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Guias · Faturamento

Guias TISS: SP/SADT, internação, honorários e outras despesas

Quando usar cada guia e como preencher sem erro. Veja o que vai em cada uma das guias TISS, como elas se ligam pelo número certo e os erros que mais fazem a conta voltar.

Por Publicado em 10 min de leitura

Quais são as guias TISS e para que serve cada uma?

As guias TISS são os formulários do padrão de Troca de Informações na Saúde Suplementar (TISS) usados para solicitar autorização, cobrar atendimentos e comprovar a presença do beneficiário. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) define o uso de cada guia e a forma de vínculo entre elas no Componente Organizacional do padrão [1]. A estrutura de campos de cada uma está no Componente de Conteúdo e Estrutura, na versão 202511 vigente em setembro de 2026 [2].

O padrão é obrigatório pela Resolução Normativa (RN) 501/2022, e a troca eletrônica deve seguir a versão vigente [3]. A cobrança é de implantação eletrônica obrigatória: as guias seguem em lote, no arquivo XML [1]. As guias em papel fazem parte do Plano de Contingência, usado quando a troca eletrônica é interrompida [1]. A visão geral do padrão está no guia Padrão TISS, e o lugar das guias no processo, no guia Faturamento hospitalar.

Guia ou anexoPara que serveVínculo [1]
Guia de consultaCobrar consultas eletivasNão se liga a outras guias
Guia de SP/SADTPedir autorização e cobrar consultas, exames, terapias e procedimentos fora da internação, ou em paciente internado quando feitos por serviço terceirizadoCampo 3 (guia principal): só solicitação de internação ou outra SP/SADT
Solicitação de internaçãoPedir autorização de internação hospitalar, hospital-dia ou domiciliarÉ a referência das demais guias da internação
Solicitação de prorrogação ou complementaçãoPedir mais dias de internação ou novos procedimentosCampo 3: número da solicitação de internação inicial
Resumo de internaçãoCobrar a internação (hospitalar, hospital-dia ou domiciliar)Campo 3: número da solicitação de internação
Guia de honoráriosCobrar honorários quando o profissional cobra diretoSó pode se ligar à solicitação de internação
Anexo de outras despesasCobrar gases, medicamentos, materiais, OPME, taxas, aluguéis e diáriasCampo 2: número da SP/SADT ou do resumo de internação
Anexos de OPME, quimioterapia e radioterapiaPedir autorização desses itens e tratamentosCampo 3: solicitação de internação ou SP/SADT
Guia de tratamento odontológico e anexo de situação inicialAutorizar, cobrar e comprovar tratamento odontológicoCampo 3: guia odontológica anterior ou principal
Guia de comprovante presencialComprovar, pela assinatura, a presença do beneficiárioCampo 14: guia principal da cobrança

Guia de SP/SADT: autorização e cobrança fora da internação

A guia de Serviços Profissionais e Serviço Auxiliar de Diagnóstico e Terapia (SP/SADT) é a guia do atendimento sem internação. Ela serve para pedir autorização e para cobrar consultas com procedimentos, exames, terapias e procedimentos em paciente não internado. Em paciente internado, só é usada quando o serviço é terceirizado [1].

Uma consulta com procedimento vai na SP/SADT, e não na guia de consulta, que se limita às consultas eletivas.

O campo 3, “número da guia principal”, só pode trazer o número de uma solicitação de internação ou de outra SP/SADT [1]. A primeira SP/SADT de um atendimento é a principal; guias seguintes do mesmo atendimento apontam para ela. As despesas do procedimento não entram no corpo da SP/SADT: vão no anexo de outras despesas, com o número da SP/SADT no campo 2 [1]. Pedidos de OPME, quimioterapia e radioterapia usam os anexos próprios, com o número da SP/SADT no campo 3 [1]. O passo a passo da autorização está no guia Autorização prévia.

Como funcionam a solicitação e o resumo de internação?

A internação usa duas guias: uma para pedir, outra para cobrar. A solicitação de internação pede a autorização de internação hospitalar, hospital-dia ou domiciliar [1]. O resumo de internação cobra essa internação [1].

A solicitação de internação é a referência de todo o evento. O resumo de internação traz o número dela no campo 3; a guia de honorários e a prorrogação também apontam para ela [1]. Os anexos de OPME, quimioterapia e radioterapia podem se ligar a ela [1].

Para o envio de dados à ANS, as guias de SP/SADT de paciente internado, de honorários e de resumo de internação se ligam pelo número da solicitação de internação. A operadora deve garantir que esse número seja o mesmo em todas as guias do evento [1].

Duas regras evitam retrabalho. A prorrogação ou complementação deve trazer o número da solicitação de internação inicial, mesmo que parte da internação já tenha sido cobrada no resumo [1]. E o tipo de faturamento da conta segue a tabela 55 da TUSS, que tem quatro termos: parcial, final, complementar e total [4]. Internações longas costumam ser cobradas em contas parciais; o tema está no guia Conta parcial.

Honorários: no resumo, na SP/SADT ou na guia de honorários

O lugar do honorário depende de quem cobra. O Componente Organizacional prevê três caminhos [1]:

SituaçãoOnde cobrarVínculo
Paciente internado, honorário faturado pelo hospitalNo próprio resumo de internaçãoCampo 3 do resumo: solicitação de internação
Paciente internado, profissional cobra direto da operadoraGuia de honoráriosCampo 3: solicitação de internação (é o único vínculo permitido)
Atendimento em SP/SADT, honorário faturado juntoQuadro de identificação dos profissionais da própria SP/SADT, com o grau de participação—
Atendimento em SP/SADT, profissional cobra diretoOutra guia de SP/SADTCampo 3: número da SP/SADT principal

Em todos os casos, cada profissional é identificado pelo grau de participação, da tabela 35 da TUSS. Ela tem códigos para cirurgião (00), primeiro a quarto auxiliar (01 a 04), instrumentador (05), anestesista (06), auxiliar de anestesista (07), consultor (08), perfusionista (09), pediatra na sala de parto (10), auxiliar SADT (11), clínico (12) e intensivista (13) [4].

O grau de participação define a remuneração de cada membro da equipe, conforme o contrato. Outros campos codificados também entram no cálculo do honorário: a via de acesso (tabela 61: única, mesma via ou diferentes vias), a técnica utilizada (tabela 48: convencional, vídeo ou robótica) e o caráter do atendimento (tabela 23: eletivo ou urgência/emergência) [7]. O cálculo de portes, auxiliares e acréscimos está no guia Honorários médicos na conta hospitalar.

O que vai no anexo de outras despesas?

O anexo de outras despesas detalha os itens consumidos no atendimento: gases medicinais, medicamentos, materiais, OPME, taxas, aluguéis e diárias [1]. Ele não tem número próprio e nunca segue sozinho. O campo 2, “número da guia referenciada”, traz o número da SP/SADT ou do resumo de internação a que pertence [1]. O que pode e o que não pode ser cobrado como diária ou taxa está no guia Diárias e taxas hospitalares.

Cada item é classificado pelo código de despesa, da tabela 25 da TUSS: gases medicinais (01), medicamentos (02), materiais (03), diárias (05), taxas e aluguéis (07) e OPME (08) [4]. O código do item vem da tabela 18 (diárias, taxas e gases), 19 (materiais e OPME) ou 20 (medicamentos) [1]. Códigos dessas três tabelas não podem ir na guia de consulta nem na de honorários [1]. O guia Tabela TUSS mostra como consultar cada uma.

O peso desse anexo é alto. Nos hospitais associados à Anahp, diárias e taxas responderam por 24,48% da receita bruta em 2024; medicamentos, por 21,34%; materiais, por 14,31%; e órteses, próteses e materiais especiais (OPME), por 7,61% [5]. Somados, são 67,74%. Para a OPME, as regras de autorização e nota fiscal estão no guia Faturamento de OPME.

Como as guias se ligam entre si

O vínculo entre as guias é feito pelo número que o prestador atribui a cada guia [1]. Um número errado no campo de guia principal ou de guia referenciada deixa itens soltos: o anexo não encontra a guia, o honorário não encontra a internação, e a operadora não fecha a conta.

Guias TISS: tudo na internação aponta para a solicitação Na internação, o resumo de internação (campo 3), a guia de honorários (campo 3, só pode se ligar à solicitação), a solicitação de prorrogação (campo 3, solicitação inicial) e a SP/SADT de serviço terceirizado (campo 3) apontam para a solicitação de internação, cujo número é único por internação. O anexo de outras despesas aponta para o resumo de internação (campo 2). Sem internação, a SP/SADT de honorários de profissional que cobra direto aponta para a SP/SADT principal (campo 3), e o anexo de outras despesas aponta para a SP/SADT (campo 2). O anexo de outras despesas não tem número próprio. Fonte: ANS, Padrão TISS — Componente Organizacional 202609 (setembro de 2026), item 62. Guias TISS: tudo na internação aponta para a solicitação Cada seta sai da guia que informa o número e chega à guia referenciada. INTERNAÇÃO SEM INTERNAÇÃO Resumo de internação campo 3: nº da solicitação Guia de honorários campo 3: só a solicitação Prorrogação campo 3: solicitação inicial SP/SADT terceirizada campo 3: nº da solicitação Solicitação de internação número único por internação Anexo de outras despesas campo 2: nº do resumo SP/SADT de honorários campo 3: nº da SP/SADT principal SP/SADT principal guia de referência do atendimento Anexo de outras despesas campo 2: nº da SP/SADT O anexo de outras despesas não tem número próprio e nunca segue sozinho. Fonte: ANS, Padrão TISS — Componente Organizacional 202609 (setembro de 2026), item 62 (62.1 a 62.40).
Fonte: ANS, Padrão TISS — Componente Organizacional 202609 (setembro de 2026), item 62 · como as guias TISS se ligam pelo número. Produzido por Accrua.
Ver os vínculos em tabela
Guia ou anexoCampoAponta para
Resumo de internação3Solicitação de internação
Guia de honorários3Solicitação de internação (único vínculo permitido)
Solicitação de prorrogação ou complementação3Solicitação de internação inicial
SP/SADT de serviço terceirizado em paciente internado3Solicitação de internação
Anexo de outras despesas (internação)2Resumo de internação
SP/SADT de honorários (profissional que cobra direto)3SP/SADT principal
Anexo de outras despesas (sem internação)2SP/SADT

Dentro de cada guia, cada procedimento ou item recebe um número sequencial de referência que não pode se repetir na mesma guia, inclusive no anexo de outras despesas [1]. O recebimento do lote é comprovado pelo número de protocolo, junto com os números de guia do prestador e os gerados pela operadora [1]. No retorno, o demonstrativo de análise de conta lista todas as guias do lote e, nas já analisadas, só os itens glosados [1].

Quais erros de preenchimento mais fazem a conta voltar?

Erros de guia costumam aparecer de dois jeitos: rejeição do lote ou da guia na validação, ou glosa administrativa depois da análise. Os mais ligados às regras do padrão, e como preveni-los:

ErroRegra do padrão [1]Como prevenir
Anexo de outras despesas sem guia referenciada, ou apontando para a guia erradaO anexo sempre se liga a uma SP/SADT ou a um resumo de internaçãoGerar o anexo a partir da guia no sistema, nunca digitado à parte
Guia de honorários ligada ao resumo ou à SP/SADTA guia de honorários só se liga à solicitação de internaçãoRegra no sistema que só aceita o número da solicitação no campo 3
Número da solicitação diferente entre guias da mesma internaçãoO número deve ser único por evento e igual em todas as guiasConferir o número antes de fechar o lote de cada internação
Prorrogação apontando para o resumoA prorrogação aponta para a solicitação inicialVincular toda prorrogação à solicitação original
Medicamento, material ou taxa na guia de honorários ou de consultaTabelas 18, 19 e 20 não cabem nessas guiasBloquear essas tabelas por tipo de guia no sistema
Procedimento com internação cobrado em SP/SADT pelo próprio hospitalSP/SADT de internado só para serviço terceirizadoRevisar o tipo de guia no fechamento da conta
Sequencial de item repetido na mesma guiaO sequencial não se repete na guiaValidar o XML antes do envio
Grau de participação ausente ou incoerente com a equipeO honorário exige o grau de participação de cada profissionalConferir a equipe com a descrição cirúrgica

Dados da autorização ausentes, código TUSS fora de vigência e item cobrado diferente do autorizado são conferidos na auditoria de contas médicas antes do envio. Os erros de arquivo estão no guia Erros de XML TISS, e a visão completa das causas, no guia Glosa hospitalar.

Vale lembrar uma vedação: por decisão judicial, a operadora não pode exigir o preenchimento da Classificação Internacional de Doenças (CID) nas guias TISS [1].

O que vemos na operação

Na Accrua, o Accrua OS lê a conta inteira antes do envio, e isso inclui o vínculo entre as guias. Conferimos se cada anexo aponta para a guia referenciada, se o honorário está ligado à guia certa, se o número de solicitação bate com o da autorização e se o grau de participação segue a tabela 35 da TUSS. A validação do XML roda de forma automática, sobre o HIS/ERP que o hospital já usa, sem redigitar nada.

No histórico do hospital, separamos as glosas e devoluções ligadas a vínculo das ligadas ao conteúdo, e o valor glosado no anexo de outras despesas do valor glosado nos procedimentos. Como materiais, medicamentos, OPME, diárias e taxas vão no anexo, é ali que conferimos cada item contra o contrato e a tabela vigente.

Também comparamos o fechamento das internações em que o hospital fatura o honorário com o das que têm profissionais cobrando direto. Quando o problema está no cadastro ou no fluxo, corrigimos na origem, para que a próxima conta já saia com as guias ligadas.

Por onde começar

  1. Mapeie o tipo de guia de cada atendimento do hospital (ambulatório, pronto atendimento, internação, hospital-dia) e confira contra o uso definido pela ANS.
  2. Parametrize os vínculos no sistema: campo 3 da guia de honorários e da prorrogação só com a solicitação de internação; campo 2 do anexo só com SP/SADT ou resumo.
  3. Defina, por contrato, quem cobra os honorários de cada equipe: o hospital, no resumo, ou o profissional, na guia de honorários.
  4. Bloqueie tabelas TUSS incompatíveis com cada tipo de guia e valide o XML antes do envio.
  5. Meça devoluções e glosas por tipo de guia e por operadora, todo mês, para achar onde o preenchimento falha.

Perguntas frequentes sobre guias TISS

Quais são as guias do padrão TISS?

Consulta, SP/SADT, solicitação de internação, prorrogação, resumo de internação, honorários, tratamento odontológico e comprovante presencial. Há ainda cinco anexos, entre eles o de outras despesas e o de OPME.

Qual a diferença entre guia de SP/SADT e guia de resumo de internação?

A SP/SADT cobre atendimentos sem internação, ou em paciente internado quando o serviço é terceirizado. O resumo de internação cobra a internação feita pelo hospital, em regime hospitalar, hospital-dia ou domiciliar.

Quando usar a guia de honorários?

Quando o médico ou outro profissional cobra os honorários diretamente da operadora, em paciente internado. A guia se liga só à solicitação de internação. Se o hospital fatura os honorários, eles vão no resumo de internação.

O anexo de outras despesas pode ser enviado sozinho?

Não. Ele não tem número próprio e sempre informa, no campo 2, o número da SP/SADT ou do resumo de internação a que pertence.

O que é o grau de participação na guia TISS?

É o código da tabela 35 da TUSS que identifica a função de cada profissional no procedimento, como cirurgião, auxiliar ou anestesista. Ele define como o honorário de cada membro da equipe é calculado.

A operadora pode exigir o CID nas guias TISS?

Não. O Componente Organizacional do padrão veda, em decorrência de decisão judicial, que a operadora exija o preenchimento do CID nas guias TISS.

Fontes

  1. ANS — Padrão TISS: Componente Organizacional, versão 202609 (setembro de 2026), itens 23 a 25, 28, 33, 55, 56, 62 (62.1 a 62.40), 63, 64, 78 a 98 e 136.
  2. ANS — Padrão TISS – Setembro/2026: identificação da versão vigente dos componentes (publicado em 30/09/2026, atualizado em 06/10/2026).
  3. ANS — Resolução Normativa nº 501, de 30 de março de 2022 (Padrão TISS), art. 7º.
  4. ANS — Terminologia TUSS, tabelas 25 (código da despesa), 35 (grau de participação) e 55 (tipo de faturamento), versão 202607 (planilha oficial da ANS “TUSS - Demais terminologias”), conferidas em 18/10/2026.
  5. Anahp — Observatório Anahp 2025 (dados de 2024), Tabela 3: receita bruta por natureza.
  6. Anahp — Balanço Observatório Anahp, 9ª edição, março de 2026 (dados de 2025).
  7. ANS — Terminologia TUSS, tabelas 61 (via de acesso), 48 (técnica utilizada) e 23 (caráter do atendimento), versão 202607 (planilha oficial da ANS “TUSS - Demais terminologias”), conferidas em 18/10/2026.