Em 30 de junho de 2026, a Accrua reuniu gestores hospitalares para uma leitura analítica do Balanço Observatório Anahp, publicado no mesmo mês. A conversa foi conduzida pelos fundadores Felipe Dellacqua (CEO) e Rodrigo Dellacqua (CPO), que olharam os números como empreendedores de tecnologia: onde está a ineficiência, quem paga por ela e o que dá para resolver com dados.
Quem participou
- Felipe Dellacqua, fundador e CEO da Accrua
- Rodrigo Dellacqua, fundador e CPO da Accrua
Os números que guiaram a conversa
O que foi discutido
1. Recuperação de um lado, aperto do outro
Mais de 80% das operadoras fecharam o trimestre no positivo, e o resultado de 2025 foi o maior da série histórica. Nos hospitais, a margem EBITDA seguiu caindo e a despesa total consome cerca de 94% da receita líquida. Felipe chamou atenção para o fato de que a recuperação do sistema ainda não chegou à ponta que presta o serviço.
2. Eficiência assistencial que não vira caixa
A taxa de ocupação subiu para 76,85% e a média de permanência caiu para 3,72 dias, o menor patamar da série. Rodrigo mostrou que o hospital ficou mais eficiente no leito, mas continua perdendo valor entre a alta do paciente e o pagamento da operadora.
3. A glosa que fica e a glosa que some
A glosa aceita contábil ficou em 1,61% da receita bruta de convênios. Os fundadores lembraram que esse é o fim do funil: antes dele há a glosa inicial, os recursos, o retrabalho e o custo da equipe dedicada a contestar. O número pequeno esconde uma operação grande.
4. Vinte e cinco dias de capital de giro financiado pelo hospital
A diferença entre receber em 73,8 dias e pagar em 48,4 dias significa que o hospital financia, com caixa próprio, quase um mês de operação das operadoras. Em um hospital com R$ 100 milhões de receita anual de convênios, isso representa cerca de R$ 7 milhões parados.
5. Pacotes e verticalização mudam a regra do jogo
A participação dos hospitais nas despesas assistenciais caiu de 54,0% em 2013 para 50,8% em 2024, e o pagamento por pacote ganhou espaço. Para os fundadores, contratos mais complexos exigem leitura automatizada do contrato e conferência item a item antes do envio da conta.
Conclusões
- O gargalo do hospital deixou de ser assistencial e passou a ser financeiro e administrativo.
- Prazo de recebimento e glosa são problemas de dados, e podem ser atacados sem trocar os sistemas do hospital.
- Quem medir o próprio ciclo de receita por operadora terá argumento para negociar.
Quer a leitura completa? Publicamos um insight com a releitura do Observatório a partir do que foi discutido no webinar: O descompasso do sistema: o que o Observatório Anahp 2026 mostra sobre o caixa dos hospitais.
Fonte dos dados: Balanço Observatório Anahp, junho de 2026, com dados da ANS (1º trimestre de 2026) depurados pela Arquitetos da Saúde e do Sistema de Indicadores Hospitalares Anahp. A base de hospitais associados passou de 120 em 2023 para 199 em 2026, o que afeta comparações históricas.