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Guias · Ciclo de receita

Fechamento de conta hospitalar: como reduzir o tempo entre a alta e o faturamento

O tempo entre alta e faturamento é o atraso que depende só do hospital. Veja como medi-lo, por que as contas param após a alta e as práticas para fechar a conta mais rápido.

Por Publicado em 10 min de leitura

O que é o tempo entre alta e faturamento?

É o número de dias que a conta leva da alta do paciente até o envio à operadora. O indicador responde a uma pergunta simples: depois que o atendimento termina, quanto tempo o hospital demora para cobrar?

Também chamado de tempo entre alta e envio ou tempo para faturar, o indicador cobre as etapas 5 e 6 do ciclo de receita hospitalar. São o fechamento e a auditoria da conta, o faturamento e o envio. Nesse trecho não há prazo da operadora correndo. Todo dia de espera vem de uma pendência interna.

O pilar Faturamento hospitalar recomenda medir esse intervalo separadamente, porque ele mostra quanto do atraso no recebimento é do hospital. O prazo médio de recebimento (PMR) dos hospitais associados à Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) foi de 77,35 dias em 2025 [2]. Esse número não diz quantos dias as contas passaram dentro do hospital antes de serem cobradas.

A conta passa por quatro marcos e três trechos

A conta muda de estado em quatro datas: alta, fechamento, envio e pagamento. Entre elas há três trechos, e só o último depende da operadora.

Da alta ao envio, o relógio da conta é do hospitalLinha do tempo da conta hospitalar com quatro marcos: alta, fechamento, envio com protocolo e pagamento. Trecho 1, da alta ao fechamento: pendências de prontuário, lançamentos, OPME, autorização e auditoria; corresponde ao saldo DNFB da HFMA. Trecho 2, do fechamento ao envio: calendário de lote da operadora e validação do XML; corresponde ao saldo FBNS. Os trechos 1 e 2 formam o tempo entre alta e envio, que depende só do hospital. Trecho 3, do envio ao pagamento: análise da operadora, glosa, recurso e pagamento; o tempo médio de pagamento da ANS conta a partir do protocolo. Um marcador indica o prazo contratual de envio, depois do qual a conta pode ser glosada por cobrança fora do prazo, códigos 3214 e 3161 da tabela 38 da TUSS. Da alta ao envio, o relógio da conta é do hospital Quatro marcos e três trechos: a operadora só começa a contar a partir do protocolo do envio Tempo entre alta e envio: depende só do hospital Depende da operadora Saldo HFMA: DNFB Saldo HFMA: FBNS Alta Fechamento Envio (protocolo) Pagamento Trecho 1 · alta → fechamento Prontuário, lançamentos, OPME, autorização, auditoria Trecho 2 · fechamento → envio Calendário de lote da operadora, validação do XML Trecho 3 · envio → pagamento Análise da operadora, glosa, recurso, pagamento Prazo contratual de envio: depois dele, glosa por cobrança fora do prazo (TUSS 38: 3214, 3161) ● Tempo médio de pagamento (ANS) conta a partir do protocolo Fontes: HFMA MAP Keys (PB-1, PB-2); ANS, NT 25/2020 (painel de glosas); ANS, TUSS tabela 38; Lei 9.656/1998, art. 17-A. Produzido por Accrua.
Linha do tempo da conta hospitalar: o hospital controla o tempo da alta ao envio; a operadora, do envio ao pagamento. Fontes: HFMA MAP Keys; ANS, NT 25/2020; ANS, TUSS tabela 38; Lei 9.656/1998, art. 17-A. Produzido por Accrua.
Ver os trechos em tabela
TrechoDo marcoAo marcoO que segura a contaQuem controla
1AltaFechamentoProntuário, lançamentos, OPME, autorização, auditoria (saldo DNFB)Hospital
2FechamentoEnvio (protocolo)Calendário de lote da operadora, validação do XML (saldo FBNS)Hospital
3Envio (protocolo)PagamentoAnálise da operadora, glosa, recurso, pagamentoOperadora
MarcoO que registraOnde buscar a dataCuidado
AltaFim do atendimento (internação) ou do período cobrado (conta parcial)Sistema de gestão hospitalar; comunicação de alta pelo padrão de Troca de Informação de Saúde Suplementar (TISS), de envio eletrônico obrigatório [7]Alta registrada com atraso no sistema esconde dias de conta parada
FechamentoConta conferida, auditada e pronta para gerar as guiasStatus da conta no sistemaDefina um único status como “fechada”; reaberturas voltam o relógio
EnvioConta transmitida à operadora em lote XMLNúmero e data do protocolo do loteLote rejeitado não conta como envio; vale a data do reenvio aceito
PagamentoValor recebido e conciliadoDemonstrativo de pagamento e extratoFora deste indicador; é parte do PMR

O primeiro trecho, da alta ao fechamento, concentra as pendências de documentação, lançamento e autorização. O segundo, do fechamento ao envio, depende do calendário de envio de cada operadora e da validação do arquivo. O terceiro é a análise e o pagamento pela operadora.

A Healthcare Financial Management Association (HFMA), entidade americana de gestão financeira em saúde, separa os dois primeiros trechos em dois saldos [1]. O DNFB reúne as contas com alta ainda sem faturamento final. O FBNS reúne as contas já fechadas e não enviadas, por críticas antes do envio ou rejeição na transmissão [1]. O guia Contas não faturadas (DNFB) trata desses saldos em reais e em dias de receita.

Como calcular o tempo entre alta e envio

O cálculo usa as contas enviadas no período e as datas de cada uma:

Tempo médio entre alta e envio (dias) = soma de (data do envio − data da alta) das contas enviadas no período ÷ número de contas enviadas no período

A fórmula é uma proposta deste guia, não uma regra da HFMA nem da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A HFMA não tem um indicador de dias da alta ao envio por conta. O DNFB é uma foto do saldo no fim do mês, e o charge lag (PB-4) mede os dias entre o serviço e o lançamento de cada item [1]. O importante é escrever a definição e mantê-la todos os meses.

Quatro escolhas evitam números enganosos:

  • Média e mediana juntas. Poucas contas muito atrasadas puxam a média para cima. A mediana mostra a conta típica; a diferença entre as duas mostra o tamanho da cauda.
  • Abertura por trecho. Calcule à parte alta → fechamento e fechamento → envio. Se o segundo trecho é longo, o problema está no calendário de lotes ou nas críticas do arquivo, não na conferência.
  • Conta parcial com a data do período. A Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS) classifica o faturamento como parcial, final, complementar ou total (tabela 55) [8]. Na conta parcial, use a data de fim do período cobrado no lugar da alta; na complementar, meça à parte, para não misturar lançamentos tardios com o fechamento normal.
  • Leitura junto com o DNFB. A média só enxerga as contas que já saíram. Uma conta parada há 60 dias não entra no cálculo até ser enviada; o DNFB mostra essa conta hoje.

Exemplo ilustrativo. Em um mês, um hospital enviou cinco contas com 3, 4, 5, 6 e 32 dias entre alta e envio. A média é de 10 dias; a mediana, de 5. A conta de 32 dias, uma internação com nota fiscal de órteses, próteses e materiais especiais (OPME) pendente, sozinha mais que dobrou a média (sem ela, seria de 4,5 dias). Abrir por trecho mostrou 27 dias até o fechamento e 5 até o envio.

Por que as contas ficam paradas depois da alta?

A conta fica parada porque falta algo para fechá-la ou para enviá-la. Cada causa aparece em um trecho e tem um responsável diferente. A tabela reúne as que costumam surgir na rotina de hospitais que atendem operadoras.

CausaTrechoResponsávelPrática que encurta o tempo
Alta registrada tarde no sistemaAntes do fechamentoUnidades de internação e recepçãoRegistro da alta no mesmo turno e comunicação de alta pelo TISS [7]
Prontuário incompleto (evolução, prescrição checada, descrição cirúrgica, relatório de alta)Alta → fechamentoCorpo clínico e enfermagemChecklist de alta conferido antes de o paciente sair
Lançamento tardio de materiais e medicamentosAlta → fechamentoFarmácia, centro cirúrgico e setores assistenciaisLançamento no ponto de uso; a HFMA trata como tardio o lançamento feito mais de 3 dias após o serviço [1]
OPME sem nota fiscal, etiqueta ou autorizaçãoAlta → fechamentoSuprimentos e central de autorizaçõesDocumentação do item conferida na sala, antes do fim da cirurgia
Prorrogação ou autorização pendenteAlta → fechamentoCentral de autorizaçõesPedido de prorrogação antes de vencerem as diárias autorizadas
Equipe médica ou honorários não informadosAlta → fechamentoFaturamento e corpo clínicoEquipe registrada a partir da escala cirúrgica
Fila de auditoria internaAlta → fechamentoAuditoria internaAuditoria concorrente, durante a internação
Espera pelo calendário de envio da operadoraFechamento → envioFaturamentoCalendário de envio por operadora, com a data de corte de cada uma
Críticas ou rejeição do lote XMLFechamento → envioFaturamento e TIValidação do arquivo antes da transmissão

Duas causas pedem atenção à parte. A primeira é a reabertura: a conta fechada que volta por pendência perde o lugar na fila e soma dias aos dois trechos. Contar as reaberturas por motivo mostra onde a conferência está falhando.

A segunda são as internações longas. Sem conta parcial, a receita de uma internação de semanas só começa a ser cobrada depois da alta, e a conta grande demora mais para ser auditada. Quando o contrato permite, a conta parcial antecipa a cobrança; o tema está no guia Conta parcial.

O atraso custa caixa e pode virar glosa

O atraso custa de duas formas: o dinheiro parado e o risco de perder o prazo de envio. As duas crescem a cada dia que a conta espera.

Dinheiro parado. O atendimento já foi pago pelo hospital, mas a cobrança não começou. No painel de indicadores de glosa da ANS, o tempo médio de pagamento é contado a partir do protocolo da cobrança, não da data do atendimento [6]. Os dias antes do envio não aparecem nos números da operadora, mas pesam no capital de giro do hospital.

Exemplo ilustrativo. Um hospital com receita bruta de convênios de R$ 300 mil por dia reduz o tempo médio entre alta e envio em 5 dias. O caixa recebe uma única vez cerca de R$ 1,5 milhão (5 × R$ 300 mil). A um custo de capital de 1% ao mês, esse valor parado custava perto de R$ 15 mil por mês. O cálculo com a taxa do próprio hospital está no guia Quanto custa o atraso da operadora.

Prazo de envio. A Lei 9.656/1998, art. 17-A, § 2º, II, exige que o contrato entre operadora e prestador traga os prazos e procedimentos para faturamento e pagamento [3]. A RN 503/2022, que regulamenta esses contratos, não fixa número de dias para o envio [4]. Cada contrato define o seu prazo.

Quando a conta sai depois desse prazo, a operadora pode glosá-la. A tabela 38 da TUSS tem códigos para esse caso. Entre eles estão o 3214, “cobrança fora do prazo estipulado no contrato com o prestador”, e o 3161, “prazo de envio fora do período contratual acordado entre as partes” [5]. O Manual de contratualização da Anahp registra que a prescrição da conta por envio tardio “tem sido considerada ilegal pelo Poder Judiciário” [9]. É a posição da associação; na prática, o caminho mais seguro é enviar dentro do prazo.

Práticas para fechar a conta mais rápido

Fechar a conta mais rápido é tirar as pendências do caminho antes da alta e dar dono a cada uma depois dela. As práticas abaixo atacam os dois trechos e podem começar sem trocar de sistema:

  1. Conta construída durante a internação. A auditoria concorrente confere a conta enquanto o paciente está no hospital, e a alta chega com menos pendências abertas. Veja o guia Tipos de auditoria.
  2. Checklist de alta. Antes de o paciente sair, a unidade confere relatório de alta, prescrições checadas, descrição cirúrgica e registro de OPME.
  3. Fila diária por idade e valor. A coordenação recebe todos os dias a lista de contas com alta não enviadas, com data da alta, operadora, valor, trecho e motivo da pendência.
  4. Prazo interno por trecho. O hospital define quantos dias cada área tem para responder à sua pendência. O prazo vem da própria série e do prazo contratual de envio, não de uma referência externa.
  5. Calendário de envio por operadora. Uma tabela com a data de corte, a periodicidade do lote e o prazo contratual de cada operadora evita que contas fechadas esperem o próximo ciclo sem necessidade.
  6. Validação do XML antes do lote. Críticas resolvidas antes da transmissão evitam rejeição e reenvio. O guia Lote XML TISS: erros de envio trata das críticas mais comuns.

Qual é um bom tempo entre alta e envio?

Não há referência pública. A página dos MAP Keys da HFMA não publica meta numérica para os indicadores de pré-faturamento [1], e no Brasil nenhuma fonte primária divulga média do setor para esse intervalo.

A referência possível é a do próprio hospital, com dois limites. O primeiro é o prazo contratual de envio de cada operadora: o prazo interno precisa deixar folga até ele. O segundo é a própria série: meça três meses, abra por trecho e por causa e defina uma meta de redução sobre a mediana.

O que vemos na operação

Na Accrua, o trecho entre a alta e o envio é o primeiro que medimos, porque é o único em que o relógio depende só do hospital. Quando lemos o histórico de um hospital, separamos os dois trechos que o guia descreve, da alta ao fechamento e do fechamento ao envio, e olhamos conta a conta onde os dias se acumulam: OPME sem nota ou etiqueta, prontuário incompleto, prorrogação pendente.

O Accrua OS trabalha sobre o HIS/ERP do hospital e acompanha cada conta aberta contra o prazo de envio previsto no contrato com aquela operadora. Os agentes cuidam do que tem regra: validação do XML, transmissão, acompanhamento de prazo e status. Quando falta um documento, a pendência vai para quem resolve, com a fonte indicada.

Na operação gerenciada, faturistas e auditores com formação em enfermagem tratam as contas paradas por causa, não por ordem de chegada. E, quando o problema é caixa, a Receita Garantida coloca no hospital, no prazo de que ele precisa, o valor da produção elegível.

Por onde começar

  1. Escreva a definição: quais datas marcam alta, fechamento e envio, e como tratar conta parcial, complementar e lote rejeitado.
  2. Calcule média e mediana das contas enviadas no último mês, separando os trechos alta → fechamento e fechamento → envio.
  3. Classifique as contas atrasadas por causa e nomeie um responsável e um prazo interno para cada uma.
  4. Monte o calendário de envio por operadora, com data de corte e prazo contratual.
  5. Acompanhe toda semana o indicador junto com o DNFB e defina a meta a partir dos três primeiros meses.

Perguntas frequentes sobre o tempo entre alta e faturamento

O que é o tempo entre alta e faturamento?

É a média de dias entre a alta do paciente e o envio da conta à operadora. Mostra quanto do atraso no recebimento acontece dentro do hospital, antes de a cobrança começar.

Como calcular o tempo entre alta e envio da conta?

Some, para cada conta enviada no período, os dias entre a data da alta e a data do protocolo de envio, e divida pelo número de contas. Acompanhe também a mediana e separe os trechos até o fechamento e até o envio.

Existe um prazo legal para o hospital enviar a conta à operadora?

Não há número de dias fixado em lei ou na RN 503/2022. A Lei 9.656/1998, art. 17-A, exige que o contrato preveja os prazos de faturamento, e cada contrato define o seu.

Conta enviada fora do prazo pode ser glosada?

Pode. A tabela 38 da TUSS tem códigos para isso, como o 3214, “cobrança fora do prazo estipulado no contrato com o prestador”, e o 3161, de envio fora do período contratual.

Qual a diferença entre tempo entre alta e envio e DNFB?

O tempo entre alta e envio é uma média de prazo das contas que já saíram. O DNFB é o saldo, em reais ou em dias de receita, das contas com alta que ainda não foram faturadas. Um completa o outro.

Qual é a meta para o tempo entre alta e envio?

Não há meta pública da HFMA nem referência do setor no Brasil. O hospital define a sua a partir da própria série, com folga em relação ao prazo contratual de envio de cada operadora.

Fontes

  1. HFMA — MAP Keys: Pre-Billing (PB-1 Days in Total DNFB, PB-2 Final Billed Not Submitted to Payer, PB-3 DNSP, PB-4 Total Charge Lag Days) e Claims (CL-2 Late Charges as a % of Total Charges), consulta em 17/10/2026.
  2. Anahp — Balanço Observatório Anahp, 9ª edição, março de 2026 (dados de 2025), gráfico 10, p. 27.
  3. Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, art. 17-A, § 2º, II (incluído pela Lei nº 13.003/2014).
  4. ANS — Resolução Normativa nº 503, de 30 de março de 2022 (contratos entre operadoras e prestadores; DOU de 04/04/2022).
  5. ANS — TUSS, tabela 38 (mensagens de glosa), versão 202607, planilha oficial “Demais terminologias” da ANS, conferida em 18/10/2026: códigos 3214 (vigência desde 01/12/2025) e 3161 (vigência desde 01/08/2021).
  6. ANS — Nota Técnica nº 25/2020/GASNT, Painel de Indicadores de Glosa, itens 16 a 21.
  7. ANS — Padrão TISS: Componente Organizacional, versão 202609 (setembro de 2026), item 33.
  8. ANS — TUSS, tabela 55 (tipo de faturamento: 1 parcial, 2 final, 3 complementar, 4 total), versão 202607, planilha oficial “Demais terminologias” da ANS, conferida em 18/10/2026.
  9. Anahp — Manual de contratualização entre hospitais e operadoras, 2025, seção 7.