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Guias · Faturamento

Tabela TUSS: o que é, como consultar e usar os códigos

Procedimentos, materiais, OPME, medicamentos e diárias: a tabela certa para cada item. Veja onde consultar a tabela TUSS oficial, como ler as datas de cada código e por que o código não define o preço.

Por Publicado em 10 min de leitura

O que é a tabela TUSS?

A tabela TUSS é a terminologia oficial que dá um código numérico único a cada procedimento, material, medicamento, diária, taxa e mensagem trocados entre prestadores e operadoras de planos de saúde. Ela forma o Componente de Representação de Conceitos em Saúde do padrão de Troca de Informação de Saúde Suplementar (TISS). Cabe à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelecê-la e atualizá-la [1][4].

Na prática, “tabela TUSS” é um nome no singular para um conjunto de tabelas numeradas. A tabela 87 lista todas elas, e a plataforma da ANS mostra 65 tabelas de domínio [1][3]. Várias preenchem campos das guias; só algumas codificam o que é cobrado.

Cada termo traz código, termo, descrição, data de início de vigência, data de fim de vigência e data limite para implantação [1]. Não há campo de preço.

O código TUSS é a base da etapa de codificação no faturamento hospitalar, e as regras de troca de dados estão no guia Padrão TISS.

As cinco tabelas que o faturamento hospitalar usa

As tabelas 18, 19, 20 e 22 codificam o que vai na conta; a 38 codifica as respostas da operadora. O Componente Organizacional define, para cada uma, a origem dos termos e em quais guias os códigos podem aparecer [1]:

TabelaO que codificaOrigem dos termosOnde o código pode aparecerOnde não usar
18 — Diárias, taxas e gases medicinaisDiárias (inclusive globais e semiglobais), taxas e gases medicinaisDiscussões do Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS)Anexo de outras despesas (SP/SADT e resumo de internação), anexos de quimioterapia e radioterapia, tratamento odontológicoGuia de consulta e guia de honorários
19 — Materiais e OPMEMateriais de uso corrente e órteses, próteses e materiais especiais (OPME)Base de produtos para a saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)Anexo de OPME, anexo de outras despesas (SP/SADT e resumo de internação), anexo de OPME odontológicoGuia de consulta e guia de honorários
20 — MedicamentosMedicamentosDados da Anvisa, atualizados com a base da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED)Anexo de outras despesas e anexo de quimioterapia (SP/SADT), anexo de outras despesas (resumo de internação), tratamento odontológicoGuia de consulta e guia de honorários
22 — Procedimentos e eventos em saúdeConsultas, exames, terapias, cirurgias e demais procedimentosClassificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) e CBHPO (odontologia); códigos de outros profissionais criados pela ANSTodas as guias, exceto o anexo de OPMENa guia de consulta, só códigos de consulta eletiva
38 — MensagensGlosas, negativas e outras mensagensDiscussões do COPISSRespostas de autorização, demonstrativos de análise de conta e retorno de dados à ANSNão é usada para cobrar

Três regras fazem diferença no dia a dia. Todo procedimento do Rol de cobertura obrigatória consta da tabela 22 [1]. A tabela 19 tem três níveis: nome técnico, registro na Anvisa e modelo ou referência, este último só para dispositivos implantáveis; os termos de nome técnico aparecem com a indicação “Não se aplica” nos campos de fabricante e referência [1]. Nas tabelas 19 e 20, as inclusões seguem a base da Anvisa [1].

Um exemplo de cada tabela, como aparece na consulta oficial [3]:

  • Tabela 22: 10101012 — Consulta em consultório (no horário normal ou preestabelecido).
  • Tabela 18: 60036494 — Diária global semi-UTI neonatal.
  • Tabela 38: 3209 — Cobrança de procedimento/item assistencial em duplicidade (vigente desde 01/12/2025).

O significado de cada mensagem de glosa está no guia Códigos de glosa TISS.

Como consultar a tabela TUSS oficial?

A consulta oficial é feita no site da ANS, em acesso público. Desde julho de 2026, a ANS oferece uma plataforma de consulta on-line baseada no Open Concept Lab (OCL), uma ferramenta de código aberto para terminologias em saúde [2]. Há três caminhos:

  1. Busca on-line. Na página “Códigos da TUSS”, no site da ANS, o link leva à plataforma. Escolha a tabela (por exemplo, a 22) e busque pelo nome ou pelo código. O resultado mostra o termo e as três datas.
  2. Download. As tabelas estão disponíveis em Excel, CSV e JSON [2]. Também seguem no pacote da versão do padrão TISS, no arquivo “PadrãoTISS_Representação de Conceitos em Saúde_AAAAMM.ZIP”, em que AAAAMM é o mês de início de vigência [1].
  3. API. A plataforma oferece uma interface de programação para que sistemas de gestão e de faturamento busquem automaticamente as versões mais recentes [2].

O que mudou em cada versão fica no arquivo “Padrão TISS_Histórico da TUSS_AAAAMM.ZIP”, com tabela, código, datas e tipo de ação (incluído, alterado ou inativado) de cada termo [1]. Buscadores de terceiros ajudam, mas podem estar defasados: o cadastro deve ser conferido na fonte da ANS.

Do item da conta ao código TUSS certo: seis passos antes do envio O código vem da TUSS; o preço vem do contrato com a operadora. 1. Identifique o item: Procedimento, material, OPME, medicamento, diária ou taxa. 2. Escolha a tabela: 22 procedimentos · 18 diárias 19 materiais e OPME 20 medicamentos. 3. Confira as datas: Código vigente e dentro do prazo de implantação. 4. Aplique o preço do contrato: A TUSS não traz valor: cada operadora tem o seu. 5. Lance na guia certa: Tabelas 18, 19 e 20 nunca na guia de consulta ou honorários. 6. Leia a resposta: Glosas e negativas vêm codificadas na tabela 38. Fonte: ANS, Padrão TISS — Componente Organizacional 202609 (setembro de 2026), itens 70 a 118. Do item da conta ao código TUSS certo: seis passos antes do envio O código vem da TUSS; o preço vem do contrato com a operadora. 1. Identifique o item Procedimento, material, OPME, medicamento, diária ou taxa 2. Escolha a tabela 22 procedimentos · 18 diárias 19 materiais e OPME 20 medicamentos 3. Confira as datas Código vigente e dentro do prazo de implantação 4. Aplique o preço do contrato A TUSS não traz valor: cada operadora tem o seu 5. Lance na guia certa Tabelas 18, 19 e 20 nunca na guia de consulta ou honorários 6. Leia a resposta Glosas e negativas vêm codificadas na tabela 38 Fonte: ANS, Padrão TISS — Componente Organizacional 202609 (setembro de 2026), itens 70 a 118.
Fonte: ANS, Padrão TISS — Componente Organizacional 202609 (setembro de 2026) · seis passos para codificar um item da conta com a TUSS. Produzido por Accrua.
Ver os passos em texto
  1. Identifique o item: procedimento, material, OPME, medicamento, diária ou taxa.
  2. Escolha a tabela: 22 para procedimentos, 18 para diárias, taxas e gases, 19 para materiais e OPME, 20 para medicamentos.
  3. Confira as datas: o código precisa estar vigente e dentro do prazo de implantação.
  4. Aplique o preço do contrato: a TUSS não traz valor; cada operadora tem o seu.
  5. Lance na guia certa: códigos das tabelas 18, 19 e 20 nunca vão na guia de consulta nem na de honorários.
  6. Leia a resposta: glosas e negativas vêm codificadas na tabela 38.

As três datas de cada código e o que fazer com elas

As datas de cada termo dizem se o código pode ser usado e a partir de quando passa a ser obrigatório. As regras de preenchimento constam do Componente Organizacional [1]:

Situação do termoInício de vigênciaFim de vigênciaFim de implantaçãoO que fazer no faturamento
Incluído1º dia do mês seguinte à publicação da versãoEm brancoNo mínimo 3 meses após o início de vigênciaCadastrar o código e a regra de preço do contrato antes do fim de implantação
Alterado1º dia do mês seguinte à publicaçãoEm branco no registro novo; o registro antigo é inativado no dia anteriorMantém a data originalAtualizar a descrição no cadastro de itens
InativadoMantidoNo mínimo 3 meses após a publicação da versão (para termos do Componente de Comunicação, a data de início desse componente)Não preenchida (a data original fica no histórico)Trocar o código no cadastro e nas tabelas de preço antes do fim de vigência

O volume de mudança é grande. Só a versão de setembro de 2026 incluiu 21.234 termos na tabela 19 e 781 na tabela 20, além de incluir 2, alterar 8 e inativar 2 termos na tabela 22 [1]. Na plataforma da ANS, a tabela 20 tinha 43.376 registros e a 18, 3.595, em outubro de 2026 [3].

Em outubro de 2026, a versão vigente da TUSS era a 202609 [4].

O código TUSS define o preço?

Não. O código TUSS identifica o item; quem define quanto ele vale é o contrato entre o hospital e a operadora. A terminologia não tem campo de valor [1]. A Lei 9.656/1998, art. 17-A, exige contrato escrito com os valores dos serviços, os critérios e a periodicidade do reajuste e os prazos de faturamento e pagamento [5].

Por isso o mesmo código pode ter preços diferentes em cada operadora. Para materiais e medicamentos, os contratos costumam usar como referência publicações de preço do mercado, como Brasíndice e Simpro, com percentuais negociados. Para procedimentos, é comum a referência à CBHPM ou a uma tabela própria do contrato. O detalhe está nos guias Brasíndice e Simpro e CBHPM.

O hospital precisa manter sincronizados o cadastro de itens, com o código TUSS vigente, e a tabela de preços de cada contrato. Quando a ANS inclui ou inativa um termo, os dois mudam juntos; senão, a conta sai com código certo e preço errado, e volta como glosa.

Quando o item não tem código TUSS: tabela própria e limites

Se não existe termo na TUSS para o item, a operadora pode criar um código em tabela própria [1]. As tabelas próprias previstas são a 00 (tabela própria geral), a 90 (pacotes odontológicos) e a 98 (pacotes) [1]. A ANS recomenda que o código próprio comece com os dois dígitos da tabela de domínio correspondente, por exemplo 19 para um material, e limita o código a 10 caracteres [1].

O Componente Organizacional também traz limites para a operadora [1]:

  • logo após criar um código próprio, ela precisa pedir a inclusão do termo na TUSS, exceto no caso de pacotes;
  • vencido o prazo de implantação de um termo TUSS, ela não pode manter nem usar código próprio para o mesmo item;
  • negar atendimento, fornecimento ou reembolso por falta de código TUSS ou de tabela própria é infração sujeita a penalidade;
  • exigir que o beneficiário informe o código TUSS também é infração [1][2].

Para o hospital, a tabela própria da operadora deve ser exceção e temporária. Exigência de código próprio para item já implantado na TUSS pode ser registrada e levada à negociação do contrato.

Quais erros de codificação mais viram glosa?

Erros de código costumam aparecer como glosa administrativa ou como rejeição do lote. Os mais frequentes, e como evitá-los:

ErroComo apareceComo prevenir
Código inativado ou fora de vigência na data do atendimentoCrítica no envio do XML ou glosa do itemConferir o histórico da TUSS a cada versão e atualizar o cadastro
Código de tabela errada para o tipo de item (ex.: taxa cobrada como procedimento)Glosa por código incompatívelMapear cada item do cadastro para a tabela certa (18, 19, 20 ou 22)
Código em guia que não o aceita (ex.: medicamento na guia de honorários)Rejeição do item ou da guiaRegra no sistema que bloqueia tabela 18, 19 e 20 nas guias de consulta e de honorários
Material ou OPME no nível errado da tabela 19Glosa por divergência com a autorização ou com a nota fiscalPara implantáveis, usar o código do modelo autorizado, ligado ao registro na Anvisa
Código certo com preço desatualizadoGlosa parcial por valor acima do contratoAtualizar a tabela de preços de cada operadora junto com o cadastro

A conferência desses pontos antes do envio faz parte da auditoria de contas médicas. Os erros de arquivo estão no guia Erros de XML TISS, e a visão completa das causas, no guia Glosa hospitalar.

O que vemos na operação

Na Accrua, o código TUSS é conferido em cada item de cada conta de convênio antes do envio. O Accrua OS trabalha sobre o cadastro de itens do HIS/ERP que o hospital já usa e cruza o código lançado com a vigência na tabela da ANS, com a guia em que ele precisa estar e com o contrato daquela operadora, que define o preço.

Os erros que procuramos são os que o guia descreve: código com fim de vigência, código de uma tabela usado em outra, item na guia errada, código próprio da operadora no lugar de um termo já codificado. Quando lemos o histórico de glosa de um hospital, ligamos cada uma dessas glosas ao item do cadastro que a originou.

Corrigir o cadastro é ajuste na origem: resolve a conta seguinte, não só a atual. Alterar um item que muda o valor da conta passa por uma pessoa, que recebe o item, a vigência e a regra da operadora juntos. Cada ajuste fica em trilha auditável.

Por onde começar

  1. Confira a versão da TUSS usada pelo sistema do hospital e compare com a versão vigente publicada pela ANS.
  2. Baixe o histórico da TUSS de cada nova versão e filtre as tabelas 18, 19, 20 e 22 pelos itens que o hospital usa.
  3. Mapeie cada item do cadastro para a tabela correta e marque os que usam código próprio de operadora.
  4. Sincronize preço e código: a cada inclusão ou inativação, atualize a tabela de preços de cada contrato.
  5. Crie regras no sistema que impeçam códigos fora de vigência e tabelas incompatíveis com a guia.

Perguntas frequentes sobre a tabela TUSS

O que é a tabela TUSS?

É a Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, o conjunto de tabelas da ANS que dá um código único a procedimentos, materiais, medicamentos, diárias, taxas e mensagens. É um dos componentes do padrão TISS.

Onde consultar a tabela TUSS atualizada?

No site da ANS, na página “Códigos da TUSS”, que leva à plataforma de consulta on-line, com download em Excel, CSV e JSON e acesso por API.

Qual tabela TUSS usar para cada item?

Tabela 22 para procedimentos e eventos em saúde, 18 para diárias, taxas e gases medicinais, 19 para materiais e OPME e 20 para medicamentos. A tabela 38 traz as mensagens que a operadora usa para informar glosas e negativas.

O código TUSS define o preço do procedimento?

Não. A TUSS só identifica o item; o valor vem do contrato entre o hospital e a operadora.

O que fazer quando o item não tem código TUSS?

A operadora pode criar um código em tabela própria (00, 90 ou 98) e deve pedir a inclusão do termo na TUSS. Vencido o prazo de implantação do termo TUSS, o código próprio não pode mais ser usado.

O paciente precisa informar o código TUSS?

Não. A ANS informa que exigir do beneficiário o código TUSS para consultas, exames, procedimentos ou internações é infração.

Fontes