998 (art. 17-A, incluído pela Lei 13.003/2014) exige o contrato escrito, e a RN 503/2022 detalha o conteúdo mínimo.

Veja também: RN 503/2022 Fator de Qualidade Prestador de serviços de saúde Guia: Contrato hospital-operadora

Controlador e operador (LGPD)

Controlador é quem decide sobre o tratamento de dados pessoais, e operador é quem trata os dados em nome do controlador (LGPD, art. 5º, VI e VII). No faturamento, hospital e operadora de plano atuam em regra como controladores, e a empresa terceirizada de faturamento atua como operador, com responsabilidade solidária se descumprir a lei ou as instruções (art. 42).

Veja também: LGPD Dado pessoal sensível Terceirização do faturamento Guia: LGPD no faturamento hospitalar

Coparticipação

Coparticipação é a parte do valor de um procedimento ou consulta paga diretamente pelo beneficiário, além da mensalidade, quando o plano prevê esse mecanismo. É um dos chamados mecanismos financeiros de regulação, ao lado da franquia.

Veja também: Franquia Beneficiário

Custo do atraso (capital parado)

Custo do atraso é o quanto o hospital deixa de ganhar, ou paga em juros, enquanto espera o pagamento da operadora. Tem duas partes: o capital parado (receita diária de convênios × dias de recebimento) e o custo financeiro (capital parado × taxa do período). Nem a Lei 9.656/1998 nem a RN 503/2022 fixam prazo máximo de pagamento: o prazo vem do contrato.

Veja também: Prazo médio de recebimento Capital de giro Guia: Custo do atraso da operadora

D

Dado pessoal sensível

Dado pessoal sensível é, pela LGPD (Lei 13.709/2018, art. 5º, II), o dado sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação sindical, saúde, vida sexual, genética ou biometria ligado a uma pessoa. Dado de saúde é sensível, e o tratamento sem consentimento só cabe nas hipóteses do art. 11, como cumprimento de obrigação regulatória e exercício regular de direitos em contrato.

Veja também: LGPD Controlador e operador (LGPD) Guia: LGPD no faturamento hospitalar

Demonstrativo de análise de conta

O demonstrativo de análise de conta é o documento do padrão TISS em que a operadora informa ao prestador o resultado da análise de um lote. Traz todas as guias do lote: nas analisadas, só os itens glosados, cada um com o código de motivo da tabela 38 da TUSS; nas demais, a situação da guia. O pedido é feito pelo número de protocolo do lote.

Veja também: Demonstrativo de pagamento Protocolo de recebimento Recurso de glosa Guia: Demonstrativo de análise de conta e de pagamento

Descredenciamento

Descredenciamento é a saída de um prestador da rede de uma operadora. Pelo art. 17 da Lei 9.656/1998, a substituição de hospital só pode ser feita por outro equivalente, com aviso de 30 dias aos beneficiários e à ANS; sem substituto, a redução da rede exige autorização prévia da ANS. A RN 585/2023 define os critérios de equivalência.

Veja também: Operadora de plano de saúde Prestador de serviços de saúde Guia: Descredenciamento de prestador

Desempatador

Desempatador é o terceiro profissional da junta médica ou odontológica, que decide a divergência técnico-assistencial entre o profissional assistente e a operadora. A operadora indica pelo menos 4 nomes, o assistente escolhe em 2 dias úteis e os custos são da operadora (RN 424/2017). O parecer do desempatador não admite reanálise pela ouvidoria (FAQ da RN 623/2024, item 21).

Veja também: Junta médica Divergência técnico-assistencial Guia: Junta médica e divergência técnica

Diária hospitalar

Diária hospitalar é a cobrança por cada dia de permanência do paciente internado, que remunera acomodação, hotelaria e cuidados básicos de enfermagem. O que a diária inclui e como ela é contada (horário de início, meia diária, tipo de leito) são definidos no contrato com a operadora. As diárias estão na tabela 18 da TUSS e, no TISS, vão no anexo de outras despesas com o código de despesa 05.

Veja também: Taxas hospitalares Anexo de outras despesas Hospital-dia Prorrogação de internação Guia: Diárias e taxas hospitalares

DIOPS (Documento de Informações Periódicas das Operadoras)

O DIOPS é o documento que as operadoras enviam periodicamente à ANS, mensal ou trimestralmente conforme a operadora, com suas informações econômico-financeiras. É a base dos dados de receita, despesa, sinistralidade e resultado das operadoras que a ANS consolida e divulga a cada trimestre.

Veja também: Sinistralidade Operadora de plano de saúde Guia: Resultado das operadoras

Divergência técnico-assistencial

Divergência técnico-assistencial é o desacordo entre o profissional assistente e a operadora sobre o procedimento ou o material indicado, como o tipo de OPME. É o que a junta médica da RN 424/2017 resolve. Não cabe junta em urgência e emergência, nem para procedimento fora do Rol e do contrato.

Veja também: Junta médica Desempatador Guia: Junta médica e divergência técnica

DNFB (contas não faturadas)

DNFB, do inglês Discharged Not Final Billed, é o indicador que soma o valor das contas de pacientes que já tiveram alta, mas ainda não foram faturadas. Mede o atraso interno do hospital entre a alta e o envio da conta e afeta diretamente o caixa.

Veja também: Prazo médio de recebimento Conta parcial Guia: Contas não faturadas (DNFB)

DRG (Diagnosis Related Groups)

DRG é um sistema que classifica as internações em grupos de pacientes com diagnósticos e consumo de recursos semelhantes. Como modelo de pagamento, a operadora paga um valor prefixado por internação, conforme o grupo, e não pelos itens usados. A ANS o reconhece como um dos sete modelos de remuneração da tabela 79 da TUSS, sem torná-lo obrigatório; não há dado público da ANS sobre sua participação nas despesas das operadoras.

Veja também: Case mix Modelo de remuneração Fee for service Guia: DRG no Brasil

DUT (Diretriz de Utilização)

Diretriz de Utilização é o critério clínico definido pela ANS, no Anexo II do Rol de Procedimentos (RN 465/2021, art. 3º, II), que determina em quais situações um procedimento listado tem cobertura obrigatória. Se a indicação não atende à DUT e não está documentada no prontuário, a operadora pode negar a autorização. Na versão atualizada pela RN 681/2026, o Anexo II tem 176 DUTs.

Veja também: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Autorização prévia Guia: Diretrizes de Utilização (DUT)

E

Elegibilidade

Elegibilidade é a verificação, feita antes do atendimento, de que o beneficiário está ativo no plano e tem direito à cobertura solicitada, sem carência ou restrição pendente. É uma transação do padrão TISS, de troca eletrônica opcional (Componente Organizacional, item 34), e a primeira barreira contra glosas administrativas.

Veja também: Beneficiário Carência Guia: Verificação de elegibilidade

F

Fator de Qualidade

Fator de Qualidade é o multiplicador que a ANS aplica ao IPCA para definir o índice de reajuste de prestadores quando o contrato prevê a livre negociação como única forma de reajuste e não há acordo em 90 dias. Para hospitais, eleva o índice a 115% com acreditação de nível máximo, a 110% com certificação e a 105% com requisitos comuns (RN 512/2022); sem esses critérios, o índice fica igual ao IPCA.

Veja também: RN 503/2022 Guia: Negociação de reajuste com operadoras

Faturamento hospitalar

Faturamento hospitalar é a etapa do ciclo de receita que transforma o atendimento registrado em cobrança: reúne os itens consumidos, aplica tabelas e regras contratuais, gera as guias e envia os lotes à operadora no padrão TISS. É uma parte do ciclo de receita, não o ciclo inteiro.

Veja também: Ciclo de receita hospitalar Conta hospitalar Guia: Faturamento hospitalar

FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources)

FHIR é o padrão técnico da HL7 International para troca de dados de saúde por recursos e APIs, inclusive dados clínicos. A RNDS usa FHIR. A ANS publicou um guia de implementação FHIR (versão 202309) como prova de conceito, que não substitui o XML do padrão TISS.

Veja também: Interoperabilidade RNDS Padrão TISS Guia: Interoperabilidade em saúde

Franquia

Franquia é o valor, previsto no contrato do plano, até o qual a operadora não tem responsabilidade de cobertura, ficando a cargo do beneficiário. Assim como a coparticipação, é um mecanismo financeiro de regulação.

Veja também: Coparticipação

G

Glosa aceita

Glosa aceita é o valor glosado que o hospital deixa de contestar ou não consegue reverter e registra como perda. Nos hospitais Anahp, é medida sobre a receita bruta de convênios: 1,72% em 2025. Não inclui os descontos que os hospitais aceitam em acordos para receber faturas.

Veja também: Glosa inicial e glosa final Índice de glosa Guia: Glosa inicial, final e aceita

Glosa administrativa

Glosa administrativa é a recusa de pagamento causada por falhas de processo, como dados cadastrais divergentes, falta de autorização ou senha, guia incompleta ou conta enviada fora do prazo. A divisão entre glosa administrativa e técnica é uma convenção de mercado; não está definida em norma da ANS.

Veja também: Glosa técnica Elegibilidade Guia: Tipos de glosa

Glosa linear

Glosa linear é o corte aplicado de forma generalizada, como um percentual sobre a conta ou sobre um grupo de itens, sem análise individual de cada cobrança. Por não apontar o motivo item a item, tende a ser contestada com base no contrato e na RN 503/2022.

Veja também: Glosa RN 503/2022 Guia: Glosa linear

Glosa técnica

Glosa técnica é a recusa de pagamento por divergência sobre a pertinência clínica do que foi cobrado, como indicação do procedimento, quantidade de materiais, tempo de permanência ou falta de registro no prontuário que comprove o uso.

Veja também: Glosa administrativa Auditoria de contas médicas Guia: Tipos de glosa

Grau de participação

Grau de participação é o código que identifica a função de cada profissional num procedimento, como cirurgião, auxiliar ou anestesista. Está na tabela 35 da TUSS, com 14 códigos, de 00 (cirurgião) a 13 (intensivista), e é usado no cálculo e na conferência dos honorários.

Veja também: Honorário médico Via de acesso Guia: Honorários médicos na conta hospitalar

Guia de consulta

Guia de consulta é a guia do padrão TISS usada para cobrar consulta eletiva. Exames, terapias e procedimentos vão na guia SP/SADT. Com a SP/SADT, é a guia mais usada por clínicas e consultórios.

Veja também: Guia SP/SADT Padrão TISS Guia: Guias TISS

Guia de solicitação e guia de resumo de internação

A guia de solicitação de internação é usada para pedir à operadora a autorização de uma internação. A guia de resumo de internação é usada, após a alta ou no fechamento parcial, para cobrar os itens da internação. As duas fazem parte do padrão TISS.

Veja também: Autorização prévia Conta hospitalar Prorrogação de internação

H

Hash (epílogo TISS)

Hash é o código calculado a partir do conteúdo de uma mensagem TISS, com codificação ISO-8859-1, e gravado no epílogo do arquivo XML. Se algum campo for alterado depois de gerado, o hash deixa de conferir e a mensagem é criticada, como na mensagem 5014 (código hash inválido) da tabela 38 da TUSS.

Veja também: Lote Padrão TISS Guia: Lote XML TISS

Home care (atenção domiciliar)

Home care é o atendimento de saúde prestado na casa do paciente. A RN 465/2021 usa atenção domiciliar como termo genérico e internação domiciliar para o cuidado em tempo integral, em quadros mais complexos. A atenção domiciliar não é cobertura obrigatória, mas a internação domiciliar oferecida no lugar da hospitalar segue as normas da Anvisa e as coberturas de internação da Lei 9.656/1998.

Veja também: PAD (Plano de Atenção Domiciliar) Prontuário Autorização prévia Guia: Glosa em home care

Hospital-dia

Hospital-dia é a internação de curta permanência em que o paciente recebe alta no mesmo dia. No TISS, é pedida na guia de solicitação de internação; a tabela 18 da TUSS tem código próprio para a diária de hospital-dia; e a RN 566/2022 fixa 10 dias úteis como prazo máximo de atendimento.

Veja também: Diária hospitalar Prazos máximos de atendimento Guia: Diárias e taxas hospitalares

I

IBS e CBS

IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) são os tributos da reforma tributária: o IBS, estadual e municipal, substitui ICMS e ISS; a CBS, federal, substitui PIS e Cofins. Em 2026, ano de teste, as alíquotas são de 0,1% e 0,9%. Os serviços de saúde do Anexo III da LC 214/2025 têm redução de 60%, e o valor glosado e não pago fica fora da base de cálculo.

Veja também: Split payment Guia: Reforma tributária nos hospitais

IDSS (Índice de Desempenho da Saúde Suplementar)

O IDSS é a nota anual, de 0 a 1, que a ANS atribui a cada operadora em quatro dimensões: qualidade em atenção à saúde, garantia de acesso, sustentabilidade no mercado e gestão de processos e regulação (RN 505/2022). Um dos indicadores mede a proporção de glosas no pagamento a prestadores.

Veja também: IGR Operadora de plano de saúde Índice de glosa

IGR (Índice Geral de Reclamações)

O IGR é o indicador da ANS que mede as reclamações contra uma operadora: demandas de NIP passíveis de mediação ÷ beneficiários × 100.000, calculado mês a mês. Também entra no IDSS e ajuda o hospital a conhecer a operadora com quem negocia.

Veja também: NIP IDSS

Inadimplência

Inadimplência, no indicador da Anahp, é o valor das faturas em aberto há mais de 90 dias dividido pela média do faturamento mensal dos últimos 12 meses. Em 2024, foi de 61,53% nos hospitais Anahp. Não é perda definitiva: parte desse valor ainda será recebida.

Veja também: Aging de contas a receber Contas a receber Provisão para devedores duvidosos

Índice de glosa

Índice de glosa é o percentual glosado pela operadora em um período: valor glosado ÷ base de comparação × 100. A base muda conforme a fonte: a Anahp mede a glosa inicial sobre os valores a receber das operadoras e a glosa aceita sobre a receita bruta de convênios; o painel da ANS usa o valor informado nas guias fechadas. Deve ser acompanhado por operadora, por motivo e separando glosa inicial de glosa final.

Veja também: Glosa inicial e glosa final Glosa aceita Guia: Índice de glosa

Índice de recebimento

Índice de recebimento é o percentual do valor faturado às operadoras que foi efetivamente recebido. Na definição da Anahp, considera o recebido e o faturado dos últimos 5 anos; foi de 85,80% em 2025 nos hospitais associados.

Veja também: Glosa aceita Contas a receber Guia: Indicadores do ciclo de receita

Inteligência artificial

Inteligência artificial é o conjunto de sistemas que estimam probabilidades, classificam ou geram textos a partir de dados. No faturamento hospitalar, é usada para conferir contas antes do envio, preparar recursos de glosa e prever recebimentos; a decisão continua com a equipe. Pela LGPD (art. 20), o titular pode pedir revisão de decisão tomada só por tratamento automatizado, e a Resolução CFM 2.454/2026 exige supervisão humana no uso de IA na medicina.

Veja também: Nota de risco de glosa Precisão e recall RPA Guia: IA no faturamento hospitalar

Intercâmbio

Intercâmbio é o atendimento de um beneficiário por um prestador credenciado a outra operadora do mesmo sistema, comum entre as cooperativas Unimed. A conta segue regras próprias de faturamento e de prazo entre a operadora que atende e a de origem do beneficiário.

Veja também: PTU Operadora de plano de saúde Guia: Intercâmbio Unimed

Interoperabilidade

Interoperabilidade é a capacidade de sistemas diferentes trocarem dados e entenderem o mesmo significado. Tem uma camada técnica (formato e meio, como XML ou FHIR) e uma semântica (o significado dos códigos, como os termos da TUSS). Entre hospital e operadora, o padrão obrigatório é o TISS, regido pela RN 501/2022.

Veja também: FHIR RNDS Padrão TISS Guia: Interoperabilidade em saúde

J

Junta médica

Junta médica é o procedimento previsto na RN 424/2017 da ANS para resolver divergência técnico-assistencial entre o profissional que indicou o procedimento e a operadora. Um terceiro profissional, o desempatador, decide a questão. O assistente tem 2 dias úteis para escolher o desempatador, e o resultado é comunicado em até 2 dias úteis após o parecer.

Veja também: Desempatador Divergência técnico-assistencial Autorização prévia OPME Guia: Junta médica e divergência técnica

L

LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados)

A LGPD é a Lei 13.709/2018, que regula o tratamento de dados pessoais no Brasil; dado de saúde é dado pessoal sensível (art. 5º, II). Controlador é quem decide sobre o tratamento, e operador é quem trata os dados em nome dele (art. 5º, VI e VII). No faturamento, hospital e operadora atuam em regra como controladores, e a empresa terceirizada é operador, que responde solidariamente se descumprir as instruções (art. 42). Incidente relevante vai à ANPD e aos titulares em 3 dias úteis.

Veja também: Terceirização do faturamento Trilha de auditoria Guia: LGPD no faturamento hospitalar

M

Margem EBITDA

Margem EBITDA é a parcela da receita líquida que sobra como resultado operacional antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização; em português, também se usa LAJIDA. Nos hospitais associados à Anahp, foi de 11,05% em 2025. Como a receita líquida já desconta a glosa aceita, a glosa reduz a margem diretamente.

Veja também: Glosa aceita Índice de glosa Capital de giro Guia: Margem e EBITDA hospitalar

Modelo de remuneração

Modelo de remuneração é a forma como a operadora paga o prestador pelos serviços. A tabela 79 da TUSS reconhece sete: por procedimento (fee for service), pacote, orçamentação, capitation, DRG, bundle baseado em episódio e bundle por condição clínica. O padrão TISS distingue o modelo de remuneração da forma de pagamento.

Veja também: Fee for service Pacote hospitalar DRG Capitation Guia: Modelos de remuneração hospitalar

N

Negativa de autorização

Negativa de autorização é a recusa da operadora em cobrir um procedimento, internação ou material pedido. Pela RN 623/2024, deve ser dada por escrito, mesmo sem pedido do beneficiário, com o motivo e a cláusula contratual ou o dispositivo legal que a justifica. No padrão TISS, a resposta lista todos os itens pedidos, inclusive os não autorizados.

Veja também: Autorização prévia Ouvidoria NIP Junta médica Guia: Negativa de autorização

NGS2 (Nível de Garantia de Segurança 2)

NGS2 é o nível de segurança mais alto do Manual de Certificação para Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde da SBIS e do CFM. Pela Resolução CFM 1.821/2007, só um sistema que atenda integralmente ao NGS2, com assinatura digital, permite eliminar o prontuário em papel; o NGS1 não basta.

Veja também: Prontuário Trilha de auditoria Guia: Sistemas de gestão hospitalar

NIP (Notificação de Intermediação Preliminar)

NIP é o instrumento da ANS para resolver reclamações de beneficiários contra operadoras antes da abertura de processo sancionador. A operadora é notificada e tem 5 dias úteis (demanda assistencial) ou 10 dias úteis (não assistencial) para resolver o problema. Está disciplinada na RN 483/2022 (art. 10).

Veja também: Negativa de autorização IGR ANS Guia: NIP e reclamações na ANS

O

Operadora de plano de saúde

Operadora de plano de saúde é a empresa registrada na ANS que comercializa planos e administra a cobertura dos beneficiários, contratando hospitais, clínicas e profissionais para prestar o atendimento. Pode ser medicina de grupo, cooperativa, seguradora, autogestão ou filantropia.

Veja também: ANS Prestador de serviços de saúde Beneficiário Guia: Saúde suplementar no Brasil

OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais)

OPME são dispositivos implantáveis ou de uso especial em procedimentos, como próteses, stents, parafusos e placas. Costumam exigir autorização prévia, cotação e registro de rastreabilidade (etiqueta e nota fiscal) e estão entre os itens de maior valor e maior risco de glosa na conta.

Veja também: Autorização prévia TUSS Guia: Como faturar OPME

Ouvidoria (reanálise da negativa)

Ouvidoria é o canal da operadora que, pela RN 623/2024, faz a reanálise de uma negativa a pedido do beneficiário, com resposta em até 7 dias úteis. A reanálise não suspende os prazos de atendimento da RN 566/2022 e não cabe contra o parecer do desempatador da junta médica.

Veja também: Negativa de autorização NIP Desempatador Guia: Negativa de autorização

P

Pacote hospitalar

Pacote hospitalar é o valor fechado, acordado entre hospital e operadora, que remunera um procedimento ou internação com itens previamente definidos. O contrato precisa listar o que está incluído e excluído e como cobrar complicações, para evitar cobrança dupla ou prejuízo. No TISS, é cobrado com código da tabela própria 98, criada pela operadora.

Veja também: Fee for service DRG Modelo de remuneração Guia: Pacotes hospitalares

PAD (Plano de Atenção Domiciliar)

PAD (Plano de Atenção Domiciliar) é o documento que orienta as ações dos profissionais no cuidado do paciente em atenção domiciliar, definido na RDC Anvisa 11/2006 para os serviços de atenção domiciliar. Junto com o prontuário domiciliar, é um dos registros que sustentam a cobrança do home care.

Veja também: Home care (atenção domiciliar) Prontuário Guia: Glosa em home care

Padrão TISS (Troca de Informações na Saúde Suplementar)

Padrão TISS é o padrão obrigatório definido pela ANS para a troca eletrônica de informações entre operadoras e prestadores, incluindo guias, lotes, demonstrativos e recursos de glosa. Tem cinco componentes: organizacional, conteúdo e estrutura, representação de conceitos em saúde (TUSS), segurança e privacidade, e comunicação.

Veja também: Componente Organizacional (TISS) TUSS Lote Guia: Padrão TISS

PAR, FormRol e Cosaúde

PAR (proposta de atualização do Rol) é o pedido de inclusão, alteração ou exclusão de procedimento no Rol da ANS. É enviado pelo FormRol, o sistema da ANS para esse fim, e discutido na Comissão de Atualização do Rol (Cosaúde), conforme o rito da RN 555/2022. Para cobertura fora do Rol, o STF exige que não haja negativa expressa da ANS nem análise pendente de atualização.

Veja também: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde RN 555/2022 Guia: Rol de Procedimentos da ANS

Pay for performance (pagamento por desempenho)

Pay for performance é o modelo em que parte da remuneração do prestador depende do cumprimento de metas de qualidade, eficiência ou desfecho. Em geral, é combinado com outro modelo, como fee for service com bônus. Em 2025, 12,10% dos hospitais Anahp que responderam à pesquisa disseram usar pagamento por desempenho.

Veja também: Remuneração baseada em valor Modelo de remuneração Guia: Modelos de remuneração hospitalar

Perda de crédito esperada

Perda de crédito esperada é a estimativa, feita com base no histórico e em informações atuais, do valor de contas a receber que não será recebido. O CPC 48 manda medir a provisão de contas a receber de clientes sempre pelas perdas esperadas (item 5.5.15), e não só depois que o atraso acontece.

Veja também: Provisão para devedores duvidosos Contas a receber Guia: Contas a receber hospitalar

Perda de receita hospitalar

Perda de receita hospitalar é o valor que o hospital produz e não recebe, ou recebe tarde. Tem cinco vazamentos: glosa, item usado e não cobrado, conta parada entre a alta e o envio, desconto aceito em acordo e atraso no pagamento. A perda definitiva aparece no resultado; a perda de tempo aparece no caixa.

Veja também: Glosa aceita DNFB Custo do atraso Guia: Perda de receita hospitalar

Porte

Porte é a classificação de complexidade que a CBHPM atribui a cada procedimento médico e que define o valor de referência do honorário. Existe também o porte anestésico, que define a remuneração do anestesista.

Veja também: CBHPM Honorário médico Guia: CBHPM

Prazo médio de recebimento (PMR)

Prazo médio de recebimento é o número médio de dias que o hospital leva para receber das operadoras: (contas a receber de convênios ÷ receita conveniada do período) × dias do período. Também é chamado de DSO (Days Sales Outstanding).

Veja também: Aging de contas a receber DNFB Guia: Prazo médio de recebimento hospitalar

Prazos máximos de atendimento

Prazos máximos de atendimento são os limites que a operadora deve garantir para o beneficiário ser atendido, definidos pela RN 566/2022. Exemplos: consulta básica em 7 dias úteis, demais especialidades em 14, internação eletiva em 21, e urgência e emergência de imediato. São 17 prazos (art. 3º), contados da demanda até a realização. Sem prestador disponível, a operadora deve garantir atendimento fora da rede ou transporte e, se não garantir, reembolsar integralmente em até 30 dias (arts. 4º a 10).

Veja também: Autorização prévia ANS Guia: Prazos máximos de atendimento da ANS

Precisão e recall

Precisão e recall são as duas medidas para avaliar um modelo que aponta contas com risco de glosa. Precisão é a parcela dos alertas que eram de fato glosa; recall é a parcela das glosas que foram alertadas. Uma taxa de acerto isolada não mostra se o modelo serve: as duas medidas precisam ser vistas juntas.

Veja também: Nota de risco de glosa Inteligência artificial Guia: IA para prevenção de glosas

Prestador de serviços de saúde

Prestador é o hospital, clínica, laboratório ou profissional que realiza o atendimento ao beneficiário e cobra a operadora por ele. A relação entre prestador e operadora deve ser regida por contrato escrito, conforme a Lei 13.003/2014 e a RN 503/2022.

Veja também: Operadora de plano de saúde RN 503/2022

Prontuário

Prontuário é o documento, em papel ou eletrônico, com os registros da assistência ao paciente: identificação, anamnese, exame físico, hipóteses e diagnóstico, tratamento e evolução diária com data, hora, assinatura e CRM (Resolução CFM 1.638/2002). Na enfermagem, os registros seguem as Resoluções Cofen 754/2024 e 736/2024. A Lei 13.787/2018 fixa guarda mínima de 20 anos; a Resolução CFM 1.821/2007 prevê guarda permanente do prontuário arquivado eletronicamente. Para o faturamento, é a prova de cada item da conta.

Veja também: CDI NGS2 Guia: Integração entre prontuário e faturamento

Protocolo de recebimento

Protocolo de recebimento é o número que a operadora gera ao receber um lote ou um recurso de glosa enviado no padrão TISS. Comprova o recebimento, não a análise: o resultado de cada guia chega depois, no demonstrativo de análise de conta. O prestador usa o protocolo para pedir os demonstrativos e acompanhar o status.

Veja também: Lote Demonstrativo de análise de conta Guia: Lote XML TISS

Provisão para devedores duvidosos (PDD)

Provisão para devedores duvidosos é o valor que o hospital reserva no balanço para contas a receber que provavelmente não serão pagas. Pelo CPC 48, deve refletir as perdas de crédito esperadas. Em pesquisa da Anahp com 85 hospitais associados, o saldo da provisão foi de R$ 1,8 bilhão em 2024.

Veja também: Perda de crédito esperada Contas a receber Glosa aceita Guia: Contas a receber hospitalar

PTU

PTU é o padrão de troca eletrônica entre as cooperativas do Sistema Unimed, usado no intercâmbio para a autorização e a cobrança entre a Unimed executora e a Unimed origem. É regra do sistema de cooperativas, não norma da ANS: o hospital fatura à Unimed com quem tem contrato, no padrão TISS.

Veja também: Intercâmbio Guia: Intercâmbio Unimed

R

Rastreabilidade de OPME

Rastreabilidade de OPME é a capacidade de identificar cada órtese, prótese ou material especial usado no paciente, com lote e dados do fabricante, do fornecedor até o prontuário. A Resolução CFM 2.318/2022 trata de lote e rastreabilidade no item 3.3.2.

Veja também: OPME Prontuário Guia: Faturamento de OPME

RCM (Revenue Cycle Management)

RCM, ou gestão do ciclo de receita, é a gestão ativa de todas as etapas do ciclo de receita, com indicadores, metas e responsáveis por etapa, para garantir que cada atendimento seja faturado corretamente e recebido no menor prazo possível.

Veja também: Ciclo de receita hospitalar Guia: Revenue Cycle Management (RCM)

Recurso de glosa

Recurso de glosa é a contestação formal, feita pelo prestador, de um valor glosado pela operadora, com justificativa e documentos que comprovem a cobrança. No padrão TISS, é de troca eletrônica obrigatória e tem quatro mensagens: recurso, protocolo, solicitação de status e resposta. O prazo vem do contrato. A RN 503/2022 veda impedir a contestação e o acesso às justificativas de glosa, vedação que vale quando o faturamento segue o TISS vigente (art. 5º, parágrafo único).

Veja também: Glosa Demonstrativo de análise de conta Contra-auditoria Taxa de reversão de glosa Guia: Recurso de glosa

Rede credenciada

Rede credenciada é o conjunto de hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais contratados pela operadora para atender seus beneficiários, distinto da rede própria. A substituição de um hospital da rede segue o art. 17 da Lei 9.656/1998: prestador equivalente e aviso de 30 dias aos beneficiários e à ANS.

Veja também: Descredenciamento Verticalização Prestador de serviços de saúde

Remuneração baseada em valor

Remuneração baseada em valor é o grupo de modelos que ligam o pagamento ao resultado em saúde e à eficiência, e não só à quantidade de serviços, como o pagamento por desempenho e os bundles. A ANS mantém um programa de modelos de remuneração baseados em valor; o 2º edital selecionou 20 projetos-piloto.

Veja também: Pay for performance Bundle por episódio e bundle por condição clínica Modelo de remuneração Guia: Modelos de remuneração hospitalar

RN 503/2022

A RN 503/2022 é a Resolução Normativa da ANS que define as regras para os contratos escritos entre operadoras e prestadores. Exige que o contrato estabeleça, entre outros pontos, rotinas de auditoria, hipóteses de glosa, prazos de contestação e de resposta, e procedimentos que dependem de autorização.

Veja também: Prestador de serviços de saúde Recurso de glosa Glosa linear Guia: RN 503/2022

RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde)

A RNDS é a plataforma nacional de integração de dados em saúde do Ministério da Saúde, instituída pela Portaria GM/MS 1.434/2020. Usa o padrão FHIR e tem modelos de informação publicados em portaria, como o Sumário de Alta. Não substitui o padrão TISS na cobrança às operadoras.

Veja também: FHIR Interoperabilidade Guia: Interoperabilidade em saúde

Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde

O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde é a lista da ANS com a cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde, hoje regida pela RN 465/2021 e suas atualizações. Desde a Lei 14.454/2022, procedimentos fora do rol podem ter cobertura quando atendem aos critérios legais e, desde a ADI 7265 (STF, 18/09/2025), quando cumpridos cinco requisitos cumulativos.

Veja também: DUT RN 555/2022 PAR, FormRol e Cosaúde Autorização prévia Guia: Rol de Procedimentos da ANS

RPA (automação robótica de processos)

RPA, do inglês robotic process automation, é a automação por robôs de software que repetem, em sistemas e portais, os passos de uma pessoa. É determinística: faz sempre a mesma coisa diante da mesma entrada e não aprende com o histórico. Serve para tarefas de alto volume e regra estável; onde há webservice TISS, a integração costuma ser mais estável.

Veja também: Webservice TISS Inteligência artificial Guia: Automação (RPA) no faturamento

S

Saúde suplementar

Saúde suplementar é o sistema de planos privados de assistência à saúde, regulado pela ANS, que funciona ao lado do Sistema Único de Saúde (SUS). Nele, operadoras recebem mensalidades de pessoas e empresas e pagam hospitais, clínicas e profissionais pelo atendimento dos beneficiários. O beneficiário continua com direito ao SUS: o plano é uma camada a mais de cobertura.

Veja também: ANS Operadora de plano de saúde Beneficiário Guia: Saúde suplementar no Brasil

Simpro

Simpro é uma publicação privada de referência de preços de materiais e medicamentos usada no setor de saúde. Assim como o Brasíndice, não é tabela oficial: vale como referência de cobrança quando o contrato define seu uso e as condições aplicadas.

Veja também: Brasíndice TUSS

Sinistralidade

Sinistralidade é a relação entre as despesas assistenciais de uma operadora (os sinistros) e as receitas com mensalidades e contraprestações, geralmente em percentual. Sinistralidade alta pressiona reajustes e aumenta o rigor da operadora na auditoria das contas.

Veja também: Operadora de plano de saúde Guia: Sinistralidade

SLA (acordo de nível de serviço)

SLA, do inglês service level agreement, é a cláusula do contrato que fixa os níveis de serviço que o fornecedor deve cumprir, com indicador, fórmula, meta, prazo e consequência. Na terceirização do faturamento, metas como glosa inicial e prazo de envio precisam ter fórmula e denominador escritos.

Veja também: Terceirização do faturamento Guia: Como escolher uma empresa de ciclo de receita

Split payment

Split payment é o recolhimento do IBS e da CBS na liquidação financeira: no momento do pagamento, parte do valor é separada e destinada ao tributo (LC 214/2025, art. 32). Para o hospital, o valor pago pela operadora pode chegar já sem o tributo, o que pede ajuste da conciliação.

Veja também: IBS e CBS Conciliação Guia: Reforma tributária nos hospitais

T

Taxa de reversão de glosa

Taxa de reversão de glosa é o percentual do valor recorrido que a operadora aceitou pagar depois do recurso: valor recuperado ÷ valor recorrido, contando só as glosas com prazo de recurso encerrado. Mostra a eficácia dos recursos. Não deve ser calculada dividindo a glosa aceita pela glosa inicial da Anahp, que têm denominadores diferentes.

Veja também: Recurso de glosa Glosa inicial e glosa final Guia: Gestão de glosas

Taxas hospitalares

Taxas hospitalares são cobranças pelo uso de estrutura e serviços do hospital que não estão incluídos na diária, como sala cirúrgica, equipamentos, gases medicinais e procedimentos de enfermagem específicos. O que pode ser cobrado como taxa é definido no contrato. As taxas estão na tabela 18 da TUSS e vão no anexo de outras despesas com o código de despesa 07 (taxas e aluguéis).

Veja também: Diária hospitalar Anexo de outras despesas TUSS Guia: Diárias e taxas hospitalares

Terceirização do faturamento

Terceirização do faturamento é a contratação de uma empresa para executar, no todo ou em parte, as etapas do faturamento e do ciclo de receita do hospital. A Lei 6.019/1974 permite terceirizar qualquer atividade, e o hospital responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas da prestadora. O contrato precisa definir escopo, SLA, papéis na LGPD e regras de saída.

Veja também: SLA LGPD Guia: Terceirização do faturamento hospitalar

Trilha de auditoria

Trilha de auditoria é o registro, no sistema, de quem incluiu, alterou ou excluiu cada item da conta, quando e por quê. Mostra a origem de cada lançamento na disputa com a operadora e atende ao registro das operações de tratamento previsto na LGPD (art. 37).

Veja também: NGS2 LGPD Guia: Sistemas de gestão hospitalar

TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar)

TUSS é a terminologia do padrão TISS que padroniza os códigos e nomes usados na troca de informações entre prestadores e operadoras. Entre suas tabelas estão a 18 (diárias e taxas), 19 (materiais e OPME), 20 (medicamentos), 22 (procedimentos) e 38 (mensagens, incluindo motivos de glosa). Os termos não têm campo de preço: o valor vem do contrato. A consulta pública é feita na plataforma de consulta da ANS (OCL), que também oferece API.

Veja também: Padrão TISS Glosa Componente Organizacional (TISS) Guia: Tabela TUSS

U

Urgência e emergência

Na saúde suplementar, emergência é a situação que implica risco imediato de morte ou de lesão irreparável, e urgência é a que resulta de acidente pessoal ou de complicação na gestação, conforme a Lei 9.656/1998. A carência máxima para esses atendimentos é de 24 horas.

Veja também: Carência Prazos máximos de atendimento Guia: Urgência e emergência

V

Verticalização

Verticalização é o movimento em que a operadora de plano de saúde passa a ser dona dos hospitais, clínicas e laboratórios que antes contratava, formando rede própria. Segundo o Balanço Observatório Anahp (dados da ANS), o rateio de custos de recursos próprios foi de 6,9% das despesas assistenciais das operadoras em 2019 para 13,0% em 2025.

Veja também: Descredenciamento Operadora de plano de saúde Rede credenciada Guia: Verticalização das operadoras

W

Webservice TISS

Webservice TISS é a interface eletrônica pela qual os sistemas do hospital e da operadora trocam as mensagens do padrão TISS, sem digitação em portal. A operadora deve oferecer webservice e portal, e o prestador escolhe o meio (Componente Organizacional, itens 129 e 130). As mensagens seguem os WSDLs e o schema XSD da versão vigente.

Veja também: Lote RPA Padrão TISS Guia: Lote XML TISS

Perguntas frequentes sobre os termos do faturamento hospitalar

Qual a diferença entre TISS e TUSS?

TISS é o padrão da ANS para a troca eletrônica de informações entre operadoras e prestadores: define guias, mensagens, segurança e comunicação. TUSS é a terminologia que faz parte do TISS e padroniza os códigos de procedimentos, materiais, medicamentos, diárias, taxas e motivos de glosa usados nessas mensagens.

Qual a diferença entre ciclo de receita e faturamento hospitalar?

O faturamento é uma etapa do ciclo de receita. O ciclo começa antes do atendimento, na elegibilidade e na autorização, e termina na conciliação do pagamento e na gestão das glosas. Tratar os dois como sinônimos esconde as perdas que nascem antes do faturamento.

Glosa administrativa e glosa técnica estão definidas pela ANS?

Não. Essa divisão é uma convenção de mercado, usada para organizar quem trata cada glosa e que prova o recurso exige. A ANS define, pelo padrão TISS, os códigos de motivo de glosa (tabela 38 da TUSS) e, pela RN 503/2022, o que o contrato precisa prever sobre glosa e contestação.

Com que frequência este glossário é atualizado?

O glossário é revisado sempre que a ANS publica uma norma que muda um termo ou um prazo, e ao menos a cada seis meses. A data da última atualização fica no topo da página.

Fontes

As definições normativas deste glossário se baseiam nas fontes oficiais abaixo.

  1. ANS — Padrão TISS: histórico das versões dos componentes
  2. ANS — Padrão TISS, Componente Organizacional (jan/2026): tabelas TUSS 18, 19, 20, 22 e 38
  3. ANS — Legislação: RN 424/2017, RN 465/2021, RN 503/2022, RN 558/2022, RN 566/2022
  4. ANS — RN 483/2022 (NIP)
  5. ANS — FAQ da RN 623/2024
  6. Lei 9.656/1998 — Planalto: carências, CPT, urgência e emergência
  7. Lei 13.003/2014 — Planalto: contratos entre operadoras e prestadores
  8. Lei 14.454/2022 — Planalto: cobertura fora do rol
  9. ANS — Padrão TISS, Componente Organizacional (set/2026): guias, anexos, demonstrativos, recurso de glosa, protocolo, hash, webservice e tabelas próprias; TUSS 202607 (tabelas 25, 27, 35, 61 e 79)
  10. STF — ADI 7265, acórdão (LexML): requisitos para cobertura fora do Rol
  11. ANS — Critérios do Fator de Qualidade e FAQ da junta médica (2021)
  12. Anahp — Observatório Anahp 2026: glosa aceita, prazo médio de recebimento, índice de recebimento e modelos de remuneração
  13. LC 214/2025, LGPD, Lei 6.019/1974 e Lei 13.787/2018 — Planalto
  14. CFM: Resolução 1.638/2002, 1.821/2007 e 2.454/2026; Cofen: Resolução 720/2023
  15. CPC 48: perdas de crédito esperadas
  16. Ministério da Saúde — RNDS, legislação