Dados do setor hospitalar e da saúde suplementar no Brasil
Esta página reúne os principais indicadores do setor hospitalar e da saúde suplementar no Brasil: glosas, prazo de recebimento, beneficiários, resultado das operadoras, custos e reajustes. Cada número traz o período de referência e a fonte primária. Quando fontes diferentes medem o mesmo tema com recortes diferentes, as duas aparecem lado a lado, com a diferença explicada.
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Números-chave
Glosas hospitalares
Os hospitais associados à Anahp tiveram glosa inicial de 15,93% dos valores a receber das operadoras em 2025, praticamente igual aos 15,89% de 2024. A glosa aceita, perda definitiva, foi de 1,72% da receita bruta de convênios. A diferença é receita que fica meses em disputa antes de ser recebida.
| Ano | Glosa inicial (indicador gerencial) | Glosa aceita contábil (% da receita bruta de convênios) | Fonte |
|---|---|---|---|
| 2022 | não medida | 0,78% (base antiga: receita líquida total) | Balanço Observatório Anahp, 9ª ed. |
| 2023 | 11,89% | 1,17% | Observatório Anahp 2025 |
| 2024 | 15,89% | 1,96% | Observatório Anahp 2025 |
| 2025 | 15,93% | 1,72% | Balanço Observatório Anahp, 9ª ed. (mar/2026) |
Série trimestral (1º trimestre de cada ano), glosa aceita: 0,92% (2023) · 1,87% (2024) · 1,66% (2025) · 1,61% (2026). Fonte: Balanço Observatório Anahp, jun/2026.
Além da glosa: em pesquisa da Anahp com 85 hospitais, feita entre janeiro e fevereiro de 2025, a provisão para devedores duvidosos (PDD) somou R$ 1,8 bilhão em 2024 (R$ 1,4 bilhão em 2023), e as glosas retidas, R$ 5,8 bilhões em 2024 (Anahp, notícia de 25/03/2025).
Nota metodológica. Glosa inicial gerencial é o valor glosado pelas operadoras ainda em negociação; a Anahp mede esse indicador desde 2023. Glosa aceita contábil é o valor que o hospital aceita como perda ao fim da auditoria e da negociação. Desde 2023, a glosa aceita é calculada sobre a receita bruta de convênios (antes era sobre a receita líquida total), por isso o valor de 2022 não é comparável. A amostra é dos hospitais associados à Anahp, em geral de grande porte e alta complexidade: 169 associados em dez/2024 (119 informaram dados), 194 em dez/2025 e 199 em 2026. A própria Anahp alerta que o crescimento da base afeta a comparação entre anos. Mudança de método em 2026: a Anahp passou a calcular a glosa inicial sobre os valores recebidos das operadoras no mês, e não mais sobre os valores a receber. Por isso a série de 2026 (11,69% no 2º trimestre, Balanço Observatório Anahp, 11ª ed.) não se compara com a de 2023 a 2025.
O que isso significa para o hospital. A perda definitiva parece pequena, mas a glosa inicial alta tem dois custos: a equipe que trabalha cada recurso e o dinheiro parado durante a disputa. Num hospital com R$ 100 milhões de receita anual de convênios, cada ponto de glosa inicial representa R$ 1 milhão em contestação.
Prazo médio de recebimento
Os hospitais da Anahp levaram em média 77,35 dias para receber das operadoras em 2025, contra 69,91 dias em 2024. No 1º trimestre de 2026, o prazo ficou em 73,84 dias. Enquanto isso, os hospitais pagam seus fornecedores em cerca de 48 dias, o que significa financiar quase um mês de operação com capital próprio.
| Ano | Prazo médio de recebimento | Prazo médio de pagamento a fornecedores | Fonte |
|---|---|---|---|
| 2021 | 68,56 dias | 43,27 dias | Observatório Anahp 2025 |
| 2022 | 73,51 dias | 45,25 dias | Observatório Anahp 2025 |
| 2023 | 76,38 dias | 49,40 dias | Observatório Anahp 2025 |
| 2024 | 69,91 dias | 50,70 dias | Observatório Anahp 2025 |
| 2025 | 77,35 dias | 48,30 dias | Balanço Observatório Anahp, 9ª ed. (mar/2026) |
Série trimestral (1º trimestre de cada ano), prazo de recebimento: 75,80 dias (2023) · 72,32 (2024) · 74,31 (2025) · 73,84 (2026). Fonte: Balanço Observatório Anahp, jun/2026.
Nota metodológica. A Anahp mede o prazo médio de recebimento contábil: dias entre a emissão da nota fiscal e o recebimento. A própria entidade ressalta que o indicador não capta o tempo antes da emissão da nota (janelas de envio de faturamento impostas pelas operadoras). Valores anuais e do 1º trimestre são séries diferentes e não devem ser misturadas. Atenção a um erro comum: o valor de 68,56 dias, citado em várias publicações como prazo de 2024, é o de 2021; o de 2024 é 69,91 dias. Em 2026, a Anahp mudou o denominador do prazo de pagamento a fornecedores (de receita bruta total para despesas totais).
O que isso significa para o hospital. Cada 10 dias a menos no prazo de recebimento libera cerca de um terço da receita mensal de convênios em caixa. Num hospital que fatura R$ 10 milhões por mês aos planos, são aproximadamente R$ 3,3 milhões a menos de capital de giro necessário.
Saúde financeira dos hospitais
Mesmo com mais eficiência operacional, a margem dos hospitais da Anahp segue caindo: a margem EBITDA foi de 11,05% em 2025 e de 9,45% no 1º trimestre de 2026, e a despesa total consome cerca de 93% da receita líquida.
| Indicador | 2024 | 2025 | 1º tri 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Margem EBITDA | 11,68% | 11,05% | 9,45% | Balanços Observatório Anahp |
| Despesa total / receita líquida | 93% | 93% | 95,09% | Balanços Observatório Anahp |
| Taxa de ocupação operacional | 78,97% | 77,79% | 76,85% | Balanços Observatório Anahp |
| Média de permanência | 3,99 dias | 3,76 dias | 3,72 dias | Balanços Observatório Anahp |
| Participação dos convênios na receita bruta | 78,80% | 76,47% | 80,21% | Balanços Observatório Anahp |
| Índice de recebimento (gerencial) | 88,61% | 85,80% | — | Observatório Anahp 2025 e 2026 |
| Inadimplência das operadoras (valores em aberto / faturamento médio) | 61,53% | — | — | Observatório Anahp 2025 |
Nota metodológica. Médias dos hospitais associados que informam dados ao Sistema de Indicadores Hospitalares Anahp. O índice de recebimento mede quanto do valor devido pelas operadoras foi efetivamente recebido; a inadimplência mede os valores em aberto sobre o faturamento médio. Em 2026 a Anahp mudou o conceito de paciente-dia, o que afeta a média de permanência do 1º trimestre de 2026. Valores do 1º trimestre não são comparáveis com médias anuais.
O que isso significa para o hospital. O hospital opera com margem estreita e recebe depois de pagar: com 93% a 95% da receita consumida por despesas, cada ponto de glosa ou cada semana a mais de prazo de recebimento sai diretamente do resultado.
Panorama do Ciclo de Receita 2026 (ZG Soluções)
O Panorama do Ciclo de Receita 2026, da ZG Soluções, analisou dados de instituições clientes da empresa e identificou R$ 6,14 bilhões em glosas. Nessa base, a glosa inicial média foi de 8,86%, a glosa final de 6,58% e o prazo médio de recebimento de 53 dias. A empresa classifica 67,9% do valor glosado como causado por falhas evitáveis.
Nota metodológica. Os números vêm da base de clientes da ZG, não de uma amostra representativa do mercado, e o relatório não detalha o denominador de cada percentual. Por isso não são comparáveis diretamente com a série da Anahp, que usa outra base e outra metodologia (glosa final da ZG de 6,58% contra glosa aceita da Anahp entre 1,6% e 2%).
Mercado de saúde suplementar
A saúde suplementar tinha 52,9 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares em março de 2026, perto do maior nível da série, e 667 operadoras médico-hospitalares. O mercado é concentrado: as 10 maiores operadoras têm 43% dos beneficiários e ficaram com cerca de 71% do resultado do setor em 2025.
| Indicador | Valor | Período | Fonte |
|---|---|---|---|
| Beneficiários em planos médico-hospitalares | 51,6 mi (2024) · 53,09 mi (2025) · 52,93 mi (mar/2026) | 2024–2026 | ANS, via Balanço Observatório Anahp |
| Operadoras médico-hospitalares | 669 (2024) · 666 (2025) · 667 (mar/2026) | 2024–2026 | ANS, via Balanço Observatório Anahp |
| Participação das 10 maiores operadoras nos beneficiários | 43% | 2025 | Balanço Observatório Anahp, 9ª ed. |
| Participação das 10 maiores no resultado líquido do setor | cerca de 71% | 2025 | Balanço Observatório Anahp, 9ª ed. |
| Pagamentos a prestadores por pacote | 3,8% (2019) · 12,0% (2024) · 13,1% (2025) das despesas assistenciais | 2019–2025 | ANS, via Balanço Observatório Anahp |
| Participação de internação + pronto-socorro nas despesas assistenciais | 54,0% (2013) · 50,8% (2024) | 2013–2024 | Mapa Assistencial ANS, via Balanço Observatório Anahp |
Nota metodológica. Os números de beneficiários e operadoras vêm dos dados abertos da ANS tratados pela consultoria Arquitetos da Saúde para o Balanço Observatório Anahp. Essa série exclui operadoras odontológicas e administradoras de benefícios e ajusta os beneficiários pela variação orgânica (desconsidera, por exemplo, a entrada de uma autogestão de grande porte na regulação da ANS em out/2024). Por isso pode diferir do número divulgado pela ANS, que superou 53 milhões.
O que isso significa para o hospital. Como os planos coletivos são contratados por empresas e entidades, o crescimento do mercado acompanha o emprego formal. A carteira do hospital tende a se concentrar em poucas operadoras grandes, o que aumenta o peso de cada contrato nas receitas.
Resultado das operadoras
As operadoras médico-hospitalares tiveram em 2025 o maior resultado líquido da série histórica: R$ 23,43 bilhões, ou 6,96% das receitas de contraprestação, com sinistralidade de 81,5%, abaixo do nível pré-pandemia. O resultado operacional foi de R$ 8,78 bilhões (2,61%); o restante veio principalmente do resultado financeiro. No 1º trimestre de 2026 o resultado foi de R$ 6,0 bilhões (7,0%), com sinistralidade de 80,8%.
| Indicador | 2023 | 2024 | 2025 | 1º tri 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Receita de contraprestações (R$ bi) | 272,81 | 304,61 | 336,66 | 86,07 |
| Despesas assistenciais / sinistros (R$ bi) | 236,56 | 253,37 | 272,13 | 63,68 |
| Sinistralidade | 86,8% | 83,4% | 81,5% | 80,8% |
| Resultado operacional (R$ bi) | (9,23) | 1,88 | 8,78 | 2,46 |
| Resultado líquido (R$ bi) | 1,93 | 10,29 | 23,43 | 6,02 |
| Resultado líquido / contraprestações | 0,71% | 3,38% | 6,96% | 7,00% |
| Operadoras com resultado líquido positivo | 76,3% | 73,3% | 79,2% | 80,4% |
| Despesas judiciais com eventos (R$ bi) | 3,87 | 4,02 | 4,59 | 1,21 |
Fonte de todas as linhas: dados abertos da ANS tratados pela Arquitetos da Saúde, Balanço Observatório Anahp (9ª ed., mar/2026, e jun/2026).
Nota metodológica. A série exclui operadoras odontológicas e administradoras de benefícios, e a sinistralidade segue o critério da ANS (inclui provisões técnicas). O percentual de operadoras positivas considera as que têm mais de 1.000 beneficiários. Por isso os números podem diferir dos divulgados pela própria ANS e pela imprensa (por exemplo, sinistralidade de 81,7% e lucro de R$ 24,4 bilhões em 2025, que usam outro recorte). Na página, sempre informar a fonte e o recorte ao lado do número. O resultado do 1º trimestre de 2026 foi afetado por uma provisão extraordinária de uma grande operadora; sem esse efeito, seria de cerca de R$ 7,6 bilhões.
O que isso significa para o hospital. As operadoras se recuperaram, mas o ganho não chegou aos hospitais na mesma medida: a margem EBITDA dos hospitais caiu e o prazo de recebimento subiu em 2025. O resultado operacional ainda modesto das operadoras significa auditoria mais rigorosa, mais glosa inicial e pressão sobre prazos de pagamento e reajustes. Quando a sinistralidade sobe, o hospital precisa de conta mais bem documentada para não perder receita na negociação.
Custos e reajustes
O teto de reajuste dos planos individuais e familiares definido pela ANS caiu de 6,06% (ciclo maio/2025 a abril/2026) para 5,11% (maio/2026 a abril/2027). Esse teto vale só para planos individuais; os planos coletivos negociam reajustes próprios, em geral mais altos e ligados à sinistralidade de cada contrato.
| Indicador | 2023 | 2024 | 2025 | 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|
| Teto de reajuste dos planos individuais/familiares | 9,6% | 6,9% | 6,1% | 5,1% (5,11%) | ANS, via Balanço Observatório Anahp |
| Reajuste médio dos planos coletivos empresariais | 18,4% | 17,9% | 15,6% | 14,1% (12 meses até fev/2026) | ANS, via Balanço Observatório Anahp |
| VCMH Brasil (Arquitetos da Saúde) | 11,66% | 6,67% | 5,02% (dados contábeis) | — | Balanço Observatório Anahp |
| IPCA | 4,62% | 4,83% | 4,26% | — | Balanço Observatório Anahp |
Nota metodológica. A VCMH mede a variação do custo médico-hospitalar por beneficiário, incluindo preço e frequência de uso, por isso não é um índice de inflação e costuma ficar acima do IPCA. Existem duas séries: a VCMH Brasil da Arquitetos da Saúde (publicada no Balanço Observatório Anahp, 6,67% em 2024, a menor da série fora a pandemia) e a VCMH/IESS, com metodologia própria e valores diferentes, que esta página não usa para não misturar as séries. O reajuste empresarial é a média aritmética por contrato, sem ponderação por beneficiários. O teto de 2026 é o menor da série, exceto 2021, quando foi negativo.
O que isso significa para o hospital. O reajuste das operadoras não chega automaticamente às tabelas do hospital. Pela Lei 13.003/2014, o contrato com a operadora precisa prever regra de reajuste anual, e esses dados são o ponto de partida da negociação.
Quando estes dados são atualizados
| Fonte | O que publica | Frequência | Próxima revisão desta página |
|---|---|---|---|
| Balanço Observatório Anahp | Glosa, prazo de recebimento e indicadores dos hospitais associados; dados das operadoras tratados da ANS | Trimestral | Após cada edição |
| Observatório Anahp | Relatório anual completo | Anual (abril/maio) | Após a publicação |
| ANS | Beneficiários, operadoras e dados econômico-financeiros | Mensal e trimestral | Trimestral |
| ANS | Teto de reajuste dos planos individuais | Anual (maio/junho) | Junho |
| ZG Soluções | Panorama do Ciclo de Receita | Anual | Após cada edição |
Próxima atualização. O Observatório Anahp 2026 (dados de 2025) e o Balanço Observatório Anahp, 11ª edição (2º trimestre de 2026), já foram publicados. Desta página já constam o índice de recebimento de 2025 (Observatório 2026) e a mudança de método da glosa inicial (Balanço 11ª ed.); a próxima revisão incorpora os demais números das duas edições, depois de conferidos no PDF original.
Metodologia
A Accrua reúne nesta página dados publicados por fontes oficiais e entidades do setor, sempre com link para o documento original e o período de referência. Os números não são alterados: quando duas fontes medem o mesmo tema de forma diferente, as duas aparecem com o recorte de cada uma explicado. As análises “O que isso significa para o hospital” são da equipe da Accrua.
Perguntas frequentes
Qual é o índice de glosa dos hospitais no Brasil?
Nos hospitais associados à Anahp, a glosa inicial ficou em 15,93% dos valores a receber das operadoras em 2025, e a glosa aceita, que é a perda definitiva após a negociação, em 1,72% da receita bruta de convênios. Os números representam hospitais de grande porte associados à entidade (194 em dez/2025), não todo o mercado.
Quanto tempo os hospitais levam para receber dos planos de saúde?
Os hospitais da Anahp levaram em média 77,35 dias entre a emissão da nota fiscal e o recebimento em 2025, contra 69,91 dias em 2024. No 1º trimestre de 2026, o prazo foi de 73,84 dias.
Quantas pessoas têm plano de saúde no Brasil?
Eram 52,9 milhões de beneficiários em planos de assistência médica em março de 2026, segundo dados da ANS tratados no Balanço Observatório Anahp. A ANS divulga um número um pouco acima de 53 milhões porque inclui uma autogestão de grande porte que passou a ser regulada em 2024.
O que é sinistralidade e qual o valor atual?
Sinistralidade é a parcela da receita das operadoras gasta com a assistência aos beneficiários. Nos planos médico-hospitalares, ficou em 81,5% em 2025, abaixo do nível pré-pandemia, e em 80,8% no 1º trimestre de 2026, segundo dados da ANS tratados no Balanço Observatório Anahp.
Qual foi o reajuste dos planos de saúde individuais em 2026?
A ANS fixou teto de 5,11% para o reajuste dos planos individuais e familiares no ciclo de maio de 2026 a abril de 2027. Planos coletivos não seguem esse teto.
Fontes
- Anahp — Observatório Anahp 2025 (relatório anual, dados de 2024)
- Anahp — Balanço Observatório Anahp, 9ª edição, março/2026 (dados de 2025)
- Anahp — Balanço Observatório Anahp, junho/2026 (1º tri 2026)
- ANS — Dados gerais do setor (base dos Balanços, tratada pela Arquitetos da Saúde)
- ANS — Nota técnica do reajuste dos planos individuais 2025
- ZG Soluções — Panorama do Ciclo de Receita 2026
- Anahp — “Hospitais apelam por mudanças na relação com as operadoras” (25/03/2025; pesquisa com 85 hospitais: PDD e glosas retidas)
- Anahp — Observatório Anahp 2026 (dados de 2025; Tabela 1: índice de recebimento)
- Anahp — Balanço Observatório Anahp, 11ª edição, setembro/2026 (2º trimestre de 2026; mudança de método da glosa inicial)