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Guias · Faturamento

Padrão TISS: o que é, componentes e como funciona

O padrão obrigatório da ANS para a troca de informações entre hospital e operadora. Veja os cinco componentes, o que é obrigatório no meio eletrônico, as guias e os demonstrativos e como manter o sistema na versão vigente.

Por Publicado em 10 min de leitura

O que é o padrão TISS?

O padrão TISS é o conjunto de regras, estruturas de dados, códigos e requisitos de segurança da troca eletrônica de informações sobre o atendimento de beneficiários de planos de saúde. É obrigatório e definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A Resolução Normativa (RN) 501/2022 estabelece o padrão e define suas finalidades: padronizar a verificação, a solicitação, a autorização, a cobrança, os demonstrativos de pagamento e os recursos de glosa, além de alimentar o acompanhamento da ANS sobre as operadoras [1].

Na prática, é o “idioma comum” do faturamento hospitalar: a conta só é processada pela operadora se chegar no formato, com os códigos e na versão que o padrão exige. Por isso, um erro de padrão vira lote rejeitado ou glosa antes mesmo de alguém olhar o conteúdo clínico da conta.

A RN 501/2022 determina que a troca seja eletrônica e obrigatoriamente na versão vigente (art. 7º) [1]. O padrão abrange as trocas entre operadora, prestador, contratante, beneficiário e ANS, mas não o pedido de reembolso feito pelo beneficiário à operadora [1].

Os cinco componentes e o que cada um define

O padrão TISS é organizado em cinco componentes, e cada um é atualizado e versionado de forma independente [2]. Por isso não existe “uma” versão do TISS: existe a combinação das versões vigentes dos cinco.

ComponenteO que defineVersão vigente (set/2026) [2]Impacto no faturamento
OrganizacionalAs regras operacionais: o que é obrigatório, quem envia o quê, prazos de implantação, vedações202609Define o que a operadora pode e não pode exigir
Conteúdo e EstruturaA arquitetura dos dados das guias, mensagens eletrônicas e plano de contingência202511Muda os campos e as validações do XML
Representação de Conceitos em Saúde (TUSS)A Terminologia Unificada da Saúde Suplementar: procedimentos, materiais, medicamentos, diárias, mensagens de glosa202609Muda os códigos que entram na conta
Segurança e PrivacidadeOs requisitos de sigilo, privacidade e confidencialidade dos dados202511Certificado digital, controle de acesso
ComunicaçãoOs meios e métodos de transmissão; adota a linguagem XML04.03.00 e 01.06.00Versão do esquema que o sistema precisa ler e gerar

O componente que mais muda é o da terminologia. A versão de setembro de 2026 incluiu 21.234 termos na tabela 19 (materiais e OPME), 781 na tabela 20 (medicamentos), 2 na tabela 22 (procedimentos e eventos em saúde) e inativou 2 termos da tabela 22 [3]. Desde julho de 2026, a ANS mantém uma plataforma de consulta da TUSS, com download em Excel, CSV e JSON e acesso por API [5]. Os códigos e as tabelas estão detalhados no guia Tabela TUSS. O padrão é peça central do faturamento hospitalar e da interoperabilidade entre hospitais e operadoras.

O que é obrigatório no meio eletrônico?

Nem toda troca do padrão precisa ser eletrônica. O Componente Organizacional separa três grupos [3]:

SituaçãoProcessosConsequência prática
Implantação eletrônica obrigatóriaCobrança de serviços; lote de anexos da autorização; comunicação de internação ou alta; demonstrativos de retorno (pagamento e análise de conta); recurso de glosaO hospital precisa enviar e a operadora precisa receber e responder em XML, no padrão
Implantação eletrônica opcionalVerificação de elegibilidade; autorização de procedimentos (exceto o lote de anexos); envio e recebimento de documentosNenhum lado pode impor o meio eletrônico ao outro; se a operadora adotar, precisa seguir o padrão
Troca em papel, conforme contratoComprovante presencial; comprovante de atendimento da guia de tratamento odontológicoVale o que o contrato prevê

Para o hospital, o ponto principal é que o recurso de glosa e os demonstrativos estão no grupo obrigatório. Isso garante o retorno estruturado de cada guia, com o motivo de cada glosa codificado na tabela 38 da TUSS, e o envio do recurso pelo mesmo canal. O passo a passo está no guia Recurso de glosa.

O que a operadora não pode exigir

O Componente Organizacional traz vedações que protegem o prestador [3]:

  • Alterar o padrão. A operadora não pode mudar o padrão TISS nem criar a sua própria versão.
  • Pedir em papel o que já foi trocado eletronicamente. Se a mensagem foi assinada com certificado digital ICP-Brasil, a operadora não pode exigir o equivalente em papel. O certificado deve ser o e-CNPJ da instituição que transmite a mensagem (ou o e-CPF, quando o prestador atua como pessoa física).
  • Exigir o CID nas guias TISS. Em decorrência de decisão judicial, o componente veda que a operadora exija, em quaisquer circunstâncias, o preenchimento da Classificação Internacional de Doenças (CID) nas guias TISS.
  • Manter tabela própria depois do prazo. Vencido o prazo de implantação de um termo TUSS, a operadora não pode usar código próprio para o mesmo item.

Quando uma exigência fora do padrão aparece, o caminho é registrá-la e levá-la à negociação do contrato, que pela RN 503/2022 precisa prever as rotinas de faturamento e auditoria. Manter o TISS em dia também protege o hospital no contrato: as vedações que garantem o acesso às justificativas de glosa e o direito de contestar só se aplicam se o faturamento seguir o padrão TISS vigente (art. 5º, parágrafo único) [4]. O guia RN 503/2022: o que o contrato com a operadora precisa dizer detalha esse ponto.

Como o padrão TISS funciona no dia a dia

O padrão acompanha o atendimento do início ao fim. O fluxo abaixo mostra as principais trocas entre hospital e operadora [3]:

Fluxo de mensagens do padrão TISS entre hospital e operadora Seis trocas do padrão TISS, segundo o Componente Organizacional da ANS, versão 202609. 1) Elegibilidade: hospital consulta, operadora responde; implantação eletrônica opcional. 2) Solicitação e autorização, com anexos de OPME, quimioterapia e radioterapia: hospital solicita, operadora responde com senha ou negativa; opcional, exceto o lote de anexos, que é obrigatório. 3) Comunicação de internação e alta: do hospital para a operadora; obrigatória. 4) Cobrança em lote de guias: hospital envia o lote em XML, operadora devolve o número de protocolo; obrigatória. 5) Demonstrativos de análise de conta e de pagamento: da operadora para o hospital; obrigatórios. 6) Recurso de glosa: hospital envia, operadora devolve protocolo e depois a resposta; obrigatório. Hospital Operadora 1Elegibilidade Consulta e resposta · opcional 2Solicitação e autorização Senha ou negativa · lote de anexos obrigatório 3Comunicação de internação e alta Hospital informa · obrigatória 4Cobrança em lote (XML) Operadora devolve protocolo · obrigatória 5Demonstrativos de retorno Análise de conta e pagamento · obrigatórios 6Recurso de glosa Protocolo, status e resposta · obrigatório Implantação eletrônica obrigatória Retorno da operadora Fonte: ANS, Componente Organizacional 202609
Fonte: ANS, Padrão TISS, Componente Organizacional, versão 202609 (setembro de 2026). Fluxo simplificado das trocas entre hospital e operadora. Produzido por Accrua.
  1. Elegibilidade (opcional no meio eletrônico). O hospital confirma se o beneficiário está ativo e o que o plano cobre. Se a resposta for negativa, a operadora deve identificar o motivo (item 45). O checklist está no guia Verificação de elegibilidade.
  2. Solicitação e autorização. O hospital pede a autorização na guia correspondente (SP/SADT, solicitação de internação, prorrogação) e envia os anexos (OPME, quimioterapia, radioterapia). A operadora responde com a senha ou a negativa, e a resposta deve listar todos os itens pedidos, inclusive os não autorizados (item 46.3). Negar, condicionar ou adiar o atendimento alegando ausência de código TUSS ou de tabela própria é infração às regras da ANS (item 117).
  3. Comunicação de internação e alta (obrigatória). O hospital informa a internação e a alta.
  4. Cobrança em lote (obrigatória). As guias de cobrança (consulta, SP/SADT, resumo de internação, honorários) e o anexo de outras despesas são agrupados em lote e enviados em XML. A operadora deve oferecer webservice e portal para essa troca, e o prestador escolhe qual usar (itens 129 e 130). A operadora devolve um número de protocolo, que comprova o recebimento (o mesmo vale para o lote de anexos e para o recurso de glosa).
  5. Demonstrativos de retorno (obrigatórios). A operadora envia o demonstrativo de análise de conta, com a situação e as glosas de cada guia do lote, e o demonstrativo de pagamento. Como ler e conciliar os dois está no guia Demonstrativo de análise de conta e de pagamento.
  6. Recurso de glosa (obrigatório). O hospital contesta as glosas pela mensagem de recurso, recebe protocolo, pode consultar o status, e a operadora responde acatando, não acatando ou informando nova análise.

Cada guia tem regras próprias de preenchimento e de vínculo entre si. O detalhe está no guia Guias TISS, e os códigos de cada motivo de glosa, no guia Códigos de glosa TISS.

Como acompanhar as versões sem ter lotes rejeitados

Uma versão fora da aceita pela operadora devolve o lote inteiro (tabela 38, código 5028, versão do padrão inválida) [6], porque o arquivo gerado pelo sistema deixa de passar na validação. Cada termo TUSS incluído tem prazo de fim de implantação de, no mínimo, três meses após o início da vigência [3]. As operadoras costumam avisar a data a partir da qual passam a rejeitar arquivos de versões anteriores.

RotinaFrequênciaResponsável
Conferir o quadro de versões vigentes na página do padrão TISS da ANSMensal e a cada comunicado da ANSCoordenação de faturamento
Ler o histórico de alterações da nova versão e listar o que afeta o hospital (tabelas 19, 20, 22, 38)A cada nova versãoFaturamento e TI
Confirmar com o fornecedor do sistema a data de atualizaçãoA cada nova versãoTI
Atualizar a tabela de preços e o cadastro de itens com os códigos novos ou inativadosAntes do fim do prazo de implantaçãoFaturamento e suprimentos
Validar o XML antes do envio e acompanhar a taxa de rejeição de lotesA cada loteFaturamento
Registrar avisos das operadoras sobre a data de corte de versões antigasContínuaFaturamento

As críticas de lote previstas na tabela 38 e como evitá-las estão no guia Lote XML TISS: erros de envio. A taxa de rejeição de lotes é um dos indicadores do ciclo de receita.

O que vemos na operação

Na Accrua, a validação do padrão TISS é tarefa dos agentes. Antes de cada transmissão, o XML é conferido contra a versão vigente de cada componente, contra a terminologia TUSS e contra o que o contrato daquela operadora define. A transmissão, o protocolo do lote e o acompanhamento de status também rodam de forma automática, porque têm regra definida.

O Accrua OS trabalha sobre o HIS/ERP que o hospital já usa, então nada é redigitado para caber no padrão. Quando uma operadora pede algo fora do padrão, o caso é registrado com a fonte e vai para uma pessoa, que decide como responder com base na norma descrita neste guia.

Acompanhamos também as atualizações da TUSS, em especial as tabelas de materiais, medicamentos e OPME. Quando uma versão nova muda códigos, conferimos o cadastro de itens do hospital antes que o primeiro lote volte criticado, e cada ajuste fica em trilha auditável.

Por onde começar

  1. Identifique as versões em uso no sistema do hospital e compare com o quadro de versões vigentes da ANS.
  2. Nomeie um responsável por acompanhar as publicações do padrão e os comunicados das operadoras.
  3. Meça a taxa de rejeição de lotes por operadora e por motivo, toda semana.
  4. Liste as exigências fora do padrão feitas por cada operadora e leve-as à negociação do contrato.
  5. Valide o XML antes do envio, com as regras da versão vigente.

Perguntas frequentes sobre o padrão TISS

O que é o padrão TISS?

É o padrão obrigatório da ANS para a troca eletrônica de informações sobre o atendimento de beneficiários de planos de saúde entre operadoras, prestadores e a ANS. Está previsto na RN 501/2022 e organizado em cinco componentes.

Qual é a versão vigente do padrão TISS?

Não existe um número único: cada um dos cinco componentes tem a sua versão. Em setembro de 2026, o Componente Organizacional e a TUSS estavam na versão 202609, o Conteúdo e Estrutura e a Segurança e Privacidade na 202511, e a Comunicação nas versões 04.03.00 e 01.06.00. A versão atual deve ser conferida na página do padrão TISS da ANS.

Qual a diferença entre TISS e TUSS?

O TISS é o padrão completo de troca de informações, com regras, estrutura dos dados, segurança e comunicação. A TUSS é a terminologia do padrão: as tabelas de códigos de procedimentos, materiais, medicamentos, diárias e mensagens de glosa.

O hospital é obrigado a enviar a cobrança em formato eletrônico?

Sim. A cobrança, os demonstrativos de retorno, o recurso de glosa e a comunicação de internação ou alta são de implantação eletrônica obrigatória pelo Componente Organizacional do padrão.

A operadora pode exigir documentos em papel?

Não, quando o conteúdo já foi trocado eletronicamente com certificado digital ICP-Brasil. O papel vale apenas para os casos previstos no padrão e no contrato, como o comprovante presencial.

O que acontece se o sistema estiver em uma versão antiga do TISS?

Depois do prazo de implantação, a operadora pode rejeitar os arquivos que não seguem a versão vigente, e o lote inteiro volta sem ser analisado. A conta fica parada até o reenvio, o que aumenta o prazo de recebimento.

Fontes

  1. ANS — Resolução Normativa nº 501, de 30 de março de 2022 (Padrão TISS), arts. 1º a 7º (inclusive art. 5º, §3º).
  2. ANS — Padrão TISS – Setembro/2026: identificação da versão vigente dos componentes (publicado em 30/09/2026, atualizado em 06/10/2026).
  3. ANS — Padrão TISS: Componente Organizacional, versão 202609 (setembro de 2026), itens 4, 5, 19 a 21, 28, 33 a 36, 45, 46.3, 47, 49, 51, 55, 62, 109, 112, 113, 117, 129 e 130.
  4. ANS — Resolução Normativa nº 503, de 30 de março de 2022 (contratos entre operadoras e prestadores), art. 5º, V e VI, e parágrafo único.
  5. ANS — Códigos da TUSS (página da plataforma de consulta, publicada em 09/07/2026, atualizada em 15/07/2026).
  6. ANS — Terminologia TUSS, tabela 38 (mensagens do padrão TISS), versão 202607 (planilha oficial da ANS “TUSS - Demais terminologias”), conferida em 18/10/2026: código 5028, “versão do padrão inválida”, vigente desde 01/05/2014, sem fim de vigência.