A
Aging de contas a receber
Aging de contas a receber é o relatório que distribui os valores a receber das operadoras por faixa de tempo em aberto, como 0–30, 31–60, 61–90 e mais de 90 dias. Mostra quanto do recebível está atrasado, por operadora, e orienta a cobrança e a provisão de perdas.
Veja também: Prazo médio de recebimento · Conciliação · Inadimplência · Guia: Aging de contas a receber de operadoras
Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados)
A Anahp é a associação que reúne hospitais privados no Brasil e publica, todo ano, o Observatório Anahp, com indicadores assistenciais e econômico-financeiros dos associados. O Balanço Observatório Anahp é a versão trimestral. Os dados vêm do Sistema de Indicadores Hospitalares Anahp, alimentado pelos próprios hospitais, e são a principal referência pública de glosa e prazo de recebimento do setor.
Veja também: Glosa inicial e glosa final · Glosa aceita · Prazo médio de recebimento · Guia: Observatório Anahp
Anexo de outras despesas
Anexo de outras despesas é o anexo do padrão TISS usado para cobrar gases medicinais, medicamentos, materiais, OPME, taxas, aluguéis e diárias. Não tem número próprio: fica ligado à guia SP/SADT ou ao resumo de internação. Cada item leva o código de despesa da tabela 25 da TUSS, como 05 (diárias) e 07 (taxas e aluguéis).
Veja também: Diária hospitalar · Taxas hospitalares · Guia SP/SADT · Guia: Guias TISS
Anexo de quimioterapia
Anexo de quimioterapia é o anexo do padrão TISS em que o prestador pede à operadora a autorização do tratamento quimioterápico. O pedido de quimioterapia só pode ser feito nesse anexo próprio, assim como os de OPME e de radioterapia (Componente Organizacional, item 62.14).
Veja também: Autorização prévia · Guia: Glosa em oncologia e quimioterapia
ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)
A ANS é a agência reguladora federal, vinculada ao Ministério da Saúde, que regula, normatiza e fiscaliza as operadoras de planos de saúde no Brasil. Suas Resoluções Normativas (RNs) definem regras de cobertura, prazos de atendimento, padrão de troca de informações (TISS) e contratos entre operadoras e prestadores.
Veja também: Operadora de plano de saúde · Padrão TISS · RN 503/2022 · Guia: ANS e as normas que afetam os hospitais
Antecipação de recebíveis
Antecipação de recebíveis é a operação em que o hospital recebe hoje, com desconto, o valor de faturas que a operadora só pagaria no vencimento. O hospital troca prazo por parte do valor. O maior risco é a glosa: nas operações com coobrigação, o valor glosado de uma fatura antecipada volta para o hospital.
Veja também: Coobrigação · Capital de giro · Guia: Antecipação de recebíveis de operadoras
Auditoria concorrente
Auditoria concorrente é a análise da conta e do prontuário feita durante a internação, enquanto o paciente ainda está no hospital. Permite corrigir registros, pedir prorrogações e alinhar divergências com a operadora antes do fechamento da conta, reduzindo glosas.
Veja também: Auditoria prospectiva · Auditoria retrospectiva · Guia: Auditoria prospectiva, concorrente e retrospectiva
Auditoria de contas médicas
Auditoria de contas médicas é a verificação técnica e administrativa das contas de atendimento, comparando o que foi cobrado com o que foi autorizado, registrado em prontuário e previsto em contrato. Pode ser feita pelo hospital, antes do envio, ou pela operadora, ao analisar a conta.
Veja também: Glosa · Recurso de glosa · Guia: Auditoria de contas médicas
Auditoria de enfermagem
Auditoria de enfermagem é a análise, feita por enfermeiro, dos registros de enfermagem no prontuário e dos itens da conta que dependem deles. Na equipe de enfermagem, é atividade privativa do enfermeiro (Lei 7.498/1986, art. 11, I, h) e segue a Resolução Cofen 720/2023, que revogou a 266/2001 e inclui contra-auditorias e recursos de glosa.
Veja também: Contra-auditoria · Auditoria de contas médicas · Prontuário · Guia: Auditoria de enfermagem
Auditoria médica
Auditoria médica é a análise, feita por médico, da indicação, da execução e do registro dos procedimentos cobrados numa conta, em nome do hospital ou da operadora. É ato privativo de médico (Lei 12.842/2013, art. 5º, II) e segue a Resolução CFM 2.448/2025, que revogou a 1.614/2001 e tem artigos suspensos por decisão judicial (processo 1017752-74.2026.4.01.3400).
Veja também: Auditoria de contas médicas · Junta médica · Divergência técnico-assistencial · Guia: Auditoria médica
Auditoria prospectiva
Auditoria prospectiva é a análise feita antes do atendimento, normalmente na fase de autorização, para confirmar cobertura, indicação e documentação do procedimento solicitado. Evita que o procedimento seja realizado sem respaldo e glosado depois.
Veja também: Autorização prévia · Auditoria concorrente
Auditoria retrospectiva
Auditoria retrospectiva é a análise da conta feita depois da alta do paciente, antes ou após o envio à operadora. Costuma ser a forma mais usada, mas tem menos chance de corrigir falhas de registro porque o atendimento já terminou.
Veja também: Auditoria concorrente · Glosa
Autorização prévia
Autorização prévia é a aprovação que a operadora concede antes de um procedimento, exame ou internação, quando o contrato ou a regulação exigem essa análise. É registrada com uma senha e, se negada, a negativa precisa ser fundamentada e informada no padrão TISS.
Veja também: Senha de autorização · Elegibilidade · Prazos máximos de atendimento · Guia: Autorização prévia
B
Beneficiário
Beneficiário é a pessoa vinculada a um plano de saúde, como titular ou dependente, com direito à cobertura prevista no contrato. No faturamento, os dados do beneficiário (nome, carteirinha, plano) precisam coincidir com o cadastro da operadora para a conta ser aceita.
Veja também: Elegibilidade · Operadora de plano de saúde
Brasíndice
Brasíndice é uma publicação privada de referência de preços de medicamentos e materiais usada no setor de saúde. Não é tabela oficial da ANS: vale como referência de cobrança quando o contrato entre hospital e operadora define seu uso e as condições, como deflatores ou percentuais.
Veja também: Simpro · TUSS · Guia: Brasíndice e Simpro
Bundle por episódio e bundle por condição clínica
Bundle é o modelo de remuneração em que a operadora paga um valor contratado por um conjunto de ações de saúde. No bundle por episódio, o valor cobre o ciclo de cuidado de um episódio, como uma artroplastia de quadril, num período definido. No bundle por condição clínica, o valor é per capita e cobre uma condição, como diabetes ou obesidade. Os dois estão na tabela 79 da TUSS.
Veja também: Modelo de remuneração · Pacote hospitalar · Guia: Modelos de remuneração hospitalar
Business case e ROI
Business case é o documento que justifica um projeto com custos, ganhos esperados, riscos e prazo. O ROI (retorno sobre o investimento) é o ganho líquido dividido pelo investimento, num horizonte definido. No ciclo de receita, os ganhos vêm de glosa evitada, glosa revertida, custo financeiro do prazo, contas não faturadas e produtividade, medidos contra a linha de base do próprio hospital.
Veja também: Taxa de reversão de glosa · Custo do atraso · Guia: ROI do ciclo de receita
C
Capital de giro
Capital de giro é o dinheiro que sustenta a operação entre pagar pessoal, fornecedores e insumos e receber das operadoras. A necessidade de capital de giro é calculada assim: contas a receber + estoques − fornecedores − outras obrigações operacionais. Quanto maior o prazo de recebimento, maior o valor a financiar.
Veja também: Ciclo financeiro · Prazo médio de recebimento · Antecipação de recebíveis · Guia: Capital de giro hospitalar
Capitation (capitação)
Capitation é o modelo de remuneração em que a operadora paga um valor fixo por beneficiário, num período, por um conjunto de procedimentos, independentemente da quantidade realizada e das condições clínicas do grupo. Está na tabela 79 da TUSS (código 04). Se o grupo usar mais serviços que o previsto, o custo fica com o prestador.
Veja também: Modelo de remuneração · Fee for service · Guia: Modelos de remuneração hospitalar
Carência
Carência é o período, contado a partir da contratação do plano, em que o beneficiário ainda não tem direito a determinadas coberturas. Pela Lei 9.656/1998 (art. 12), os prazos máximos são de 24 horas para urgência e emergência, 300 dias para parto a termo e 180 dias para os demais casos.
Veja também: Cobertura Parcial Temporária · Urgência e emergência · Guia: Carência e Cobertura Parcial Temporária
Case mix
Case mix é o perfil de complexidade dos pacientes atendidos por um hospital. No DRG, o índice de case mix é a média dos pesos relativos dos grupos das altas de um período: quanto maior, mais complexos os casos. Serve para comparar custo e permanência entre hospitais de perfis diferentes.
Veja também: DRG · Modelo de remuneração · Guia: DRG no Brasil
CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos)
A CBHPM é a classificação de procedimentos médicos editada pela Associação Médica Brasileira (AMB), que organiza os procedimentos em portes para definir o valor dos honorários. Seu uso na cobrança depende do contrato com cada operadora, que pode adotar outra tabela ou edição.
Veja também: Porte · Honorário médico · TUSS · Guia: CBHPM
CDI (documentação clínica para faturamento)
CDI, do inglês clinical documentation integrity (ou improvement), é a revisão dos registros clínicos, feita enquanto o paciente ainda está internado, para que o prontuário comprove o que foi feito, por que e por quem. No faturamento, reduz a glosa por registro incompleto, como evolução ausente ou falta de assinatura do solicitante.
Veja também: Prontuário · Auditoria concorrente · Guia: Documentação clínica para faturamento (CDI)
Ciclo financeiro
Ciclo financeiro é o número de dias entre pagar os fornecedores e receber dos clientes: prazo médio de estocagem + prazo médio de recebimento − prazo médio de pagamento. No hospital, vale somar os dias entre a alta e o envio da conta. Em 2025, os hospitais Anahp levaram 77,35 dias para receber das operadoras e 48,30 dias para pagar fornecedores.
Veja também: Capital de giro · Prazo médio de recebimento · DNFB · Guia: Capital de giro hospitalar
CID (Classificação Internacional de Doenças)
CID é a classificação da Organização Mundial da Saúde que atribui códigos padronizados a doenças, sintomas e condições de saúde. No faturamento, o código CID informado nas guias justifica clinicamente o atendimento e é conferido pela operadora na análise da conta.
Veja também: Guia SP/SADT · Glosa técnica
Ciclo de receita hospitalar
Ciclo de receita hospitalar é o conjunto de etapas administrativas, assistenciais e financeiras que vai do agendamento e da autorização até o recebimento e a conciliação do pagamento da operadora. Inclui elegibilidade, registro, faturamento, auditoria, gestão de glosas e cobrança.
Veja também: RCM · Faturamento hospitalar · Guia: Ciclo de receita hospitalar
Cobertura Parcial Temporária (CPT)
Cobertura Parcial Temporária é a suspensão, por até 24 meses, da cobertura de cirurgias, leitos de alta tecnologia e procedimentos de alta complexidade ligados a doença ou lesão preexistente declarada na contratação. Está prevista na Lei 9.656/1998 (art. 11) e regulamentada pela RN 558/2022.
Veja também: Carência · Beneficiário · Guia: Carência e Cobertura Parcial Temporária
Comitê de glosas
Comitê de glosas é a reunião periódica, em geral mensal, em que faturamento, auditoria, assistência e áreas de entrada analisam as glosas por motivo e origem e definem ações com responsável e prazo. A análise de causa é interna: o painel de glosas da ANS não recebe o motivo da glosa.
Veja também: Glosa · Taxa de reversão de glosa · Guia: Comitê de glosas
Componente Organizacional (TISS)
O Componente Organizacional é a parte do padrão TISS que define as regras operacionais da troca de informações: quais transações são de troca eletrônica obrigatória, as guias e anexos, os demonstrativos e o uso das tabelas da TUSS. Tem versão própria; em outubro de 2026, a vigente era a 202609.
Veja também: Padrão TISS · TUSS · Guia: Padrão TISS
Conciliação
Conciliação é a conferência entre o valor faturado, o valor glosado e o valor efetivamente pago pela operadora, conta a conta. Identifica pagamentos a menor, glosas não informadas e valores pendentes, e alimenta a gestão de recursos e de contas a receber.
Veja também: Demonstrativo de pagamento · Aging de contas a receber · Guia: Conciliação de pagamentos de operadoras
Conta hospitalar
Conta hospitalar é o documento de cobrança de um atendimento, que reúne diárias, taxas, materiais, medicamentos, OPME, exames e honorários consumidos pelo paciente. É enviada à operadora em guias e lotes no padrão TISS.
Veja também: Conta parcial · Faturamento hospitalar · Lote
Conta parcial
Conta parcial é a cobrança de parte de uma internação ainda em andamento, normalmente usada em internações longas para não acumular meses sem faturar. A periodicidade e as regras de envio dependem do contrato com a operadora.
Veja também: Conta hospitalar · DNFB · Guia: Conta parcial hospitalar
Contas a receber
Contas a receber é o saldo que o hospital tem a receber das operadoras e dos pacientes por atendimentos já faturados. No balanço, exige provisão para as perdas esperadas. Dentro dele, glosa inicial, glosa aceita e perda definitiva são números diferentes e precisam ser acompanhados em separado.
Veja também: Aging de contas a receber · Provisão para devedores duvidosos · Perda de crédito esperada · Guia: Contas a receber hospitalar
Contra-auditoria
Contra-auditoria é a revisão, feita pelo auditor do prestador, da glosa ou do parecer do auditor da operadora, com base no prontuário e no contrato. Sustenta o recurso de glosa e a negociação técnica. Na enfermagem, contra-auditorias e recursos de glosa são atividades privativas do enfermeiro (Resolução Cofen 720/2023, anexo, item II.a).
Veja também: Recurso de glosa · Auditoria de contas médicas · Guia: Como negociar com o auditor da operadora
Contratualização
Contratualização é o processo de negociar, formalizar e revisar o contrato escrito entre hospital e operadora, com valores, reajuste, prazos de faturamento e pagamento, rotinas de auditoria e hipóteses de glosa. A Lei 9.656/1998 (art. 17-A, incluído pela Lei 13.003/2014) exige o contrato escrito, e a RN 503/2022 detalha o conteúdo mínimo.
Veja também: RN 503/2022 · Fator de Qualidade · Prestador de serviços de saúde · Guia: Contrato hospital-operadora
Controlador e operador (LGPD)
Controlador é quem decide sobre o tratamento de dados pessoais, e operador é quem trata os dados em nome do controlador (LGPD, art. 5º, VI e VII). No faturamento, hospital e operadora de plano atuam em regra como controladores, e a empresa terceirizada de faturamento atua como operador, com responsabilidade solidária se descumprir a lei ou as instruções (art. 42).
Veja também: LGPD · Dado pessoal sensível · Terceirização do faturamento · Guia: LGPD no faturamento hospitalar
Coobrigação
Coobrigação é a condição em que o hospital continua responsável por um recebível que cedeu ou descontou, caso a operadora não pague. Na antecipação de recebíveis com coobrigação, o valor glosado de uma fatura antecipada volta para o hospital.
Veja também: Antecipação de recebíveis · Glosa · Guia: Antecipação de recebíveis de operadoras
Coparticipação
Coparticipação é a parte do valor de um procedimento ou consulta paga diretamente pelo beneficiário, além da mensalidade, quando o plano prevê esse mecanismo. É um dos chamados mecanismos financeiros de regulação, ao lado da franquia.
Veja também: Franquia · Beneficiário
Custo do atraso (capital parado)
Custo do atraso é o quanto o hospital deixa de ganhar, ou paga em juros, enquanto espera o pagamento da operadora. Tem duas partes: o capital parado (receita diária de convênios × dias de recebimento) e o custo financeiro (capital parado × taxa do período). Nem a Lei 9.656/1998 nem a RN 503/2022 fixam prazo máximo de pagamento: o prazo vem do contrato.
Veja também: Prazo médio de recebimento · Capital de giro · Guia: Custo do atraso da operadora
D
Dado pessoal sensível
Dado pessoal sensível é, pela LGPD (Lei 13.709/2018, art. 5º, II), o dado sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação sindical, saúde, vida sexual, genética ou biometria ligado a uma pessoa. Dado de saúde é sensível, e o tratamento sem consentimento só cabe nas hipóteses do art. 11, como cumprimento de obrigação regulatória e exercício regular de direitos em contrato.
Veja também: LGPD · Controlador e operador (LGPD) · Guia: LGPD no faturamento hospitalar
Demonstrativo de análise de conta
O demonstrativo de análise de conta é o documento do padrão TISS em que a operadora informa ao prestador o resultado da análise de um lote. Traz todas as guias do lote: nas analisadas, só os itens glosados, cada um com o código de motivo da tabela 38 da TUSS; nas demais, a situação da guia. O pedido é feito pelo número de protocolo do lote.
Veja também: Demonstrativo de pagamento · Protocolo de recebimento · Recurso de glosa · Guia: Demonstrativo de análise de conta e de pagamento
Demonstrativo de pagamento
O demonstrativo de pagamento é o documento do padrão TISS em que a operadora informa ao prestador os valores pagos e as datas de pagamento. Retenções de impostos, descontos e outros ajustes vêm codificados na tabela 27 da TUSS (débitos e créditos). É a base da conciliação, conta a conta.
Veja também: Demonstrativo de análise de conta · Conciliação · Guia: Demonstrativo de análise de conta e de pagamento
Descredenciamento
Descredenciamento é a saída de um prestador da rede de uma operadora. Pelo art. 17 da Lei 9.656/1998, a substituição de hospital só pode ser feita por outro equivalente, com aviso de 30 dias aos beneficiários e à ANS; sem substituto, a redução da rede exige autorização prévia da ANS. A RN 585/2023 define os critérios de equivalência.
Veja também: Operadora de plano de saúde · Prestador de serviços de saúde · Guia: Descredenciamento de prestador
Desempatador
Desempatador é o terceiro profissional da junta médica ou odontológica, que decide a divergência técnico-assistencial entre o profissional assistente e a operadora. A operadora indica pelo menos 4 nomes, o assistente escolhe em 2 dias úteis e os custos são da operadora (RN 424/2017). O parecer do desempatador não admite reanálise pela ouvidoria (FAQ da RN 623/2024, item 21).
Veja também: Junta médica · Divergência técnico-assistencial · Guia: Junta médica e divergência técnica
Diária hospitalar
Diária hospitalar é a cobrança por cada dia de permanência do paciente internado, que remunera acomodação, hotelaria e cuidados básicos de enfermagem. O que a diária inclui e como ela é contada (horário de início, meia diária, tipo de leito) são definidos no contrato com a operadora. As diárias estão na tabela 18 da TUSS e, no TISS, vão no anexo de outras despesas com o código de despesa 05.
Veja também: Taxas hospitalares · Anexo de outras despesas · Hospital-dia · Prorrogação de internação · Guia: Diárias e taxas hospitalares
DIOPS (Documento de Informações Periódicas das Operadoras)
O DIOPS é o documento que as operadoras enviam periodicamente à ANS, mensal ou trimestralmente conforme a operadora, com suas informações econômico-financeiras. É a base dos dados de receita, despesa, sinistralidade e resultado das operadoras que a ANS consolida e divulga a cada trimestre.
Veja também: Sinistralidade · Operadora de plano de saúde · Guia: Resultado das operadoras
Divergência técnico-assistencial
Divergência técnico-assistencial é o desacordo entre o profissional assistente e a operadora sobre o procedimento ou o material indicado, como o tipo de OPME. É o que a junta médica da RN 424/2017 resolve. Não cabe junta em urgência e emergência, nem para procedimento fora do Rol e do contrato.
Veja também: Junta médica · Desempatador · Guia: Junta médica e divergência técnica
DNFB (contas não faturadas)
DNFB, do inglês Discharged Not Final Billed, é o indicador que soma o valor das contas de pacientes que já tiveram alta, mas ainda não foram faturadas. Mede o atraso interno do hospital entre a alta e o envio da conta e afeta diretamente o caixa.
Veja também: Prazo médio de recebimento · Conta parcial · Guia: Contas não faturadas (DNFB)
DRG (Diagnosis Related Groups)
DRG é um sistema que classifica as internações em grupos de pacientes com diagnósticos e consumo de recursos semelhantes. Como modelo de pagamento, a operadora paga um valor prefixado por internação, conforme o grupo, e não pelos itens usados. A ANS o reconhece como um dos sete modelos de remuneração da tabela 79 da TUSS, sem torná-lo obrigatório; não há dado público da ANS sobre sua participação nas despesas das operadoras.
Veja também: Case mix · Modelo de remuneração · Fee for service · Guia: DRG no Brasil
DUT (Diretriz de Utilização)
Diretriz de Utilização é o critério clínico definido pela ANS, no Anexo II do Rol de Procedimentos (RN 465/2021, art. 3º, II), que determina em quais situações um procedimento listado tem cobertura obrigatória. Se a indicação não atende à DUT e não está documentada no prontuário, a operadora pode negar a autorização. Na versão atualizada pela RN 681/2026, o Anexo II tem 176 DUTs.
Veja também: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde · Autorização prévia · Guia: Diretrizes de Utilização (DUT)
F
Fator de Qualidade
Fator de Qualidade é o multiplicador que a ANS aplica ao IPCA para definir o índice de reajuste de prestadores quando o contrato prevê a livre negociação como única forma de reajuste e não há acordo em 90 dias. Para hospitais, eleva o índice a 115% com acreditação de nível máximo, a 110% com certificação e a 105% com requisitos comuns (RN 512/2022); sem esses critérios, o índice fica igual ao IPCA.
Veja também: RN 503/2022 · Guia: Negociação de reajuste com operadoras
Faturamento hospitalar
Faturamento hospitalar é a etapa do ciclo de receita que transforma o atendimento registrado em cobrança: reúne os itens consumidos, aplica tabelas e regras contratuais, gera as guias e envia os lotes à operadora no padrão TISS. É uma parte do ciclo de receita, não o ciclo inteiro.
Veja também: Ciclo de receita hospitalar · Conta hospitalar · Guia: Faturamento hospitalar
Fee for service
Fee for service é o modelo de remuneração em que o prestador recebe por cada item ou serviço realizado, como diárias, materiais, exames e procedimentos. É o modelo predominante na saúde suplementar brasileira e o que mais gera auditoria item a item e glosas.
Veja também: Modelo de remuneração · Pacote hospitalar · DRG · Guia: Modelos de remuneração hospitalar
FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources)
FHIR é o padrão técnico da HL7 International para troca de dados de saúde por recursos e APIs, inclusive dados clínicos. A RNDS usa FHIR. A ANS publicou um guia de implementação FHIR (versão 202309) como prova de conceito, que não substitui o XML do padrão TISS.
Veja também: Interoperabilidade · RNDS · Padrão TISS · Guia: Interoperabilidade em saúde
Franquia
Franquia é o valor, previsto no contrato do plano, até o qual a operadora não tem responsabilidade de cobertura, ficando a cargo do beneficiário. Assim como a coparticipação, é um mecanismo financeiro de regulação.
Veja também: Coparticipação
G
Glosa
Glosa é a recusa total ou parcial, pela operadora, do pagamento de um item ou de uma conta apresentada pelo prestador. Pode ter motivo administrativo, técnico ou de valor, é informada no demonstrativo de análise de conta e pode ser contestada pelo hospital por meio de recurso.
Veja também: Glosa administrativa · Glosa técnica · Recurso de glosa · Índice de glosa · Guia: Glosa hospitalar
Glosa aceita
Glosa aceita é o valor glosado que o hospital deixa de contestar ou não consegue reverter e registra como perda. Nos hospitais Anahp, é medida sobre a receita bruta de convênios: 1,72% em 2025. Não inclui os descontos que os hospitais aceitam em acordos para receber faturas.
Veja também: Glosa inicial e glosa final · Índice de glosa · Guia: Glosa inicial, final e aceita
Glosa administrativa
Glosa administrativa é a recusa de pagamento causada por falhas de processo, como dados cadastrais divergentes, falta de autorização ou senha, guia incompleta ou conta enviada fora do prazo. A divisão entre glosa administrativa e técnica é uma convenção de mercado; não está definida em norma da ANS.
Veja também: Glosa técnica · Elegibilidade · Guia: Tipos de glosa
Glosa inicial e glosa final
Glosa inicial é o valor recusado pela operadora na primeira análise da conta. Glosa final é o que continua recusado depois dos recursos. A diferença entre as duas mostra quanto o hospital recupera; medir só a inicial superestima a perda e medir só a final esconde o custo do retrabalho.
Veja também: Glosa aceita · Índice de glosa · Taxa de reversão de glosa · Guia: Glosa inicial, final e aceita
Glosa linear
Glosa linear é o corte aplicado de forma generalizada, como um percentual sobre a conta ou sobre um grupo de itens, sem análise individual de cada cobrança. Por não apontar o motivo item a item, tende a ser contestada com base no contrato e na RN 503/2022.
Veja também: Glosa · RN 503/2022 · Guia: Glosa linear
Glosa técnica
Glosa técnica é a recusa de pagamento por divergência sobre a pertinência clínica do que foi cobrado, como indicação do procedimento, quantidade de materiais, tempo de permanência ou falta de registro no prontuário que comprove o uso.
Veja também: Glosa administrativa · Auditoria de contas médicas · Guia: Tipos de glosa
Grau de participação
Grau de participação é o código que identifica a função de cada profissional num procedimento, como cirurgião, auxiliar ou anestesista. Está na tabela 35 da TUSS, com 14 códigos, de 00 (cirurgião) a 13 (intensivista), e é usado no cálculo e na conferência dos honorários.
Veja também: Honorário médico · Via de acesso · Guia: Honorários médicos na conta hospitalar
Guia de consulta
Guia de consulta é a guia do padrão TISS usada para cobrar consulta eletiva. Exames, terapias e procedimentos vão na guia SP/SADT. Com a SP/SADT, é a guia mais usada por clínicas e consultórios.
Veja também: Guia SP/SADT · Padrão TISS · Guia: Guias TISS
Guia de honorários
Guia de honorários é a guia do padrão TISS usada para cobrar os honorários dos profissionais que participaram de uma internação, como cirurgião, auxiliares e anestesista, quando cobrados separadamente da conta hospitalar.
Veja também: Honorário médico · Guia de solicitação e guia de resumo de internação
Guia de solicitação e guia de resumo de internação
A guia de solicitação de internação é usada para pedir à operadora a autorização de uma internação. A guia de resumo de internação é usada, após a alta ou no fechamento parcial, para cobrar os itens da internação. As duas fazem parte do padrão TISS.
Veja também: Autorização prévia · Conta hospitalar · Prorrogação de internação
Guia SP/SADT
Guia SP/SADT (Serviço Profissional / Serviço Auxiliar de Diagnóstico e Terapia) é a guia do padrão TISS usada para solicitar e cobrar exames, terapias e procedimentos ambulatoriais, inclusive em pronto-socorro.
Veja também: Guia de consulta · Anexo de outras despesas · Padrão TISS · CID · Guia: Guias TISS
I
IBS e CBS
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) são os tributos da reforma tributária: o IBS, estadual e municipal, substitui ICMS e ISS; a CBS, federal, substitui PIS e Cofins. Em 2026, ano de teste, as alíquotas são de 0,1% e 0,9%. Os serviços de saúde do Anexo III da LC 214/2025 têm redução de 60%, e o valor glosado e não pago fica fora da base de cálculo.
Veja também: Split payment · Guia: Reforma tributária nos hospitais
IDSS (Índice de Desempenho da Saúde Suplementar)
O IDSS é a nota anual, de 0 a 1, que a ANS atribui a cada operadora em quatro dimensões: qualidade em atenção à saúde, garantia de acesso, sustentabilidade no mercado e gestão de processos e regulação (RN 505/2022). Um dos indicadores mede a proporção de glosas no pagamento a prestadores.
Veja também: IGR · Operadora de plano de saúde · Índice de glosa
IGR (Índice Geral de Reclamações)
O IGR é o indicador da ANS que mede as reclamações contra uma operadora: demandas de NIP passíveis de mediação ÷ beneficiários × 100.000, calculado mês a mês. Também entra no IDSS e ajuda o hospital a conhecer a operadora com quem negocia.
Veja também: NIP · IDSS
Inadimplência
Inadimplência, no indicador da Anahp, é o valor das faturas em aberto há mais de 90 dias dividido pela média do faturamento mensal dos últimos 12 meses. Em 2024, foi de 61,53% nos hospitais Anahp. Não é perda definitiva: parte desse valor ainda será recebida.
Veja também: Aging de contas a receber · Contas a receber · Provisão para devedores duvidosos
Índice de glosa
Índice de glosa é o percentual glosado pela operadora em um período: valor glosado ÷ base de comparação × 100. A base muda conforme a fonte: a Anahp mede a glosa inicial sobre os valores a receber das operadoras e a glosa aceita sobre a receita bruta de convênios; o painel da ANS usa o valor informado nas guias fechadas. Deve ser acompanhado por operadora, por motivo e separando glosa inicial de glosa final.
Veja também: Glosa inicial e glosa final · Glosa aceita · Guia: Índice de glosa
Índice de recebimento
Índice de recebimento é o percentual do valor faturado às operadoras que foi efetivamente recebido. Na definição da Anahp, considera o recebido e o faturado dos últimos 5 anos; foi de 85,80% em 2025 nos hospitais associados.
Veja também: Glosa aceita · Contas a receber · Guia: Indicadores do ciclo de receita
Inteligência artificial
Inteligência artificial é o conjunto de sistemas que estimam probabilidades, classificam ou geram textos a partir de dados. No faturamento hospitalar, é usada para conferir contas antes do envio, preparar recursos de glosa e prever recebimentos; a decisão continua com a equipe. Pela LGPD (art. 20), o titular pode pedir revisão de decisão tomada só por tratamento automatizado, e a Resolução CFM 2.454/2026 exige supervisão humana no uso de IA na medicina.
Veja também: Nota de risco de glosa · Precisão e recall · RPA · Guia: IA no faturamento hospitalar
Intercâmbio
Intercâmbio é o atendimento de um beneficiário por um prestador credenciado a outra operadora do mesmo sistema, comum entre as cooperativas Unimed. A conta segue regras próprias de faturamento e de prazo entre a operadora que atende e a de origem do beneficiário.
Veja também: PTU · Operadora de plano de saúde · Guia: Intercâmbio Unimed
Interoperabilidade
Interoperabilidade é a capacidade de sistemas diferentes trocarem dados e entenderem o mesmo significado. Tem uma camada técnica (formato e meio, como XML ou FHIR) e uma semântica (o significado dos códigos, como os termos da TUSS). Entre hospital e operadora, o padrão obrigatório é o TISS, regido pela RN 501/2022.
Veja também: FHIR · RNDS · Padrão TISS · Guia: Interoperabilidade em saúde
P
Pacote hospitalar
Pacote hospitalar é o valor fechado, acordado entre hospital e operadora, que remunera um procedimento ou internação com itens previamente definidos. O contrato precisa listar o que está incluído e excluído e como cobrar complicações, para evitar cobrança dupla ou prejuízo. No TISS, é cobrado com código da tabela própria 98, criada pela operadora.
Veja também: Fee for service · DRG · Modelo de remuneração · Guia: Pacotes hospitalares
PAD (Plano de Atenção Domiciliar)
PAD (Plano de Atenção Domiciliar) é o documento que orienta as ações dos profissionais no cuidado do paciente em atenção domiciliar, definido na RDC Anvisa 11/2006 para os serviços de atenção domiciliar. Junto com o prontuário domiciliar, é um dos registros que sustentam a cobrança do home care.
Veja também: Home care (atenção domiciliar) · Prontuário · Guia: Glosa em home care
Padrão TISS (Troca de Informações na Saúde Suplementar)
Padrão TISS é o padrão obrigatório definido pela ANS para a troca eletrônica de informações entre operadoras e prestadores, incluindo guias, lotes, demonstrativos e recursos de glosa. Tem cinco componentes: organizacional, conteúdo e estrutura, representação de conceitos em saúde (TUSS), segurança e privacidade, e comunicação.
Veja também: Componente Organizacional (TISS) · TUSS · Lote · Guia: Padrão TISS
PAR, FormRol e Cosaúde
PAR (proposta de atualização do Rol) é o pedido de inclusão, alteração ou exclusão de procedimento no Rol da ANS. É enviado pelo FormRol, o sistema da ANS para esse fim, e discutido na Comissão de Atualização do Rol (Cosaúde), conforme o rito da RN 555/2022. Para cobertura fora do Rol, o STF exige que não haja negativa expressa da ANS nem análise pendente de atualização.
Veja também: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde · RN 555/2022 · Guia: Rol de Procedimentos da ANS
Pay for performance (pagamento por desempenho)
Pay for performance é o modelo em que parte da remuneração do prestador depende do cumprimento de metas de qualidade, eficiência ou desfecho. Em geral, é combinado com outro modelo, como fee for service com bônus. Em 2025, 12,10% dos hospitais Anahp que responderam à pesquisa disseram usar pagamento por desempenho.
Veja também: Remuneração baseada em valor · Modelo de remuneração · Guia: Modelos de remuneração hospitalar
Perda de crédito esperada
Perda de crédito esperada é a estimativa, feita com base no histórico e em informações atuais, do valor de contas a receber que não será recebido. O CPC 48 manda medir a provisão de contas a receber de clientes sempre pelas perdas esperadas (item 5.5.15), e não só depois que o atraso acontece.
Veja também: Provisão para devedores duvidosos · Contas a receber · Guia: Contas a receber hospitalar
Perda de receita hospitalar
Perda de receita hospitalar é o valor que o hospital produz e não recebe, ou recebe tarde. Tem cinco vazamentos: glosa, item usado e não cobrado, conta parada entre a alta e o envio, desconto aceito em acordo e atraso no pagamento. A perda definitiva aparece no resultado; a perda de tempo aparece no caixa.
Veja também: Glosa aceita · DNFB · Custo do atraso · Guia: Perda de receita hospitalar
Porte
Porte é a classificação de complexidade que a CBHPM atribui a cada procedimento médico e que define o valor de referência do honorário. Existe também o porte anestésico, que define a remuneração do anestesista.
Veja também: CBHPM · Honorário médico · Guia: CBHPM
Prazo médio de recebimento (PMR)
Prazo médio de recebimento é o número médio de dias que o hospital leva para receber das operadoras: (contas a receber de convênios ÷ receita conveniada do período) × dias do período. Também é chamado de DSO (Days Sales Outstanding).
Veja também: Aging de contas a receber · DNFB · Guia: Prazo médio de recebimento hospitalar
Prazos máximos de atendimento
Prazos máximos de atendimento são os limites que a operadora deve garantir para o beneficiário ser atendido, definidos pela RN 566/2022. Exemplos: consulta básica em 7 dias úteis, demais especialidades em 14, internação eletiva em 21, e urgência e emergência de imediato. São 17 prazos (art. 3º), contados da demanda até a realização. Sem prestador disponível, a operadora deve garantir atendimento fora da rede ou transporte e, se não garantir, reembolsar integralmente em até 30 dias (arts. 4º a 10).
Veja também: Autorização prévia · ANS · Guia: Prazos máximos de atendimento da ANS
Pré-auditoria
Pré-auditoria é a revisão que o próprio hospital faz na conta antes de enviá-la à operadora, para corrigir o que viraria glosa. Para cobrir todas as contas sem atrasar o envio, usa regras automáticas em todas e revisão humana só nas sinalizadas.
Veja também: Auditoria retrospectiva · Nota de risco de glosa · Guia: Pré-auditoria de contas
Precisão e recall
Precisão e recall são as duas medidas para avaliar um modelo que aponta contas com risco de glosa. Precisão é a parcela dos alertas que eram de fato glosa; recall é a parcela das glosas que foram alertadas. Uma taxa de acerto isolada não mostra se o modelo serve: as duas medidas precisam ser vistas juntas.
Veja também: Nota de risco de glosa · Inteligência artificial · Guia: IA para prevenção de glosas
Prestador de serviços de saúde
Prestador é o hospital, clínica, laboratório ou profissional que realiza o atendimento ao beneficiário e cobra a operadora por ele. A relação entre prestador e operadora deve ser regida por contrato escrito, conforme a Lei 13.003/2014 e a RN 503/2022.
Veja também: Operadora de plano de saúde · RN 503/2022
Prontuário
Prontuário é o documento, em papel ou eletrônico, com os registros da assistência ao paciente: identificação, anamnese, exame físico, hipóteses e diagnóstico, tratamento e evolução diária com data, hora, assinatura e CRM (Resolução CFM 1.638/2002). Na enfermagem, os registros seguem as Resoluções Cofen 754/2024 e 736/2024. A Lei 13.787/2018 fixa guarda mínima de 20 anos; a Resolução CFM 1.821/2007 prevê guarda permanente do prontuário arquivado eletronicamente. Para o faturamento, é a prova de cada item da conta.
Veja também: CDI · NGS2 · Guia: Integração entre prontuário e faturamento
Prorrogação de internação
Prorrogação de internação é o pedido de autorização à operadora para estender uma internação além dos dias inicialmente autorizados, com justificativa clínica. Diárias sem prorrogação autorizada são uma causa frequente de glosa.
Veja também: Diária hospitalar · Auditoria concorrente · Guia: Prorrogação de internação
Protocolo de recebimento
Protocolo de recebimento é o número que a operadora gera ao receber um lote ou um recurso de glosa enviado no padrão TISS. Comprova o recebimento, não a análise: o resultado de cada guia chega depois, no demonstrativo de análise de conta. O prestador usa o protocolo para pedir os demonstrativos e acompanhar o status.
Veja também: Lote · Demonstrativo de análise de conta · Guia: Lote XML TISS
Provisão para devedores duvidosos (PDD)
Provisão para devedores duvidosos é o valor que o hospital reserva no balanço para contas a receber que provavelmente não serão pagas. Pelo CPC 48, deve refletir as perdas de crédito esperadas. Em pesquisa da Anahp com 85 hospitais associados, o saldo da provisão foi de R$ 1,8 bilhão em 2024.
Veja também: Perda de crédito esperada · Contas a receber · Glosa aceita · Guia: Contas a receber hospitalar
PTU
PTU é o padrão de troca eletrônica entre as cooperativas do Sistema Unimed, usado no intercâmbio para a autorização e a cobrança entre a Unimed executora e a Unimed origem. É regra do sistema de cooperativas, não norma da ANS: o hospital fatura à Unimed com quem tem contrato, no padrão TISS.
Veja também: Intercâmbio · Guia: Intercâmbio Unimed
R
Rastreabilidade de OPME
Rastreabilidade de OPME é a capacidade de identificar cada órtese, prótese ou material especial usado no paciente, com lote e dados do fabricante, do fornecedor até o prontuário. A Resolução CFM 2.318/2022 trata de lote e rastreabilidade no item 3.3.2.
Veja também: OPME · Prontuário · Guia: Faturamento de OPME
RCM (Revenue Cycle Management)
RCM, ou gestão do ciclo de receita, é a gestão ativa de todas as etapas do ciclo de receita, com indicadores, metas e responsáveis por etapa, para garantir que cada atendimento seja faturado corretamente e recebido no menor prazo possível.
Veja também: Ciclo de receita hospitalar · Guia: Revenue Cycle Management (RCM)
Recurso de glosa
Recurso de glosa é a contestação formal, feita pelo prestador, de um valor glosado pela operadora, com justificativa e documentos que comprovem a cobrança. No padrão TISS, é de troca eletrônica obrigatória e tem quatro mensagens: recurso, protocolo, solicitação de status e resposta. O prazo vem do contrato. A RN 503/2022 veda impedir a contestação e o acesso às justificativas de glosa, vedação que vale quando o faturamento segue o TISS vigente (art. 5º, parágrafo único).
Veja também: Glosa · Demonstrativo de análise de conta · Contra-auditoria · Taxa de reversão de glosa · Guia: Recurso de glosa
Rede credenciada
Rede credenciada é o conjunto de hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais contratados pela operadora para atender seus beneficiários, distinto da rede própria. A substituição de um hospital da rede segue o art. 17 da Lei 9.656/1998: prestador equivalente e aviso de 30 dias aos beneficiários e à ANS.
Veja também: Descredenciamento · Verticalização · Prestador de serviços de saúde
Remuneração baseada em valor
Remuneração baseada em valor é o grupo de modelos que ligam o pagamento ao resultado em saúde e à eficiência, e não só à quantidade de serviços, como o pagamento por desempenho e os bundles. A ANS mantém um programa de modelos de remuneração baseados em valor; o 2º edital selecionou 20 projetos-piloto.
Veja também: Pay for performance · Bundle por episódio e bundle por condição clínica · Modelo de remuneração · Guia: Modelos de remuneração hospitalar
RN 503/2022
A RN 503/2022 é a Resolução Normativa da ANS que define as regras para os contratos escritos entre operadoras e prestadores. Exige que o contrato estabeleça, entre outros pontos, rotinas de auditoria, hipóteses de glosa, prazos de contestação e de resposta, e procedimentos que dependem de autorização.
Veja também: Prestador de serviços de saúde · Recurso de glosa · Glosa linear · Guia: RN 503/2022
RN 555/2022
A RN 555/2022 é a Resolução Normativa da ANS que regulamenta o rito de atualização do Rol de Procedimentos, com propostas enviadas pelo FormRol, discussão na Cosaúde e deliberação da Diretoria Colegiada. Os prazos vêm da Lei 9.656/1998: 180 dias, prorrogáveis por 90, e, para antineoplásicos orais, 120 dias, prorrogáveis por 60.
Veja também: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde · PAR, FormRol e Cosaúde · Guia: Rol de Procedimentos da ANS
RN 566/2022
A RN 566/2022 é a Resolução Normativa da ANS que fixa os prazos máximos de atendimento que a operadora deve garantir ao beneficiário. São 17 itens, de atendimento imediato em urgência e emergência a 21 dias úteis para alta complexidade e internação eletiva, contados da demanda até a realização.
Veja também: Prazos máximos de atendimento · Autorização prévia · Negativa de autorização · Guia: Prazos máximos de atendimento da ANS
RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde)
A RNDS é a plataforma nacional de integração de dados em saúde do Ministério da Saúde, instituída pela Portaria GM/MS 1.434/2020. Usa o padrão FHIR e tem modelos de informação publicados em portaria, como o Sumário de Alta. Não substitui o padrão TISS na cobrança às operadoras.
Veja também: FHIR · Interoperabilidade · Guia: Interoperabilidade em saúde
Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde
O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde é a lista da ANS com a cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde, hoje regida pela RN 465/2021 e suas atualizações. Desde a Lei 14.454/2022, procedimentos fora do rol podem ter cobertura quando atendem aos critérios legais e, desde a ADI 7265 (STF, 18/09/2025), quando cumpridos cinco requisitos cumulativos.
Veja também: DUT · RN 555/2022 · PAR, FormRol e Cosaúde · Autorização prévia · Guia: Rol de Procedimentos da ANS
RPA (automação robótica de processos)
RPA, do inglês robotic process automation, é a automação por robôs de software que repetem, em sistemas e portais, os passos de uma pessoa. É determinística: faz sempre a mesma coisa diante da mesma entrada e não aprende com o histórico. Serve para tarefas de alto volume e regra estável; onde há webservice TISS, a integração costuma ser mais estável.
Veja também: Webservice TISS · Inteligência artificial · Guia: Automação (RPA) no faturamento
S
Saúde suplementar
Saúde suplementar é o sistema de planos privados de assistência à saúde, regulado pela ANS, que funciona ao lado do Sistema Único de Saúde (SUS). Nele, operadoras recebem mensalidades de pessoas e empresas e pagam hospitais, clínicas e profissionais pelo atendimento dos beneficiários. O beneficiário continua com direito ao SUS: o plano é uma camada a mais de cobertura.
Veja também: ANS · Operadora de plano de saúde · Beneficiário · Guia: Saúde suplementar no Brasil
Senha de autorização
Senha de autorização é o código que a operadora emite ao aprovar um procedimento, exame ou internação, e que deve constar na guia de cobrança. Sua validade é definida em contrato; procedimento realizado com senha vencida é causa comum de glosa.
Veja também: Autorização prévia · Glosa administrativa · Guia: Senha de autorização vencida
Simpro
Simpro é uma publicação privada de referência de preços de materiais e medicamentos usada no setor de saúde. Assim como o Brasíndice, não é tabela oficial: vale como referência de cobrança quando o contrato define seu uso e as condições aplicadas.
Veja também: Brasíndice · TUSS
Sinistralidade
Sinistralidade é a relação entre as despesas assistenciais de uma operadora (os sinistros) e as receitas com mensalidades e contraprestações, geralmente em percentual. Sinistralidade alta pressiona reajustes e aumenta o rigor da operadora na auditoria das contas.
Veja também: Operadora de plano de saúde · Guia: Sinistralidade
SLA (acordo de nível de serviço)
SLA, do inglês service level agreement, é a cláusula do contrato que fixa os níveis de serviço que o fornecedor deve cumprir, com indicador, fórmula, meta, prazo e consequência. Na terceirização do faturamento, metas como glosa inicial e prazo de envio precisam ter fórmula e denominador escritos.
Veja também: Terceirização do faturamento · Guia: Como escolher uma empresa de ciclo de receita
Split payment
Split payment é o recolhimento do IBS e da CBS na liquidação financeira: no momento do pagamento, parte do valor é separada e destinada ao tributo (LC 214/2025, art. 32). Para o hospital, o valor pago pela operadora pode chegar já sem o tributo, o que pede ajuste da conciliação.
Veja também: IBS e CBS · Conciliação · Guia: Reforma tributária nos hospitais
T
Taxa de reversão de glosa
Taxa de reversão de glosa é o percentual do valor recorrido que a operadora aceitou pagar depois do recurso: valor recuperado ÷ valor recorrido, contando só as glosas com prazo de recurso encerrado. Mostra a eficácia dos recursos. Não deve ser calculada dividindo a glosa aceita pela glosa inicial da Anahp, que têm denominadores diferentes.
Veja também: Recurso de glosa · Glosa inicial e glosa final · Guia: Gestão de glosas
Taxas hospitalares
Taxas hospitalares são cobranças pelo uso de estrutura e serviços do hospital que não estão incluídos na diária, como sala cirúrgica, equipamentos, gases medicinais e procedimentos de enfermagem específicos. O que pode ser cobrado como taxa é definido no contrato. As taxas estão na tabela 18 da TUSS e vão no anexo de outras despesas com o código de despesa 07 (taxas e aluguéis).
Veja também: Diária hospitalar · Anexo de outras despesas · TUSS · Guia: Diárias e taxas hospitalares
Terceirização do faturamento
Terceirização do faturamento é a contratação de uma empresa para executar, no todo ou em parte, as etapas do faturamento e do ciclo de receita do hospital. A Lei 6.019/1974 permite terceirizar qualquer atividade, e o hospital responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas da prestadora. O contrato precisa definir escopo, SLA, papéis na LGPD e regras de saída.
Veja também: SLA · LGPD · Guia: Terceirização do faturamento hospitalar
Trilha de auditoria
Trilha de auditoria é o registro, no sistema, de quem incluiu, alterou ou excluiu cada item da conta, quando e por quê. Mostra a origem de cada lançamento na disputa com a operadora e atende ao registro das operações de tratamento previsto na LGPD (art. 37).
Veja também: NGS2 · LGPD · Guia: Sistemas de gestão hospitalar
TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar)
TUSS é a terminologia do padrão TISS que padroniza os códigos e nomes usados na troca de informações entre prestadores e operadoras. Entre suas tabelas estão a 18 (diárias e taxas), 19 (materiais e OPME), 20 (medicamentos), 22 (procedimentos) e 38 (mensagens, incluindo motivos de glosa). Os termos não têm campo de preço: o valor vem do contrato. A consulta pública é feita na plataforma de consulta da ANS (OCL), que também oferece API.
Veja também: Padrão TISS · Glosa · Componente Organizacional (TISS) · Guia: Tabela TUSS