O que é a tabela TUSS?
A tabela TUSS é a terminologia oficial que dá um código numérico único a cada procedimento, material, medicamento, diária, taxa e mensagem trocados entre prestadores e operadoras de planos de saúde. Ela forma o Componente de Representação de Conceitos em Saúde do padrão de Troca de Informação de Saúde Suplementar (TISS). Cabe à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelecê-la e atualizá-la [1][4].
Na prática, “tabela TUSS” é um nome no singular para um conjunto de tabelas numeradas. A tabela 87 lista todas elas, e a plataforma da ANS mostra 65 tabelas de domínio [1][3]. Várias preenchem campos das guias; só algumas codificam o que é cobrado.
Cada termo traz código, termo, descrição, data de início de vigência, data de fim de vigência e data limite para implantação [1]. Não há campo de preço.
O código TUSS é a base da etapa de codificação no faturamento hospitalar, e as regras de troca de dados estão no guia Padrão TISS.
As cinco tabelas que o faturamento hospitalar usa
As tabelas 18, 19, 20 e 22 codificam o que vai na conta; a 38 codifica as respostas da operadora. O Componente Organizacional define, para cada uma, a origem dos termos e em quais guias os códigos podem aparecer [1]:
| Tabela | O que codifica | Origem dos termos | Onde o código pode aparecer | Onde não usar |
|---|---|---|---|---|
| 18 — Diárias, taxas e gases medicinais | Diárias (inclusive globais e semiglobais), taxas e gases medicinais | Discussões do Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS) | Anexo de outras despesas (SP/SADT e resumo de internação), anexos de quimioterapia e radioterapia, tratamento odontológico | Guia de consulta e guia de honorários |
| 19 — Materiais e OPME | Materiais de uso corrente e órteses, próteses e materiais especiais (OPME) | Base de produtos para a saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) | Anexo de OPME, anexo de outras despesas (SP/SADT e resumo de internação), anexo de OPME odontológico | Guia de consulta e guia de honorários |
| 20 — Medicamentos | Medicamentos | Dados da Anvisa, atualizados com a base da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) | Anexo de outras despesas e anexo de quimioterapia (SP/SADT), anexo de outras despesas (resumo de internação), tratamento odontológico | Guia de consulta e guia de honorários |
| 22 — Procedimentos e eventos em saúde | Consultas, exames, terapias, cirurgias e demais procedimentos | Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) e CBHPO (odontologia); códigos de outros profissionais criados pela ANS | Todas as guias, exceto o anexo de OPME | Na guia de consulta, só códigos de consulta eletiva |
| 38 — Mensagens | Glosas, negativas e outras mensagens | Discussões do COPISS | Respostas de autorização, demonstrativos de análise de conta e retorno de dados à ANS | Não é usada para cobrar |
Três regras fazem diferença no dia a dia. Todo procedimento do Rol de cobertura obrigatória consta da tabela 22 [1]. A tabela 19 tem três níveis: nome técnico, registro na Anvisa e modelo ou referência, este último só para dispositivos implantáveis; os termos de nome técnico aparecem com a indicação “Não se aplica” nos campos de fabricante e referência [1]. Nas tabelas 19 e 20, as inclusões seguem a base da Anvisa [1].
Um exemplo de cada tabela, como aparece na consulta oficial [3]:
- Tabela 22: 10101012 — Consulta em consultório (no horário normal ou preestabelecido).
- Tabela 18: 60036494 — Diária global semi-UTI neonatal.
- Tabela 38: 3209 — Cobrança de procedimento/item assistencial em duplicidade (vigente desde 01/12/2025).
O significado de cada mensagem de glosa está no guia Códigos de glosa TISS.
Como consultar a tabela TUSS oficial?
A consulta oficial é feita no site da ANS, em acesso público. Desde julho de 2026, a ANS oferece uma plataforma de consulta on-line baseada no Open Concept Lab (OCL), uma ferramenta de código aberto para terminologias em saúde [2]. Há três caminhos:
- Busca on-line. Na página “Códigos da TUSS”, no site da ANS, o link leva à plataforma. Escolha a tabela (por exemplo, a 22) e busque pelo nome ou pelo código. O resultado mostra o termo e as três datas.
- Download. As tabelas estão disponíveis em Excel, CSV e JSON [2]. Também seguem no pacote da versão do padrão TISS, no arquivo “PadrãoTISS_Representação de Conceitos em Saúde_AAAAMM.ZIP”, em que AAAAMM é o mês de início de vigência [1].
- API. A plataforma oferece uma interface de programação para que sistemas de gestão e de faturamento busquem automaticamente as versões mais recentes [2].
O que mudou em cada versão fica no arquivo “Padrão TISS_Histórico da TUSS_AAAAMM.ZIP”, com tabela, código, datas e tipo de ação (incluído, alterado ou inativado) de cada termo [1]. Buscadores de terceiros ajudam, mas podem estar defasados: o cadastro deve ser conferido na fonte da ANS.
Ver os passos em texto
- Identifique o item: procedimento, material, OPME, medicamento, diária ou taxa.
- Escolha a tabela: 22 para procedimentos, 18 para diárias, taxas e gases, 19 para materiais e OPME, 20 para medicamentos.
- Confira as datas: o código precisa estar vigente e dentro do prazo de implantação.
- Aplique o preço do contrato: a TUSS não traz valor; cada operadora tem o seu.
- Lance na guia certa: códigos das tabelas 18, 19 e 20 nunca vão na guia de consulta nem na de honorários.
- Leia a resposta: glosas e negativas vêm codificadas na tabela 38.
As três datas de cada código e o que fazer com elas
As datas de cada termo dizem se o código pode ser usado e a partir de quando passa a ser obrigatório. As regras de preenchimento constam do Componente Organizacional [1]:
| Situação do termo | Início de vigência | Fim de vigência | Fim de implantação | O que fazer no faturamento |
|---|---|---|---|---|
| Incluído | 1º dia do mês seguinte à publicação da versão | Em branco | No mínimo 3 meses após o início de vigência | Cadastrar o código e a regra de preço do contrato antes do fim de implantação |
| Alterado | 1º dia do mês seguinte à publicação | Em branco no registro novo; o registro antigo é inativado no dia anterior | Mantém a data original | Atualizar a descrição no cadastro de itens |
| Inativado | Mantido | No mínimo 3 meses após a publicação da versão (para termos do Componente de Comunicação, a data de início desse componente) | Não preenchida (a data original fica no histórico) | Trocar o código no cadastro e nas tabelas de preço antes do fim de vigência |
O volume de mudança é grande. Só a versão de setembro de 2026 incluiu 21.234 termos na tabela 19 e 781 na tabela 20, além de incluir 2, alterar 8 e inativar 2 termos na tabela 22 [1]. Na plataforma da ANS, a tabela 20 tinha 43.376 registros e a 18, 3.595, em outubro de 2026 [3].
Em outubro de 2026, a versão vigente da TUSS era a 202609 [4].
O código TUSS define o preço?
Não. O código TUSS identifica o item; quem define quanto ele vale é o contrato entre o hospital e a operadora. A terminologia não tem campo de valor [1]. A Lei 9.656/1998, art. 17-A, exige contrato escrito com os valores dos serviços, os critérios e a periodicidade do reajuste e os prazos de faturamento e pagamento [5].
Por isso o mesmo código pode ter preços diferentes em cada operadora. Para materiais e medicamentos, os contratos costumam usar como referência publicações de preço do mercado, como Brasíndice e Simpro, com percentuais negociados. Para procedimentos, é comum a referência à CBHPM ou a uma tabela própria do contrato. O detalhe está nos guias Brasíndice e Simpro e CBHPM.
O hospital precisa manter sincronizados o cadastro de itens, com o código TUSS vigente, e a tabela de preços de cada contrato. Quando a ANS inclui ou inativa um termo, os dois mudam juntos; senão, a conta sai com código certo e preço errado, e volta como glosa.
Quando o item não tem código TUSS: tabela própria e limites
Se não existe termo na TUSS para o item, a operadora pode criar um código em tabela própria [1]. As tabelas próprias previstas são a 00 (tabela própria geral), a 90 (pacotes odontológicos) e a 98 (pacotes) [1]. A ANS recomenda que o código próprio comece com os dois dígitos da tabela de domínio correspondente, por exemplo 19 para um material, e limita o código a 10 caracteres [1].
O Componente Organizacional também traz limites para a operadora [1]:
- logo após criar um código próprio, ela precisa pedir a inclusão do termo na TUSS, exceto no caso de pacotes;
- vencido o prazo de implantação de um termo TUSS, ela não pode manter nem usar código próprio para o mesmo item;
- negar atendimento, fornecimento ou reembolso por falta de código TUSS ou de tabela própria é infração sujeita a penalidade;
- exigir que o beneficiário informe o código TUSS também é infração [1][2].
Para o hospital, a tabela própria da operadora deve ser exceção e temporária. Exigência de código próprio para item já implantado na TUSS pode ser registrada e levada à negociação do contrato.
Quais erros de codificação mais viram glosa?
Erros de código costumam aparecer como glosa administrativa ou como rejeição do lote. Os mais frequentes, e como evitá-los:
| Erro | Como aparece | Como prevenir |
|---|---|---|
| Código inativado ou fora de vigência na data do atendimento | Crítica no envio do XML ou glosa do item | Conferir o histórico da TUSS a cada versão e atualizar o cadastro |
| Código de tabela errada para o tipo de item (ex.: taxa cobrada como procedimento) | Glosa por código incompatível | Mapear cada item do cadastro para a tabela certa (18, 19, 20 ou 22) |
| Código em guia que não o aceita (ex.: medicamento na guia de honorários) | Rejeição do item ou da guia | Regra no sistema que bloqueia tabela 18, 19 e 20 nas guias de consulta e de honorários |
| Material ou OPME no nível errado da tabela 19 | Glosa por divergência com a autorização ou com a nota fiscal | Para implantáveis, usar o código do modelo autorizado, ligado ao registro na Anvisa |
| Código certo com preço desatualizado | Glosa parcial por valor acima do contrato | Atualizar a tabela de preços de cada operadora junto com o cadastro |
A conferência desses pontos antes do envio faz parte da auditoria de contas médicas. Os erros de arquivo estão no guia Erros de XML TISS, e a visão completa das causas, no guia Glosa hospitalar.
O que vemos na operação
Na Accrua, o código TUSS é conferido em cada item de cada conta de convênio antes do envio. O Accrua OS trabalha sobre o cadastro de itens do HIS/ERP que o hospital já usa e cruza o código lançado com a vigência na tabela da ANS, com a guia em que ele precisa estar e com o contrato daquela operadora, que define o preço.
Os erros que procuramos são os que o guia descreve: código com fim de vigência, código de uma tabela usado em outra, item na guia errada, código próprio da operadora no lugar de um termo já codificado. Quando lemos o histórico de glosa de um hospital, ligamos cada uma dessas glosas ao item do cadastro que a originou.
Corrigir o cadastro é ajuste na origem: resolve a conta seguinte, não só a atual. Alterar um item que muda o valor da conta passa por uma pessoa, que recebe o item, a vigência e a regra da operadora juntos. Cada ajuste fica em trilha auditável.
Por onde começar
- Confira a versão da TUSS usada pelo sistema do hospital e compare com a versão vigente publicada pela ANS.
- Baixe o histórico da TUSS de cada nova versão e filtre as tabelas 18, 19, 20 e 22 pelos itens que o hospital usa.
- Mapeie cada item do cadastro para a tabela correta e marque os que usam código próprio de operadora.
- Sincronize preço e código: a cada inclusão ou inativação, atualize a tabela de preços de cada contrato.
- Crie regras no sistema que impeçam códigos fora de vigência e tabelas incompatíveis com a guia.