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Guias · Indicadores

Indicadores do ciclo de receita: 20 KPIs com fórmula e referência do setor

Sem indicador, a perda de receita só aparece quando falta caixa. Veja os 20 indicadores do ciclo de receita hospitalar, como calcular cada um, quem responde por ele e como os hospitais Anahp se saem.

Por Publicado em 15 min de leitura

O que são indicadores do ciclo de receita?

Indicadores do ciclo de receita são as medidas que mostram quanto o hospital recebe do que produz, quanto perde e em quanto tempo o dinheiro entra. Eles acompanham cada etapa do ciclo de receita hospitalar, da autorização à conciliação do pagamento, e permitem descobrir em qual etapa a receita está se perdendo ou parando.

O indicador final, que todo diretor financeiro olha, é o prazo médio de recebimento. Ele mostra que há um problema, mas não onde. Os indicadores de cada etapa é que apontam a causa: se o atraso está na autorização, no fechamento da conta, no envio, na glosa ou no pagamento da operadora.

Quatro regras para os indicadores levarem a ação

  1. Fórmula fixa e escrita. O mesmo indicador calculado de dois jeitos em dois meses não serve para comparar. A glosa, por exemplo, pode ser medida sobre o valor apresentado, sobre a receita bruta ou sobre os valores a receber; escolha um denominador e mantenha.
  2. Um responsável por indicador. Se a glosa por autorização não tem dono na central de autorizações, ninguém age sobre ela.
  3. Abertura por operadora e por motivo. A média do hospital esconde a operadora que glosa três vezes mais que as outras e o motivo que responde por metade da glosa. Para comparar operadoras, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publica o Painel de Indicadores de Glosa, com glosa inicial, glosa final e tempo médio de pagamento de cada operadora, calculados sobre as guias fechadas [5]. O painel não traz o motivo da glosa: ele só aparece no demonstrativo de cada operadora.
  4. Frequência compatível com a ação. Indicadores operacionais (contas paradas, autorizações pendentes) são diários ou semanais; indicadores de resultado (glosa final, prazo médio de recebimento) são mensais.

A tabela abaixo organiza os 20 indicadores pelas etapas do ciclo.

Os 20 indicadores do ciclo de receita

Antes do atendimento: elegibilidade e autorização

#IndicadorComo calcularFrequênciaResponsável
1Glosa por elegibilidade e cadastroValor glosado por motivo cadastral ou de elegibilidade ÷ valor apresentadoMensalRecepção
2Atendimentos com autorização completaAtendimentos com senha válida para todos os itens ÷ total de atendimentosSemanalCentral de autorizações
3Tempo de resposta de autorizaçãoMédia de dias úteis entre o pedido e a resposta, por operadoraMensalCentral de autorizações
4Taxa de negativa de autorizaçãoPedidos negados ÷ pedidos feitos, por operadora e motivoMensalCentral de autorizações

Durante e depois do atendimento: registro, fechamento e auditoria

#IndicadorComo calcularFrequênciaResponsável
5Prorrogações fora do prazoProrrogações pedidas após o fim das diárias autorizadas ÷ total de prorrogaçõesSemanalCentral de autorizações e auditoria concorrente
6Glosa técnicaValor glosado por motivo técnico ÷ valor apresentadoMensalAuditoria médica e de enfermagem
7Tempo entre alta e envioMédia de dias entre a alta e o envio da contaSemanalFaturamento
8Contas não faturadas (DNFB)Valor das contas de pacientes com alta ainda não enviadas, também em dias de faturamentoDiárioFaturamento
9Cobertura da pré-auditoriaContas auditadas antes do envio ÷ contas enviadasMensalAuditoria
10Valor corrigido na pré-auditoriaValor incluído, retirado ou corrigido ÷ valor das contas auditadasMensalAuditoria

Faturamento e envio

#IndicadorComo calcularFrequênciaResponsável
11Aceitação na primeira análiseValor aceito sem glosa ÷ valor apresentadoMensalFaturamento
12Rejeição de lotesLotes rejeitados ÷ lotes enviadosSemanalFaturamento
13Contas enviadas fora do prazoContas enviadas após o prazo do contrato ÷ contas enviadasMensalFaturamento

Glosa e recurso

#IndicadorComo calcularFrequênciaResponsável
14Glosa inicialValor glosado na primeira análise ÷ valor apresentadoMensalFaturamento e gestão
15Taxa de reversãoValor recuperado ÷ valor recorrido (só glosas com prazo de recurso encerrado)MensalEquipe de recursos
16Prazo de resolução da glosaMédia de dias entre a glosa e o pagamento do valor revertidoMensalEquipe de recursos
17Glosa final (aceita)Valor glosado não revertido ÷ receita bruta de convêniosMensalGestão

Recebimento

#IndicadorComo calcularFrequênciaResponsável
18Prazo médio de recebimento(Contas a receber de convênios ÷ receita de convênios do período) × dias do períodoMensalFinanceiro
19Índice de recebimentoValores recebidos das operadoras ÷ valores faturados às operadoras, no mesmo período (a Anahp usa os últimos 5 anos)TrimestralFinanceiro
20Inadimplência das operadorasFaturas em aberto há mais de 90 dias ÷ média do faturamento mensal dos últimos 12 meses; abra por operadora e por faixa de aging (a vencer, 1–30, 31–60, 61–90, 91–180 e mais de 180 dias), como no guia Aging de contas a receber de operadorasMensalFinanceiro

A ANS mede uma segunda régua no Painel de Indicadores de Glosa: o tempo médio de pagamento de cada operadora, em dias entre o protocolo da cobrança e o último pagamento de cada guia fechada [5]. Ele não usa a data do atendimento e não substitui o prazo médio de recebimento do hospital, mas permite comparar as operadoras entre si.

Os detalhes de cada grupo estão nos guias Glosa inicial, final e aceita, Prazo médio de recebimento hospitalar, Índice de glosa e Conciliação de pagamentos de operadoras.

Como os hospitais Anahp se saem: as referências do setor

A principal referência pública no Brasil é o Observatório Anahp, com os indicadores médios dos hospitais associados à Anahp: 194 associados ao fim de 2025, em geral de grande porte e alta complexidade [2]. Use os números como referência de tendência, não como meta: hospitais de outro porte, região ou perfil de operadoras têm realidades diferentes.

Hospitais Anahp recebem quase um mês depois de pagar fornecedores Prazo médio de recebimento das operadoras (dias): 2021: 68,56; 2022: 73,51; 2023: 76,38; 2024: 69,91; 2025: 77,35. Prazo médio de pagamento a fornecedores (dias): 2021: 43,27; 2022: 45,25; 2023: 49,40; 2024: 50,70; 2025: 48,30. Diferença em 2025: 29,05 dias. Fonte: Observatório Anahp 2025 e Balanço Observatório Anahp, março de 2026. Hospitais Anahp recebem quase um mês depois de pagar fornecedores Em 2025: 77,35 dias para receber das operadoras e 48,30 dias para pagar fornecedores Prazo médio, em dias, média dos hospitais associados 0 30 60 90 2021 2022 2023 2024 2025 diferença: 29,05 dias Pagamento a fornecedores, 2021: 43,27 dias Pagamento a fornecedores, 2022: 45,25 dias Pagamento a fornecedores, 2023: 49,40 dias Pagamento a fornecedores, 2024: 50,70 dias Pagamento a fornecedores, 2025: 48,30 dias Recebimento, 2021: 68,56 dias Recebimento, 2022: 73,51 dias Recebimento, 2023: 76,38 dias Recebimento, 2024: 69,91 dias Recebimento, 2025: 77,35 dias 68,56 43,27 Recebimento 77,35 dias Pagamento a fornecedores 48,30 dias Fonte: Observatório Anahp 2025 e Balanço Observatório Anahp, março de 2026.
Fonte: Observatório Anahp 2025 e Balanço Observatório Anahp, março de 2026 · prazos médios dos hospitais Anahp, 2021–2025. Produzido por Accrua.
Ver os números em tabela
AnoPrazo médio de recebimento (dias)Prazo médio de pagamento a fornecedores (dias)
202168,5643,27
202273,5145,25
202376,3849,40
202469,9150,70
202577,3548,30

O hospital recebe das operadoras quase um mês depois de pagar seus fornecedores [2]. Ele financia essa diferença com caixa próprio ou com crédito (veja os guias Capital de giro hospitalar e Antecipação de recebíveis de operadoras). No 1º trimestre de 2026, o prazo médio de recebimento ficou em 73,84 dias [3].

Indicador (hospitais Anahp)202320242025Fonte
Glosa inicial (% dos valores a receber das operadoras)11,89%15,89%15,93%[1][2]
Glosa aceita (% da receita bruta de convênios)1,17%1,96%1,72%[1][2]
Índice de recebimento (recebido ÷ faturado, 5 anos)—88,61%—[1]
Inadimplência (faturas > 90 dias ÷ faturamento médio mensal)—61,53%—[1]
Participação dos convênios na receita bruta80,56%78,80%76,47%[1][2]
Margem EBITDA11,89%11,68%11,05%[1][2]

No 1º trimestre de 2026, a glosa aceita foi de 1,61% e a margem EBITDA, de 9,45% [3]. Em 2022, a Anahp calculava a glosa aceita sobre a receita líquida total (0,78%); desde 2023, o denominador é a receita bruta de convênios, por isso a série da tabela começa em 2023 [2].

Outra referência. O Panorama do Ciclo de Receita 2026, da ZG Soluções, com dados das instituições clientes da empresa, registrou glosa inicial média de 8,86%, glosa final de 6,58% e prazo médio de recebimento de 53 dias [4]. A base e as definições são diferentes das da Anahp, por isso os números não se comparam diretamente. Todos os números do setor estão em Dados do setor.

Quanto custa cada dia a mais de recebimento

O prazo médio de recebimento vira dinheiro quando se calcula o capital parado e o custo de financiá-lo:

Capital parado = receita de convênios por dia × dias de recebimento Custo do atraso = capital parado × custo do dinheiro no período

Exemplo ilustrativo. Um hospital fatura R$ 300 mil por dia às operadoras. Com 77 dias de prazo, tem cerca de R$ 23,1 milhões a receber. Se reduzir o prazo em 10 dias, libera R$ 3 milhões de caixa. A um custo de capital de 1% ao mês, esses 10 dias custam cerca de R$ 30 mil por mês, ou R$ 360 mil por ano.

Referências de taxa. A Selic de setembro de 2026 foi de 13,78% ao ano, cerca de 1,08% ao mês, e funciona como piso do custo do dinheiro [6]. A taxa média de capital de giro para empresas, com recursos livres, foi de 1,73% ao mês (22,89% ao ano) em agosto de 2026 [7]. Com essa taxa, os mesmos 10 dias custariam cerca de R$ 52 mil por mês.

O cálculo completo, com a sua taxa de captação, está na Calculadora de prazo médio de recebimento e no guia Quanto custa o atraso da operadora. Para separar o que está a vencer, vencido e provisionado, veja o guia Contas a receber hospitalar.

Como montar o painel do ciclo de receita

Um painel útil tem três níveis, cada um para um público:

NívelPúblicoIndicadoresFrequência
ResultadoDiretoria e conselhoPrazo médio de recebimento, glosa final, inadimplência, índice de recebimentoMensal
GestãoGestor do ciclo de receita e comitê de receitaGlosa inicial por operadora e motivo, taxa de reversão, aceitação na primeira análise, tempo entre alta e envioMensal, com revisão semanal
OperaçãoCoordenadores de cada áreaContas não faturadas, autorizações pendentes, prorrogações a vencer, lotes rejeitados, recursos a vencerDiário

Cada indicador do nível de resultado deve se abrir nos indicadores de gestão que o explicam. Se o prazo médio de recebimento sobe, o painel precisa mostrar em segundos se a causa é o tempo interno até o envio, a glosa ou o pagamento de uma operadora específica.

A reforma tributária troca, até 2033, PIS, Cofins, ISS e ICMS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com 2026 como ano de teste [8]. Indicadores calculados sobre a receita líquida, como a margem EBITDA, passam pela transição: registre a mudança ao comparar anos. Veja o guia Reforma tributária nos hospitais.

Os erros de medição mais comuns

ErroPor que distorceComo evitar
Misturar denominadores de glosaGlosa sobre valor apresentado, receita bruta ou valores a receber dá números diferentesEscrever a fórmula e usar sempre a mesma
Tratar glosa inicial como perdaSuperestima a perda e esconde o custo do tempoMedir glosa inicial e final separadamente
Calcular reversão com recursos em abertoSubestima a reversãoConsiderar só glosas com prazo de recurso encerrado
Olhar só a média do hospitalEsconde a operadora ou o motivo que concentra o problemaAbrir por operadora e por motivo
Medir só o prazo total de recebimentoNão separa o atraso interno do da operadoraMedir também o tempo entre alta e envio
Comparar com referência de outro perfilHospital de outro porte ou região tem outra realidadeUsar a referência como tendência e comparar o hospital com ele mesmo

O que vemos na operação

Na Accrua, medimos por etapa e por operadora, porque a média do hospital esconde onde o problema está. No diagnóstico, partimos do histórico de contas que o hospital já enviou e calculamos os indicadores com a mesma fórmula e o mesmo denominador para todas as operadoras: tempo entre alta e envio, glosa inicial, glosa revertida, glosa aceita e prazo efetivo de pagamento contra o contratual.

O Accrua OS mantém esses números atualizados a cada demonstrativo conciliado, conta a conta. Isso permite comparar a operadora que mais glosa ou mais atrasa com a média da carteira e levar o dado para a negociação, e separar o prazo que depende do hospital do prazo que depende da operadora.

Os mesmos indicadores sustentam a Receita Garantida: o risco é lido por operadora, plano e tipo de conta, com prazo histórico, taxa de glosa e recurso aceito, para colocar no caixa do hospital, no prazo de que ele precisa, o valor da produção elegível.

Por onde começar

  1. Escolha cinco indicadores para o primeiro mês: glosa inicial, glosa final, prazo médio de recebimento, tempo entre alta e envio e contas não faturadas.
  2. Escreva a fórmula de cada um, com numerador, denominador e período, e use sempre a mesma.
  3. Abra por operadora e por motivo desde o início.
  4. Defina um responsável por indicador e leve os números ao comitê de receita mensal.
  5. Acrescente os demais indicadores aos poucos, começando pelos das etapas onde o problema aparecer.

Perguntas frequentes sobre indicadores do ciclo de receita

Quais são os principais indicadores do ciclo de receita?

Glosa inicial, glosa final, taxa de reversão de glosa, prazo médio de recebimento, tempo entre alta e envio da conta, contas não faturadas e aceitação da conta na primeira análise. Eles mostram quanto o hospital perde e onde o dinheiro está parado.

Como calcular o prazo médio de recebimento de um hospital?

Divida o saldo de contas a receber de convênios pela receita de convênios do período e multiplique pelo número de dias do período. Nos hospitais associados à Anahp, o resultado foi de 77,35 dias em 2025.

Qual é um bom índice de glosa?

Não há meta oficial. Como referência, os hospitais associados à Anahp tiveram glosa inicial de 15,93% dos valores a receber das operadoras e glosa aceita de 1,72% da receita bruta de convênios em 2025. O mais útil é comparar o hospital com ele mesmo, por operadora e por motivo.

Qual a diferença entre glosa inicial e glosa final?

Glosa inicial é o valor contestado pela operadora na primeira análise da conta; glosa final é o que continua glosado depois dos recursos. A primeira mede o retrabalho e o atraso; a segunda, a perda definitiva.

O que é DNFB?

É a sigla em inglês para contas de pacientes que já tiveram alta e ainda não foram faturadas. Mede a receita produzida que está parada dentro do hospital, em valor ou em dias de faturamento.

Com que frequência acompanhar os indicadores?

Indicadores operacionais, como contas não faturadas e autorizações pendentes, são diários ou semanais. Indicadores de resultado, como glosa final e prazo médio de recebimento, são mensais.

Fontes

  1. Anahp — Observatório Anahp 2025 (dados de 2024; definições dos indicadores gerenciais).
  2. Anahp — Balanço Observatório Anahp, 9ª edição, março de 2026 (dados de 2025).
  3. Anahp — Balanço Observatório Anahp, junho de 2026 (1º trimestre de 2026).
  4. ZG Soluções — Panorama do Ciclo de Receita 2026.
  5. ANS — Painel de Indicadores de Glosa, Nota Técnica nº 25/2020/GASNT (glosa inicial, glosa final e tempo médio de pagamento por operadora; itens 11 e 16).
  6. Banco Central do Brasil — SGS 4189, taxa Selic acumulada no mês, anualizada (setembro de 2026; consulta em 17/10/2026).
  7. Banco Central do Brasil — SGS 25444 (% ao mês) e SGS 20725 (% ao ano), taxa média de juros de capital de giro total, pessoa jurídica, recursos livres (agosto de 2026; consulta em 17/10/2026).
  8. Emenda Constitucional nº 132/2023 (reforma tributária), Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, arts. 125 a 129.